A Secretaria Municipal de Trânsito (SET) de Goiânia instituiu duas novas Comissões de Análise de Defesa Prévia (CADEPs) para ampliar o volume de processos administrativos analisados. A medida, aprovada sem ressalvas pelo Comitê de Controle de Gastos, terá impacto financeiro de R$ 389 mil em 2026. Neste ano, o custo estimado para os próximos meses é de R$ 190 mil.
Atualmente, cada sessão das CADEPs analisa até 12 processos. Com a nova estrutura, o número passará para 25 processos por reunião. Segundo a justificativa do processo, classificado como restrito, o objetivo é reduzir a fila de recursos apresentados por condutores autuados.
A projeção da Prefeitura é que o gasto mensal com as novas comissões alcance R$ R$ 190,5 mil em 2025, chegando a R$ 406 mil por ano a partir de 2027.
A secretaria é gerida por Tarcísio Abreu que, recentemente, foi criticado por viajar demais e por não conseguir atender internamente a demandas de servidores. As críticas do presidente da Câmara, Romário Policarpo, também miraram a autuação de multas de forma irregular.
A Tribuna do Planalto procurou a Secretaria de Engenharia de Trânsito de Goiânia, mas não obteve resposta aos questionamentos enviados até a publicação desta reportagem.
O Comitê de Controle de Gastos da Prefeitura de Goiânia foi criado para acompanhar as despesas fora do orçamento. Nesta remessa, foram aprovados gastos de mais de R$ 47 milhões em seis secretaria municipais.
Uso político das comissões
Eleito com discurso de austeridade fiscal, o prefeito Sandro Mabel (União) tem utilizado as CADEPs e a Junta Administrativa de Recursos de Infrações (Jari), ambas vinculadas à SET, para nomeações de aliados.
Reportagem do jornal O Popular de maio deste ano mostrou que entre os indicados estão mulheres de vereadores, ex-auxiliares do ex-prefeito Rogério Cruz (SD) e suplentes derrotados nas últimas eleições.
Entre os nomeados estão Laís Franco Silva Guiotti, esposa do vereador Thialu Guiotti (Avante); Thaynara Assis Alves, mulher do vereador Luan Alves (MDB) e nora do deputado Clécio Alves (Republicanos); e Valdery José da Silva Júnior, ex-secretário da gestão anterior. Cada indicado recebe jeton mensal de R$ 5,28 mil.
Outros nomes que compõem as comissões são filhos de políticos, ex-candidatos a vereador e assessores parlamentares, como Rebeca Raíssa, filha da promotora Villis Marra e assessora da Alego; Rafael Vellasco de Castro Curado, filho do ex-deputado Agenor de Castro Curado; e João Paulo Camargo Moraes, ex-presidente do MDB de Abadia.
CCG aprova outros gastos
Além da criação das novas CADEPs, o Comitê de Controle de Gastos (CCG) aprovou sem ressalvas outras contratações da Secretaria Municipal de Trânsito (SET), que somam mais de R$ 14,4 milhões. Outros R$ 15 milhões para publicidade tiveram encaminhamento para diligência antes da aprovação.
Entre os contratos estão termo aditivo de R$ 6,6 milhões com os Correios para continuidade de serviços postais, como envios de multas e comunicados. No início do ano, a SET enviou uma mala-direta a residências da capital com uma espécie de prestação de contas de Sandro Mabel. Na época, não foi divulgado o custo do envio desta correspondência.
A SET também vai formalizar termo aditivo de prorrogação de contrato com o SERPRO, no valor de R$ 7,8 milhões, para manutenção do sistema de gestão de infrações de trânsito (Radar), utilizado na análise e processamento de multas via web e mobile.
Na Saúde, foram autorizadas três adesões e aquisições que totalizam cerca de R$ 27 milhões. Os contratos envolvem a compra de medicamentos injetáveis (R$ 19,2 milhões), insumos médico-hospitalares como máscaras, sondas e fios cirúrgicos (R$ 2,9 milhões), insumos ortopédicos (R$ 1,4 milhão) e a prestação de serviços de controle de pragas (R$ 1,49 milhão), todos para abastecer e atender as unidades da rede municipal de saúde.
Também foi aprovada na Saúde a contratação emergencial de R$ 1,8 milhão para o Sistema Celk, que gerou um apagão na rede de saúde por falta de pagamento, além de R$ 690 mil para empresa de gestão clínica.
Para Secretaria de Fazenda e Guarda Civil Metropolitana, foram aprovados gastos de R$ 1,8 milhão para guarda de arquivo. Já para a Secretaria de Negócios, o CCJ deu aval à locação de banheiros pelo custo de R$ 546 mil.
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