A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) de Goiás inicia, na próxima terça-feira, 10 de dezembro, a entrega do Atlas de Remanescentes de Vegetação Nativa de Goiás. Este estudo será apresentado em seis etapas, com intervalos de três meses, começando pela bacia do Meia Ponte e dos Bois. O mapeamento, elaborado com imagens de satélite e validação em campo, é considerado o mais detalhado realizado no estado até hoje, superando outros projetos como o RadamBrasil, que mapeava grandes áreas desde os anos 1980.
O Atlas não apenas identifica as três principais formações vegetativas do Cerrado — campestre, savânica e florestal — como também suas subdivisões. Com imagens de satélite de alta resolução, o trabalho possui um nível de detalhamento 20 vezes maior que o mapeamento atual do MapBiomas, usado pela Semad. De acordo com Murilo Cardoso, gerente de Geoprocessamento da Semad, a consulta pública realizada em 2022, envolvendo especialistas, ajudou a definir a metodologia, com destaque para a importância da validação de campo.
Este mapeamento detalhado tem um papel essencial no desenvolvimento de políticas públicas. Para Andréa Vulcanis, secretária da Semad, o Atlas será crucial para acelerar processos como a análise de licenciamento ambiental e fornecer informações mais precisas sobre a contribuição de Goiás no sequestro de gases causadores de efeito estufa. Além disso, os dados permitirão monitorar a recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e as reservas legais no estado.
A precisão do Atlas também vai impulsionar o novo programa de Pagamento por Serviço Ambiental (PSA), uma iniciativa para incentivar a preservação da vegetação nativa, com a identificação das áreas prioritárias para recuperação e conservação. Com informações detalhadas, a Semad será capaz de aplicar o PSA de maneira mais estratégica e eficaz, decidindo quais municípios devem ser contemplados nas próximas fases do programa.
O projeto representa um grande avanço para Goiás, permitindo um controle mais rigoroso da vegetação nativa e auxiliando no planejamento de futuras ações ambientais, além de promover a preservação do Cerrado, um dos biomas mais importantes do país. Com dados mais completos e precisos, Goiás dará um passo significativo no fortalecimento das políticas de desenvolvimento sustentável e conservação ambiental.














