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Saiba quais carros podem ser mais afetados se o etanol na gasolina subir para 32%

Mudança ainda não tem nova data para entrar em vigor e especialistas alertam para possíveis impactos em veículos mais antigos, enquanto setor do etanol afirma que testes apontam segurança da nova mistura


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 09/07/2026 - 15:45

etanol na gasolina O Confaz atualizou as alíquotas dos combustíveis para todo o país a partir de 1º de janeiro de 2026 - Divulgação
(Foto: Reprodução)

A proposta do governo federal de aumentar de 30% para 32% a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina continua gerando divergências entre consumidores, especialistas e o setor automotivo. A medida seria analisada nesta quarta-feira (8) pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), mas a reunião foi adiada pelo Ministério de Minas e Energia, que ainda não informou uma nova data para discutir o tema.

Embora o aumento represente apenas dois pontos percentuais, especialistas afirmam que alguns veículos podem sentir os efeitos da mudança, principalmente modelos mais antigos ou importados desenvolvidos para funcionar com uma concentração menor de etanol na gasolina.

Entre os automóveis que exigem maior atenção estão os fabricados há cerca de 20 ou 30 anos, especialmente aqueles equipados com carburador ou sistemas de injeção eletrônica mais simples. Nesses casos, o motor pode não conseguir ajustar automaticamente a mistura entre ar e combustível, aumentando o risco de falhas de funcionamento, perda de potência, dificuldade na partida a frio e elevação do consumo.

Também podem apresentar maior sensibilidade alguns veículos importados movidos exclusivamente a gasolina e que não contam com tecnologia flex. Como foram projetados para combustíveis com menor teor de etanol, esses modelos podem chegar ao limite da capacidade de compensação da central eletrônica do motor.

Os componentes mais expostos à nova composição do combustível incluem tanque, bomba de combustível, boia, mangueiras, linhas de combustível, bicos injetores, vedações, câmara de combustão e pistões. O etanol possui maior capacidade de absorver água e pode favorecer processos de corrosão em peças metálicas ou acelerar o desgaste de componentes que não foram desenvolvidos para esse percentual.

Na prática, oficinas especializadas apontam que borrachas e mangueiras podem ressecar com maior facilidade ao longo do tempo, favorecendo vazamentos. Já bombas de combustível e bicos injetores podem sofrer oxidação ou travamento, elevando os custos de manutenção. O aumento da concentração de etanol também pode acelerar o entupimento do filtro de combustível ao desprender resíduos acumulados no tanque e antecipar a substituição das velas de ignição em motores não calibrados para essa mistura.

Outro possível efeito é o aumento do consumo. Como o etanol possui menor poder energético do que a gasolina, os motores precisam queimar um volume maior de combustível para produzir a mesma quantidade de energia. Apesar disso, especialistas ressaltam que, para a maioria dos motoristas, essa diferença tende a ser pequena no uso diário e varia conforme o modelo do veículo, o estilo de condução e as condições de trânsito.

O tema também divide o setor automotivo. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirma apoiar o uso de biocombustíveis e reconhece a importância do etanol para a redução das emissões de carbono, mas defende que qualquer alteração na mistura obrigatória seja precedida por uma bateria completa de testes técnicos para garantir a compatibilidade da frota em circulação.

Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) sustenta que estudos realizados no âmbito do programa Combustível do Futuro concluíram que a adoção da mistura com 32% de etanol é tecnicamente viável. Segundo a entidade, os ensaios envolveram veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina e não identificaram impactos significativos no desempenho, na dirigibilidade, na partida a frio ou no desgaste dos motores avaliados.

Além da questão técnica, o setor sucroenergético destaca que o aumento da participação do etanol poderá reduzir a necessidade de importação de gasolina, ampliar o uso de um combustível renovável produzido no Brasil e fortalecer a segurança energética do país. Enquanto o governo ainda não define quando o assunto voltará à pauta do CNPE, proprietários de veículos mais antigos devem acompanhar as próximas decisões e manter a manutenção preventiva em dia para minimizar eventuais impactos caso a mudança seja confirmada.

Redação Tribuna do Planalto

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