Vice costuma ser decidido no último momento, dizem. “Lá para as convenções”, repetem aqueles que vão fazer a escolha. É o discurso adotado pelo ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) e pelo governador Daniel Vilela (MDB). Mas a verdade é que há uma inédita campanha declarada pelo posto. O que antes era conversa de bastidor virou disputa aberta, com elementos de guerra fria. Ou nem tão fria assim.
A semana deixou clara a tensão. O ex-senador Luiz do Carmo, um dos nomes lembrados para a vice, criticou a movimentação em torno de José Mário Schreiner, presidente licenciado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás. Não desqualificou o nome. Fez o contrário. Elogiou antes de bater. “Campanha para vice? Você já viu a história? Eu nunca vi isso na vida. Inventaram isso aí”, afirmou durante participação num programa da Rádio Difusora.
Depois, foi mais direto no incômodo. “Gosto muito do Zé Mário, acho que é preparado, preparadíssimo. Todos são preparados, mas não precisa isso, é pressão. E outra coisa: ninguém pressiona o governador, ninguém pressiona um Caiado da vida.” A frase diz mais sobre o método do que sobre o personagem. Luiz vê pressão onde aliados de Zé Mário enxergam articulação. A diferença, em política, costuma depender de quem faz o movimento e de quem se sente atropelado por ele.
No dia seguinte, Gustavo Mendanha entrou na discussão por outra porta. O ex-prefeito de Aparecida disse que o vice “não é decorativo” e precisa ter “experiência comprovada”. Parece tese de administração pública, mas também é peça de defesa pessoal. Mendanha fala de gestão porque é esse o ativo que leva para a mesa.
Gustavo citou os casos dos ex-prefeitos de Goiânia, Rogério Cruz, que agora está no comando do Partido do Autista em Goiás e Vilmar Mariano, de Aparecida, que hoje está ao lado do ex-governador Marconi Perillo no PSDB. Há quem diga que o comentário respinga diretamente em Luiz do Carmo, mas o entorno de Mendanha nega a referência.
Ao ressuscitá-los, Gustavo mexeu em duas feridas recentes. Goiânia viu um vice assumir a prefeitura sem lastro próprio para governar a capital. Aparecida viu Vilmar herdar o cargo depois que o próprio Mendanha deixou a prefeitura para disputar o governo. Gustavo já reconheceu que errou ao fazer uma escolha excessivamente política para a vice.
Antes deles, Adriano Rocha Lima já havia dado a este colunista uma chave de leitura para o embate. Disse que representar segmentos é papel de deputado, não de vice. Vice, para ele, exige competência. Está aí o centro da disputa.
Zé Mário leva a força do agro, da organização setorial e do trânsito econômico. Luiz do Carmo reage ao que vê como campanha antecipada, ao mesmo tempo que aparece nos púlpitos religiosos, ao lado do irmão Oídes, que preside a Convenção das Assembleias de Deus de Goiás. Mendanha tenta empurrar o debate para a experiência administrativa. Adriano separa representação de capacidade executiva. Todos falam como aliados. Todos se comportam como interessados.

Pressão, mas nem tanto
Na base governista, ninguém admite pressão. Mas todos sabem que ela existe. Uns pressionam pelo peso do setor que representam. Outros pela biografia administrativa. Há ainda quem tente se apresentar como nome de equilíbrio, enquanto cutuca os adversários com luva de pelica.
Antecipação
Os que admitem, destacam que Daniel e Caiado terão de antecipar a escolha logo. “Eles devem fazer isso até a segunda quinzena de junho”, aposta um interlocutor palaciano. Para ele, esperar até as convenções pode trazer danos severos e desnecessários à base danielista.
Apoio de ex
A ex-senadora Lúcia Vânia, no União Brasil, se reuniu na última semana com Zé Mário. Elogiou o produtor rural e líder classista. Mais um apoio para a conta.
Enquanto isso, no ninho tucano…
Viúva de Maguito Vilela, Flávia Telles, cotada para a vice do ex-governador Marconi Perillo, trata de descartar a movimentação. Recém-filiada ao PSDB, diz que seus planos são outros.
Foco em Brasília
A empresária garante que o seu foco está em Brasília. “Eu sinto falta de ver mais gente falando de quem é invisível. Das mulheres que buscam espaço. Da família que precisa de apoio. Das pessoas com deficiência. É por isso que eu quero ser deputada federal. Para levar essa voz, essa vivência e esse olhar para o Congresso. É uma decisão a favor daquilo que eu acredito e da missão que eu sinto que preciso cumprir”, salientou.
