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STF retoma debate sobre código de ética para ministros com expectativa de avanço no segundo semestre

Ministra Cármen Lúcia elabora proposta que deve ser apresentada até setembro; iniciativa busca ampliar transparência e evitar conflitos de interesse na Corte


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 15/06/2026 - 16:51

STF retoma debate sobre código de ética para ministros com expectativa de avanço no segundo semestre
STF retoma debate sobre código de ética para ministros com expectativa de avanço no segundo semestre- Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve retomar nos próximos meses as discussões sobre a criação de um código de ética e conduta para seus ministros. A expectativa nos bastidores da Corte é que o tema avance no segundo semestre deste ano, com a apresentação de uma proposta consolidada pela ministra Cármen Lúcia, relatora do processo .

A iniciativa ganhou relevância após questionamentos públicos sobre a necessidade de regras mais detalhadas para disciplinar a atuação dos ministros. Entre os temas em análise estão a participação em eventos, o relacionamento com entidades privadas, a transparência de agendas e potenciais situações de conflito de interesses .

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, afirmou que acredita na aprovação do código ainda neste ano. Segundo ele, a ministra Cármen Lúcia está elaborando uma minuta que será apresentada aos demais integrantes da Corte para debate .

A proposta deve estabelecer parâmetros para condutas como a divulgação prévia de agendas e audiências com partes interessadas, o comedimento em manifestações públicas sobre temas que possam chegar ao tribunal e a transparência sobre vínculos e interesses .

Um dos pontos que enfrenta resistências internas é a divulgação de palestras e eventos. Há debate sobre a necessidade de publicação prévia dessas participações e se isso poderia representar risco à segurança dos ministros .

Fachin afirmou que as medidas adotadas para o STF também servirão como referência para toda a magistratura brasileira. “Um código de ética tem um componente histórico e cultural. O processo de discussão é tão importante quanto a sua conclusão”, disse o ministro .

O debate sobre transparência ganhou força após episódios envolvendo ministros da Corte. Relatórios jornalísticos revelaram situações como encontros privados não divulgados com executivos do setor financeiro e vínculos familiares com escritórios que prestaram serviços a empresas investigadas .

O ministro Flávio Dino defende que não há problema na participação de magistrados em eventos públicos. “Ouvir pontos de vista diferentes não atrapalha a função de julgar e não implica automaticamente corrupção ou parcialidade”, afirmou. Ele acrescentou que atos de improbidade ocorrem longe dos olhos do público, “em pagamentos ocultos e em reuniões clandestinas” .

Especialistas ouvidos pela imprensa apontam que as regras atuais para magistrados foram pensadas para outras realidades e não contemplam situações complexas do século XXI, como conflitos financeiros indiretos e participações familiares em empresas que litigam perante a Corte .

Movimento social reforça pressão por código

A pressão externa por mais transparência no Judiciário também tem se intensificado. O movimento “Ninguém Acima da Lei”, que reúne mais de 60 entidades, incluindo a Transparência Brasil, coletou 77 mil assinaturas e cerca de 1 milhão de visualizações em sua petição pela adoção de um código de conduta para ministros de tribunais superiores .

Pesquisas recentes indicam que mais de 80% dos brasileiros defendem regras claras de conduta para magistrados .

A expectativa é que a apresentação do texto-base por Cármen Lúcia represente um marco para destravar as discussões. A ministra é uma das principais defensoras de que os magistrados devem manter conduta ilibada e se distanciar de qualquer polêmica, inclusive mantendo distância de setores específicos da sociedade .

A definição final sobre a adoção do código deverá ocorrer ainda durante a gestão de Fachin na presidência do STF, que se estende até o segundo semestre de 2027.

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