Predominância do sorotipo DENV-3 acende alerta para possível aumento de casos graves; pico semanal foi 46% maior que em 2025.
Goiás registrou 93.548 casos prováveis de dengue entre janeiro e julho de 2026, um aumento de 14,8% em comparação com os 81.487 contabilizados no mesmo período de 2025 . A diferença representa 12.061 registros adicionais. O estado também confirma 75 mortes pela doença.
Os dados constam no Painel de Arboviroses da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). O pico de transmissão ocorreu na semana de 2 a 8 de março, quando foram registrados mais de 7 mil casos. Na mesma semana de 2025, foram contabilizados 4,8 mil, uma diferença de cerca de 46% .
Além do crescimento geral, a mudança do sorotipo predominante amplia o alerta. O DENV-3 responde por 53,2% dos registros nos quais houve identificação do sorotipo . O infectologista Murilo Calabria explica que o sorotipo 3 encontra uma população com baixa imunidade, já que ele permaneceu com circulação reduzida no Brasil por mais de uma década . Isso não significa que o vírus se tornou mais forte, mas que há mais pessoas suscetíveis a ele .
Estudos genômicos identificam no Brasil a circulação da linhagem 3III_B.3.2 do DENV-3, com maior chance estatística de dengue grave quando comparado ao DENV-1. Segundo Calabria, a gravidade resulta da interação entre o sorotipo, histórico imunológico, idade, comorbidades e acesso aos serviços de saúde .
A dengue possui quatro sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Uma pessoa infectada desenvolve proteção duradoura contra o sorotipo que causou a doença, mas fica vulnerável aos outros três. Quem já teve dengue pode contrair novamente a doença, e uma segunda infecção por um sorotipo diferente está associada a maior risco de dengue grave .
Goiânia, Jataí e Aparecida de Goiânia concentram o maior número de óbitos registrados até o momento .
Em caso de sintomas como febre alta, dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dores musculares e manchas vermelhas no corpo, procure a unidade de saúde mais próxima. Não use medicamentos com ácido acetilsalicílico ou anti-inflamatórios (ibuprofeno, diclofenaco) sem orientação médica, devido ao risco de sangramento. O tratamento é baseado em hidratação e repouso. Em Goiás, a população pode denunciar focos do Aedes aegypti à Vigilância Ambiental do município. A vacina Qdenga está disponível no SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
LEIA MAIS:
Flávio admite encontro com Vorcaro após prisão e diz que foi encerrar aporte a filme de Bolsonaro
















