A notícia de que o grupo controlador do Habib’s entrou em recuperação judicial pode deixar os clientes com uma dúvida imediata: as lojas serão fechadas? Segundo a empresa, não. Os restaurantes continuam funcionando normalmente, mantendo o atendimento e a rotina das unidades.
Quem entrou em recuperação foi o Grupo Gennius, dono das marcas Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill. O conglomerado declarou uma dívida de R$ 265,2 milhões no pedido aceito pela Justiça de São Paulo na segunda-feira (24).
O processo reúne 178 pessoas jurídicas ligadas ao grupo e dois sócios, Alberto Saraiva e Belchior Saraiva. A lista inclui holdings, franqueadoras, empresas operacionais, seis churrascarias Tendall Grill, 119 lojas Habib’s e 26 unidades do Ragazzo.
Isso não significa que todas as franquias espalhadas pelo país estejam necessariamente incluídas no processo. A recuperação abrange as empresas e unidades relacionadas no pedido apresentado à Justiça.
O que muda na prática?
A recuperação judicial funciona como uma tentativa de impedir que uma crise financeira provoque o encerramento das atividades de uma empresa considerada viável. Durante o processo, as dívidas são organizadas e uma proposta de pagamento é apresentada aos credores.
No caso do Grupo Gennius, a Justiça suspendeu ações de execução relacionadas aos débitos. Os credores também ficaram impedidos de interromper contratos simplesmente por causa da abertura da recuperação.
O juiz Jomar Juarez Amorim nomeou a KPMG para atuar como administradora judicial. A consultoria deverá fiscalizar o processo, analisar informações financeiras e acompanhar o cumprimento das obrigações legais.
O grupo terá 60 dias para apresentar um plano detalhando como pretende reorganizar as contas e pagar os credores. Se não entregar o documento dentro do prazo, poderá ter a falência decretada.
Como a dívida cresceu?
O controlador do Habib’s atribui as dificuldades financeiras a uma combinação de fatores. A pandemia esvaziou regiões onde estavam localizadas diversas unidades e afetou diretamente o movimento dos restaurantes.
A empresa também afirma que o avanço das plataformas de delivery mudou o comportamento dos consumidores e prejudicou os resultados dos estabelecimentos físicos. Outro problema foi a elevação da taxa básica de juros, que encareceu empréstimos e a renegociação das dívidas.
Antes de entrar em recuperação, o grupo havia conseguido proteção temporária contra cobranças e tentou chegar a um acordo com os credores. Como a mediação não resolveu a situação, a companhia optou pelo processo judicial.
O que diz o Habib’s?
Em comunicado, a empresa afirmou que a recuperação busca preservar o negócio no longo prazo. Também garantiu que as operações continuam normalmente e que a qualidade do atendimento será mantida.
A reestruturação poderá envolver mudanças na organização das empresas do grupo, abertura de unidades em regiões consideradas estratégicas e maior investimento em modelos voltados ao delivery.
Portanto, a recuperação judicial não representa uma ordem de fechamento das lojas. O futuro do grupo dependerá da apresentação do plano, da negociação com os credores e do cumprimento das etapas acompanhadas pela Justiça.