Perfil do vice
Aliados de Marconi sustentam que a definição do vice deverá ser feita a partir do momento em que partidos descontentes com Daniel Vilela deixem a base governista. O Democracia Cristã foi o primeiro. “Só a partir dessa nova construção é que Marconi deve bater o martelo sobre seu vice. Precisa agregar com essas legendas descontentes”, afirma um interlocutor tucano.
Palanque digital
O alcance digital de parlamentares e lideranças locais virou ativo político. Antes, bastava aparecer no plenário. Agora, o jogo passa também por cortes, vídeos curtos e volume de visualizações. A métrica virou munição.
Bruno nas views
Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), Bruno Peixoto (UB) publicou recentemente que alcançou 10 milhões de visualizações nos últimos 30 dias. O número ajuda a explicar por que o presidente da Alego trata rede social como extensão do mandato e vitrine para 2026.
Clécio no grito
O deputado estadual Clécio Alves (PSDB) foi além. Há cerca de dez dias, esbravejou que teria chegado a 27 milhões de visualizações. No caso dele, o número combina com o estilo: barulho, confronto e presença constante no debate público.
Igor contra Mabel
O vereador Igor Franco (Podemos) também entrou nesse campeonato. Diz que seus vídeos contra o prefeito Sandro Mabel (UB) já passam de 3 milhões de visualizações. A oposição percebeu que, em rede social, entre bravatas e fiscalizações, a audiência rende.
Eleições no CREA-GO
Primeira mulher a disputar uma eleição no CREA-GO, Tatiana Jucá comemorou nas redes o apoio do atual presidente do Conselho Federal da entidade, Vinicius Marchese. “Estamos falando de alguém que conhece o sistema, entende os desafios da nossa categoria e escolheu acreditar em um projeto maduro, responsável e preparado para entregar resultados reais aos profissionais. E é por acreditar nessa construção coletiva que seguimos fortalecendo o nosso time”, destacou.
Lupi em Goiânia
A visita de Carlos Lupi a Goiânia recolocou o PDT no mapa local, ainda que o partido siga sem musculatura evidente para 2026. Kowalsky Ribeiro assume a legenda tentando vender reorganização. A pergunta é se há base real ou apenas palanque para negociação.
PDT testa nome próprio
Nos bastidores, circula o nome de Carlos Mundim para eventual disputa ao Palácio. Por ora, parece mais balão de ensaio do que projeto consolidado. Mas, em política, lançar hipótese também é forma de cobrar espaço na mesa.
Pesquisa mexe no tabuleiro
As pesquisas AtlasIntel e Paraná Pesquisas ajudaram a organizar a conversa pré-eleitoral em Goiás. Daniel aparece competitivo no governo, Gracinha Caiado lidera para o Senado em cenários testados, e Vanderlan Cardoso mostra que não pode ser tratado como peça lateral.
Vanderlan come pelas beiradas
O desempenho de Vanderlan nas pesquisas ao Senado dá munição ao senador para seguir no jogo. Pode não ser o nome mais barulhento do momento, mas tem recall, estrutura e presença. Em eleição majoritária, isso pesa. A aposta no segundo voto é seu trunfo.
Podemos define seus apoios
O presidente do Podemos, Glaustin da Fokus, destacou em encontro com pré-candidatos da legenda realizado na última sexta-feira (22) que o partido vai apoiar Daniel Vilela (MDB) para governador e na disputa ao Senado vai de Gracinha Caiado (UB) e Vanderlan Cardoso (PSD)
Professor presente
O ex-treinador e multicampeão Vanderlei Luxemburgo palestrou no evento. Falou sobre motivação e política. À coluna, ele confirma que vai disputar o Senado Federal pelo Tocantins. “Eu agora estou num partido sério, que tem uma presidente de partido [Renata Silveira] séria e que tem compromisso com o projeto.”
Elogios a Daniel
O evento também contou com a presença do governador Daniel Vilela, a quem Luxa foi só elogios. “Eu era amigo do pai do Daniel. O pai dele foi muito bom, eu conheço o Daniel desde muito jovem. Acompanhei a trajetória dele. Tentou ser jogador de futebol, centroavante. Conheço muito bem a família e vou trabalhar em conjunto com ele”.















