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Agosto e setembro são os meses mais perigosos em Goiás; saiba o motivo

Período mais crítico da estiagem reúne baixa umidade, altas temperaturas e vegetação seca, combinação que facilita o avanço das chamas e exige atenção em áreas urbanas e rurais


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 05/08/2026 - 17:30

Agosto e setembro são os meses mais perigosos em Goiás; saiba o motivo

Agosto chegou e, com ele, começa uma das fases que mais exigem atenção quando o assunto é fogo em Goiás. A combinação de semanas sem chuva, baixa umidade do ar, temperaturas elevadas, ventos e vegetação cada vez mais seca transforma os próximos dois meses em um período especialmente favorável ao surgimento e à rápida propagação de incêndios.

Relatórios do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás apontam que as ações de combate aos incêndios atingem o auge justamente nos meses de agosto e setembro, quando as queimadas, o clima seco e as altas temperaturas se tornam mais intensos.

O Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento, Queimadas e Incêndios Florestais do Estado também classifica o intervalo entre julho e outubro como período crítico. Goiás está integralmente inserido no Cerrado, onde a baixa umidade e o ressecamento da vegetação criam condições para que uma pequena chama avance rapidamente.

O cenário já inspira atenção antes mesmo da chegada ao ponto mais delicado da estiagem. Dados do Corpo de Bombeiros mostram que, entre janeiro e maio de 2026, foram registrados 2.677 atendimentos relacionados a incêndios em Goiás. Desse total, 1.054 foram ocorrências em vegetação, o equivalente a aproximadamente 39%.

Também foram contabilizados 548 registros em residências, 476 envolvendo veículos e outros 240 em edificações diversas. Os números mostram que o risco não fica restrito às matas e propriedades rurais.

Preparo precisa começar antes do fogo

Para Sidney Júnior, especialista em incêndios uma das principais preocupações neste período deve ser justamente evitar que uma ocorrência pequena ganhe proporções maiores antes da chegada das equipes especializadas. “Os primeiros minutos são decisivos. Ter um equipamento de combate inicial ao fogo pode evitar perdas materiais e impedir que as chamas se espalhem até a chegada do Corpo de Bombeiros. O objetivo nunca é substituir o trabalho das equipes especializadas, mas conter o princípio de incêndio enquanto o socorro é acionado”, afirma.

Por isso, a orientação é que moradores, produtores rurais, comerciantes e empresas façam uma avaliação antecipada dos recursos disponíveis para situações de emergência. Equipamentos de primeiro combate precisam estar acessíveis e as pessoas devem saber onde encontrá-los caso seja necessário utilizá-los.

O “Fogo Zero”, unidade extintora em spray, é apresentada pelo fabricante como uma ferramenta voltada ao primeiro combate a princípios de incêndio. O equipamento possui 600 ml, utiliza agente extintor úmido e, segundo a empresa, age por abafamento e resfriamento.

A fabricante informa ainda que o produto pode ser utilizado em diferentes classes de fogo e possui acionamento em 360 graus, permitindo que o jato seja direcionado para a base das chamas.

Sidney explica que a proposta é facilitar justamente a reação nos instantes iniciais de uma ocorrência. “A gente percebeu que muitas pessoas não sabem usar um extintor convencional ou sequer têm um por perto. O formato spray vem justamente para quebrar essa barreira. É intuitivo, leve e pode ser usado por qualquer pessoa, sem treinamento específico”, explica.

Ele ressalta, contudo, que o equipamento não substitui os dispositivos obrigatórios previstos nas normas de segurança. “O nosso objetivo não é substituir os equipamentos tradicionais exigidos por norma, mas complementar. É oferecer uma alternativa prática para o dia a dia, que esteja próxima o suficiente para ser usada no momento em que o problema começa”, destaca Sidney.

Por que agosto e setembro preocupam?

Durante a estiagem, a vegetação perde umidade e se transforma em combustível para as chamas. O vento pode acelerar ainda mais o avanço do fogo e fazer com que uma ocorrência inicialmente pequena alcance rapidamente áreas maiores.

Dados históricos do próprio Corpo de Bombeiros mostram a concentração das ocorrências nessa época. Em levantamento sobre incêndios florestais, julho, agosto e setembro chegaram a representar 59% dos registros anuais.

Outro estudo do CBMGO, que analisou focos de calor em Goiás entre 2000 e 2011, identificou concentração ainda maior entre agosto, setembro e outubro: juntos, os três meses responderam por 80,2% dos focos analisados.

Em 2024, o problema voltou a mostrar sua força. Dados divulgados pelo Governo de Goiás apontaram que, somente entre agosto e parte de setembro daquele ano, já haviam sido registrados mais de 4 mil focos de incêndio no estado.

Pequeno foco pode ganhar grandes proporções

O risco cresce porque, em condições de baixa umidade, vegetação seca e vento, uma chama pode se espalhar em pouco tempo. Queimar lixo, folhas ou restos de vegetação, descartar pontas de cigarro em locais com mato seco e deixar fontes de calor próximas a materiais inflamáveis são comportamentos que aumentam o perigo.

Sidney lembra que, principalmente em locais próximos à vegetação, uma ocorrência aparentemente pequena pode sair rapidamente do controle. “Um pequeno foco de incêndio pode atingir rapidamente a vegetação seca, colocando em risco turistas, moradores, comerciantes e todo o ecossistema da região. O combate imediato faz toda a diferença para impedir que um princípio de incêndio se transforme em uma grande ocorrência”, afirma.

A tentativa de combate, entretanto, deve ficar restrita a princípios de incêndio e somente quando houver condições de segurança. Se as chamas já estiverem se espalhando, houver grande quantidade de fumaça ou qualquer risco à integridade física, a recomendação é deixar o local e acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.

Com agosto apenas começando e setembro ainda pela frente, Goiás entra agora na etapa mais delicada da estiagem. Nesse cenário, prevenção, equipamentos acessíveis e uma resposta segura nos primeiros minutos podem fazer a diferença entre um foco controlado e um incêndio de grandes proporções.

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Redação Tribuna do Planalto

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