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Goiás registra mais de 16 mil falhas na assistência à saúde em 2025, aponta Anvisa

Entre as ocorrências, notificadas no país, destacam-se os incidentes relacionados ao uso de cateteres


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 09/01/2026 - 09:00

specialistas alertam que a maioria dos eventos adversos pode ser evitada com protocolos adequados
specialistas alertam que a maioria dos eventos adversos pode ser evitada com protocolos adequados

Goiás contabilizou 16.640 notificações de eventos adversos na assistência à saúde em 2025, segundo levantamento da Organização Nacional de Acreditação (ONA), com base em dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), atualizados em 7 de janeiro de 2026. As ocorrências fazem parte de um cenário nacional que soma 480.283 falhas registradas ao longo do ano, mantendo uma trajetória de crescimento contínuo no país.

No estado, os incidentes mais frequentes foram lesões por pressão, com 2.781 registros, seguidos por ocorrências relacionadas ao uso de cateteres, sondas e outros dispositivos, que somaram 1.693 casos. Também se destacam as falhas durante a assistência à saúde (1.606), problemas em processos ou procedimentos clínicos (1.512), além de incidentes ligados à hemodiálise (1.350) e quedas de pacientes (1.325).

Outros registros em Goiás envolvem falhas na identificação do paciente (1.097), problemas com cateter venoso (706) e falhas envolvendo sondas (101).

Crescimento nacional preocupa especialistas

Em todo o Brasil, os dados apontam um aumento médio de 12% ao ano nos registros de eventos adversos. Em 2023, foram notificadas 368.028 ocorrências; em 2024, 425.951; e, em 2025, o número chegou a 480.283. Os hospitais concentraram a maior parte dos registros, com mais de 428 mil casos.

Do total nacional de eventos adversos em 2025, 249.230 causaram danos leves, 50.710 resultaram em danos moderados, 10.458 provocaram lesões graves e 3.158 evoluíram para óbito. Outros 117.715 episódios não causaram danos aos pacientes.

Principais tipos de falhas no país

Entre os incidentes mais comuns no Brasil estão aqueles relacionados ao uso de cateteres, sondas e dispositivos médicos (83.298), seguidos por lesões por pressão (76.533), falhas em processos ou procedimentos clínicos (55.166) e quedas de pacientes (37.317).

Segundo a ONA, a maioria das falhas é identificada por profissionais de saúde, responsáveis por mais de 202 mil notificações. Pacientes, familiares e cuidadores também contribuem com os registros, embora em menor proporção.

Acreditação e segurança do paciente

Para especialistas, o fortalecimento da cultura de notificação e a adoção de processos de acreditação são fundamentais para reduzir riscos e evitar mortes. “Notificar não é punir, mas aprender e melhorar. A acreditação permite identificar falhas, padronizar processos e tornar o atendimento mais seguro”, afirma Gilvane Lolato, gerente-geral de Operações da ONA.

Atualmente, apenas 0,45% das instituições de saúde brasileiras são acreditadas. Na região Centro-Oeste, onde está Goiás, concentram-se 11,4% das instituições certificadas pela ONA, percentual ainda considerado baixo diante do volume de serviços de saúde em operação.

Especialistas alertam que a maioria dos eventos adversos pode ser evitada com protocolos adequados, identificação correta do paciente e gestão segura de dispositivos invasivos, medidas essenciais para garantir a segurança e a qualidade da assistência prestada à população.

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