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Goiás inicia soltura de mosquitos que não transmitem dengue em nova ação de combate ao Aedes aegypti

Primeira etapa acontece em Valparaíso, Luziânia e Brasília; tecnologia impede a transmissão da dengue, zika e chikungunya


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 08/09/2025 - 09:55

Mosquito Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia não transmite os vírus da dengue, zika e chikungunya. Foto: Divulgação

O Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), iniciou a participação no lançamento da soltura de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, uma estratégia inovadora para o combate à dengue, zika e chikungunya. A primeira etapa contempla os municípios goianos de Valparaíso e Luziânia, além de Brasília (DF), com apoio técnico das prefeituras e da SES-GO.

O método Wolbachia não elimina o mosquito Aedes aegypti, mas o torna incapaz de transmitir os vírus. A bactéria é natural, já presente em cerca de 60% dos insetos do planeta, e se perpetua de forma hereditária: ao infectar o mosquito, ele transmite a Wolbachia para seus descendentes, substituindo gradualmente a população local por mosquitos que não transmitem doenças.

Como Goiás participa do projeto

A SES-GO realizou capacitações de equipes municipais para aplicação da metodologia, incluindo a utilização da Ovitrampa, sistema de monitoramento e coleta de ovos do mosquito. Também organizou treinamentos de engajamento comunitário, além da doação de dois veículos (um para cada município), que serão usados na logística das solturas e no deslocamento entre Brasília e as cidades goianas.

No mês de agosto, foram feitas simulações de soltura em parceria com as equipes locais, testando rotas e ajustando detalhes para o início efetivo da operação.

A estratégia tem apoio da Wolbito do Brasil, que mantém em Brasília a maior biofábrica de mosquitos com Wolbachia do mundo. A produção semanal chega a 4,3 milhões de mosquitos para a capital federal e mais 2,2 milhões para Valparaíso e Luziânia.

Recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o método é conduzido no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde, e já apresentou resultados expressivos em cidades como Niterói (RJ), onde os casos de dengue caíram em até 70% após a implantação.

Impacto esperado em Goiás

Segundo o secretário de Estado da Saúde, Rasível Santos, a adoção da Wolbachia é um reforço essencial no combate às arboviroses.

“Em 2024, tivemos a pior epidemia de dengue da história de Goiás, com mais de 323 mil casos confirmados e 451 mortes. A estratégia da Wolbachia deverá trazer efeitos a médio e longo prazo. É uma medida que se soma às ações já implementadas pelo Estado para reduzir a transmissão da dengue, zika e chikungunya”, afirmou.

Os primeiros impactos devem ser sentidos em até dois anos.

Situação da dengue em Goiás

Em 2025, Goiás já registrou 134.338 casos notificados de dengue, sendo 80.759 confirmados, com 72 mortes confirmadas e 61 em investigação. Apesar da queda de 67% no número de casos em comparação com o mesmo período de 2024, a SES-GO mantém o alerta.

A subsecretária de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, reforça que a nova tecnologia não substitui as medidas tradicionais.

“O objetivo é substituir os mosquitos atuais por aqueles infectados com Wolbachia, que não transmitem a doença. Mas é fundamental manter as estratégias já conhecidas, como eliminação de criadouros, bloqueio de casos, uso de telas, roupas adequadas e repelentes. Só assim conseguiremos resultados duradouros”, destacou.

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