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PF faz nova operação contra governador afastado do Tocantins por suspeita de obstrução

Wanderlei Barbosa, do Tocantins, é alvo da operação que investiga desvios de recursos da pandemia; Ação cumpre 24 mandados em Palmas e Santa Tereza do Tocantins


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 12/11/2025 - 09:06

Operação Nêmesis apura tentativa de obstrução à investigação que revelou desvio de recursos da pandemia na compra de cestas básicas (Foto: Divulgação)

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (12) a Operação Nêmesis, que apura suposta tentativa de obstrução à investigação sobre o desvio de recursos públicos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia da Covid-19. Foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em Palmas e Santa Tereza do Tocantins, autorizados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Entre os alvos está o governador afastado do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos).

A nova etapa é um desdobramento da Operação Fames-19, que em setembro levou ao afastamento cautelar de Wanderlei e da primeira-dama Karynne Sotero Campos, então secretária extraordinária de Participações Sociais. As investigações indicam que recursos federais e estaduais destinados à população vulnerável teriam sido desviados por meio de contratações fraudulentas durante o estado de emergência sanitária.

Segundo a PF, há indícios de que investigados tenham usado veículos oficiais para retirar e ocultar documentos de interesse da investigação, o que teria dificultado a coleta de provas. O objetivo da ação é interromper a destruição e a ocultação de evidências e identificar outros agentes que possam ter participado do esquema.

“A operação busca reunir novos elementos que contribuam para esclarecer os fatos e delimitar a responsabilidade dos envolvidos”, informou a corporação em nota.

Afastamento e acusações

Wanderlei Barbosa foi afastado do cargo em 3 de setembro de 2025, por decisão do ministro Mauro Campbell, do STJ, posteriormente confirmada pela Corte Especial. O prazo inicial é de 180 dias. Ele e a esposa negam participação nos fatos investigados.

A PF apura a prática dos crimes de frustração ao caráter competitivo de licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.

As apurações apontam que Barbosa teria mantido, à época em que comandava a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas), um esquema de desvios por meio de contratos irregulares.

A primeira-dama, segundo os investigadores, teria atuado na intermediação das contratações e na formalização documental dos repasses de recursos.

Parte dos valores desviados, conforme indícios levantados na Fames-19, pode ter sido aplicada na construção de uma pousada de luxo ligada à família do governador. A Operação Nêmesis tenta confirmar essa e outras ligações patrimoniais suspeitas.

A PF não informou a identidade de todos os novos alvos, mas confirmou que a investigação segue sob sigilo no STJ.

Defesa

A assessoria de Wanderlei Barbosa confirmou que os agentes da PF apreenderam celulares durante as buscas, mas disse que o governador afastado não vai se manifestar por enquanto. Os investigados permanecem afastados de suas funções e podem ser denunciados ao Ministério Público Federal após a conclusão das diligências.

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