Em menos de dois anos, Goiânia reverteu um quadro de desequilíbrio fiscal e voltou ao nível mais alto de capacidade de pagamento do país. A mudança foi confirmada nesta segunda-feira (13), quando o prefeito Sandro Mabel (UB) anunciou que a nota do município passou de C para A na avaliação do Tesouro Nacional. “Com essa classificação, o município volta a ter melhores condições de acessar crédito com garantia da União e retomar investimentos em áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura”, afirmou.
O resultado decorre de um conjunto de medidas adotadas a partir do início da atual gestão, após um período de deterioração das contas públicas. Entre 2023 e 2024, o município acumulou déficit superior a R$ 380 milhões e perdeu capacidade de investimento. A administração iniciou o processo de ajuste com a decretação de calamidade financeira, instrumento que permitiu renegociar contratos, revisar despesas e reorganizar a execução orçamentária.
A contenção de gastos foi estruturada com a criação do Comitê de Controle de Gastos, responsável por estabelecer regras permanentes de redução de despesas. As despesas totais recuaram mais de 6 por cento em relação a 2024 e os gastos correntes caíram 5,94 por cento. A redução contribuiu para recompor o equilíbrio entre receitas e despesas, indicador relevante na metodologia da Capag.
No campo da arrecadação, a prefeitura adotou medidas de modernização e aumento de eficiência, com crescimento da receita própria acima da inflação. “A administração municipal intensificou ações de modernização e eficiência arrecadatória, ampliando a capacidade do município de enfrentar seus compromissos financeiros”, afirmou o secretário da Fazenda, Oldair Marinho, ao comentar que avanço da receita ampliou a margem fiscal e reduziu a pressão sobre o caixa.
A reorganização financeira incluiu ainda o fortalecimento da liquidez, com maior controle do fluxo de caixa e garantia de recursos para compromissos de curto prazo. Esse indicador é considerado um dos mais rigorosos na avaliação do Tesouro Nacional. A melhora sinaliza capacidade de pagamento imediata e reduz riscos fiscais.
A gestão também alterou a política de compras públicas ao priorizar despesas com maior impacto, como obras, equipamentos e serviços considerados estratégicos. “Transformamos uma prefeitura deficitária em uma prefeitura superavitária”, disse Oldair. O município saiu de um déficit de R$ 389 milhões para um superávit de R$ 583 milhões em 2025.
No campo do endividamento, a administração manteve controle sobre o volume da dívida e evitou a contratação de obrigações que comprometessem receitas futuras. O resultado foi a estabilização dos indicadores fiscais e a melhoria da qualidade das informações encaminhadas ao Tesouro.
“Anteriormente classificada em C, devido à má gestão do governo passado, a capital recuperou sua posição por meio de austeridade fiscal, trabalho firme e combate à corrupção”, afirmou o prefeito. Com a nota A, Goiânia volta a acessar operações de crédito com garantia da União em condições mais favoráveis e amplia a capacidade de investimento em áreas estruturais.
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