Setembro é o mês do Setembro Verde, campanha nacional que chama a atenção para a importância da doação de órgãos e tecidos. Em Goiás, os dados mais recentes da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) mostram que a maior demanda por transplantes é justamente a de córnea. Atualmente, 1.731 pacientes aguardam pela cirurgia, número que coloca esse procedimento como o mais solicitado no Estado. No total, 2.435 pessoas estão na fila por algum tipo de transplante.
A córnea é a membrana transparente que recobre a parte anterior do olho e tem papel essencial na visão. Quando sofre alterações, pode causar desde perda da nitidez até a cegueira total. Entre as doenças que mais atingem esse tecido estão o ceratocone, em que a córnea assume um formato irregular e prejudica a visão, as distrofias corneanas e as infecções graves, que podem deixar cicatrizes irreversíveis. Em muitos desses casos, a única solução para recuperar a visão é o transplante.
De acordo com o oftalmologista do CBCO Hospital de Olhos, Dr. José Beniz Neto, a detecção precoce é a melhor forma de evitar complicações. “Grande parte das doenças que acometem a córnea pode ser identificada em exames de rotina. O diagnóstico precoce permite controlar o avanço de condições como o ceratocone e tratar infecções antes que deixem sequelas irreversíveis. Consultar o oftalmologista regularmente é um cuidado simples que pode evitar a necessidade de um transplante”, explica.
Embora o transplante de córnea seja o mais realizado no país, a fila continua crescente. Dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) indicam que o tempo médio de espera no Brasil é hoje de 374 dias, mais que o dobro do registrado há dez anos, quando a média era de 174 dias. Isso revela que o número de doadores ainda é insuficiente para atender a demanda.
Especialistas lembram que, no Brasil, a autorização para doação deve ser dada pela família. Por isso, é essencial conversar sobre o tema em vida e expressar claramente o desejo de ser doador. Um único doador pode salvar até dez vidas, devolvendo qualidade de vida a quem aguarda um órgão ou tecido.
A expectativa é que o Setembro Verde ajude a sensibilizar mais pessoas sobre a importância da doação, reforçando que um gesto de solidariedade pode transformar o futuro de milhares de brasileiros que hoje aguardam na fila por um transplante.















