Uma bebê de aproximadamente 50 dias foi internada com múltiplas fraturas ósseas em Morrinhos, no sul de Goiás. Exames identificaram lesões nas duas clavículas e em diferentes ossos dos dois braços da criança. O caso é investigado pela Polícia Civil sob suspeita de maus-tratos.
A menina deu entrada no Hospital Municipal de Morrinhos chorando e aparentemente sentindo dores. Segundo a direção da unidade, ela foi levada ao local pelo homem que a registrou como filha. Durante o primeiro atendimento, um profissional percebeu um inchaço na região do ombro e a criança foi submetida a exames.
O raio-X revelou fraturas nas duas clavículas, nos dois úmeros, nos dois rádios e nas duas ulnas. A bebê também apresentava inchaços em outras regiões do corpo.
Diante da idade da menina e da quantidade de lesões encontradas, a equipe médica acionou o Serviço Social. O Conselho Tutelar e a Polícia Militar foram chamados em seguida.
Em entrevista à TV Anhanguera, o major Vinícius de Araújo Camargo relatou a gravidade da situação. “As imagens são chocantes, você vê um corpo minúsculo, apresentando diversas fraturas ósseas”, afirmou.
Mãe chegou a ser presa e foi solta
O homem que levou a menina ao hospital e a mãe da criança foram presos em flagrante sob suspeita de maus-tratos. Posteriormente, a mulher foi solta. O homem permaneceu preso.
De acordo com o delegado Fabiano Jacomelis, responsável pela investigação, o homem detido foi quem registrou a bebê após o nascimento. O delegado informou ainda que o pai biológico da criança ainda não havia sido ouvido. Os nomes dos investigados não foram divulgados. A identidade da bebê também foi preservada.
Polícia apura contradições nos relatos
As versões apresentadas sobre quem estava responsável pela menina antes da internação também são investigadas.
Segundo o delegado, o homem disse inicialmente à equipe do hospital que a criança chorava muito e havia ficado sob os cuidados de outras crianças. Após o acionamento da polícia, ele teria relatado que viajou com a companheira para Mato Grosso e que os dois permaneceram fora por aproximadamente 13 dias. Durante esse período, a bebê teria sido deixada com uma terceira pessoa.
A mãe, por sua vez, afirmou que a viagem durou apenas dois dias. Ainda conforme a investigação, o casal forneceu somente o nome da pessoa que supostamente teria ficado responsável pela bebê, sem indicar informações que permitissem sua localização.
A Polícia Civil deve realizar diligências para identificar e encontrar essa pessoa e esclarecer as circunstâncias em que a criança sofreu as fraturas.
Transferência para Goiânia
Devido à gravidade do quadro, a bebê foi transferida de Morrinhos para o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia, no mesmo dia em que recebeu o primeiro atendimento.
Segundo a direção do hospital municipal, algumas das fraturas necessitavam de atendimento cirúrgico, indisponível na unidade de Morrinhos. O estado de saúde atualizado da criança não foi informado.
As investigações continuam para determinar como as lesões foram provocadas e apontar eventuais responsabilidades.
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