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Por que algumas pessoas ficam gripadas após a vacina? Infectologista responde

Especialista alerta que o imunizante é produzido com vírus inativado e não tem capacidade de provocar a doença, além de ser a principal forma de evitar casos graves


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 17/06/2026 - 15:30

Por que algumas pessoas ficam gripadas após a vacina? Infectologista responde
(Imagem: Reprodução)

Mesmo após anos de campanhas de conscientização, muitas pessoas ainda acreditam que a vacina da gripe pode provocar a própria doença. A informação, porém, não é verdadeira. Especialistas reforçam que o imunizante é produzido com vírus inativados e não possui capacidade de causar gripe.

A dúvida voltou a ganhar força com a ampliação da vacinação para toda a população a partir dos seis meses de idade. Diante disso, profissionais da saúde alertam para os riscos da desinformação, que pode contribuir para a baixa adesão à imunização justamente em um período de aumento dos casos de doenças respiratórias.

A médica infectologista Juliana Barreto, afirma que a vacina é segura e representa uma das principais ferramentas para evitar complicações causadas pela influenza. “A vacina contra a gripe não pode causar gripe. Ela é produzida com vírus morto, o que chamamos de vírus inativado. Portanto, não existe possibilidade de a vacina provocar a doença. A vacina contra a gripe é segura, eficaz e salva vidas. Com a liberação para toda a população, este é o momento ideal para atualizar a proteção e evitar complicações que podem ser graves, especialmente entre os grupos mais vulneráveis”, destaca.

Segundo a especialista, a falsa associação entre a vacinação e o surgimento de sintomas respiratórios acontece porque diferentes vírus circulam com intensidade nesta época do ano. “Muitas pessoas tomam a vacina e, dias depois, apresentam sintomas respiratórios causados por outros vírus que também circulam nesta época do ano. Isso gera a falsa impressão de que a vacina causou gripe, quando, na verdade, ela está protegendo justamente contra os casos mais graves de influenza”, explica.

Além do vírus influenza, outras infecções respiratórias comuns, como rinovírus, vírus sincicial respiratório (VSR), parainfluenza e coronavírus, podem provocar sintomas semelhantes aos da gripe.

Em Goiás, o cenário reforça a importância da prevenção. O estado já registrou mais de 4 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) neste ano. Entre os óbitos confirmados, cerca de 10% tiveram relação com alguma cepa de influenza.

Outro aspecto que gera dúvidas entre a população é a necessidade de tomar a vacina todos os anos. De acordo com Juliana Barreto, isso ocorre porque o vírus sofre mutações frequentes e as vacinas são atualizadas anualmente para acompanhar as variantes predominantes. “As cepas do vírus mudam constantemente. Por isso, a vacina aplicada no Hemisfério Norte não é exatamente a mesma utilizada no Hemisfério Sul. Todos os anos ela é atualizada para acompanhar as variantes que estão circulando e garantir maior proteção”, afirma.

Atualmente, o SUS oferece a vacina trivalente, que protege contra três cepas do vírus influenza. Também existem vacinas tetravalentes, que ampliam a cobertura, e versões de alta dose voltadas principalmente para idosos. “Os pacientes acima de 60 anos têm maior risco de desenvolver formas graves da doença. Por isso, algumas vacinas possuem concentração maior de antígenos para ampliar a resposta imunológica nesse grupo”, pontua.

Com a vacinação disponível para toda a população, especialistas reforçam que a imunização continua sendo a medida mais eficaz para reduzir internações, complicações e mortes associadas à gripe.

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