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“Afasto em abril para ficar em condição de disputar um mandato”

A secretária de Educação, Fátima Gavioli, ainda não definiu por qual partido pode se candidatar. "O governador é que tem que ver onde essa candidatura melhor atende às composições que eles irão fazer para o ano que vem"


Dhayane Marques Por Dhayane Marques em 03/01/2026 - 14:14

Secretária da Educação, Fátima Gavioli
Secretária da Educação, Fátima Gavioli
Em entrevista, a secretária estadual de Educação, Fátima Gavioli, faz um balanço dos desafios enfrentados pela rede pública em Goiás e destaca os investimentos previstos para a educação em tempo integral a partir de 2026. Ao abordar a resistência cultural de parte das famílias ao modelo integral, a gestora explica as estratégias adotadas para ampliar a permanência dos estudantes nas escolas, como o aumento do Bolsa Estudante, a criação de turmas integrais dentro de escolas regulares e o fortalecimento da iniciação científica. Durante a conversa, Fátima também chama atenção para problemas sociais que impactam diretamente o ambiente escolar, como o uso excessivo de celulares, o avanço dos jogos e das apostas on-line entre alunos e servidores, além das dificuldades impostas por crises recentes, como pandemia, desastres ambientais e violência. Para ela, enfrentar esses desafios exige políticas públicas integradas, incluindo a taxação das apostas para financiar áreas essenciais como educação, saúde e segurança.

Qual o balanço a senhora faz de sua gestão à frente da Secretaria de Educação? 

Estou aqui há sete anos. Acredito que o primeiro ano foi para colocar a casa em ordem, pagar as contas e organizar financeiramente. O segundo ano foi dedicado ao atendimento às famílias e às crianças durante a pandemia, em 2020. Foi um ano em que tivemos que utilizar tecnologias e nos reinventar em relação às aulas on-line. Surgiu também, com muita força, o que hoje é o Centro de Mídias, o nosso GoiásTEC. Em junho de 2020, já entendemos que ficaríamos muito tempo nessa situação. A princípio, pensava-se que em 30 dias voltaríamos ao normal, mas quando a curva de contaminação chegou ao pico, percebemos que não abriríamos as escolas em 2020. A partir de junho de 2020, começamos a aproveitar que as escolas estavam fechadas para trocar telhados, fazer poços artesianos, melhorar a estrutura física. É muito difícil fazer isso com os alunos. Naquele momento, também não foi fácil porque o material de construção ficou três vezes mais caro. Os preços subiram demais na pandemia. Tínhamos dificuldade com a tabela de valores, com pessoas para trabalhar usando máscara, mas foi possível manter as aulas on-line em 2020. 

As aulas on-line foram adequadas?

Não, foram suficientes para o momento, mas adequadas não. É impossível pensar que se consegue ensinar uma criança 100% em casa. Falta tudo: a convivência social, aquela coisa de perguntar para o colega se já fez o exercício, se precisa de ajuda; e o professor é insubstituível. 2020 foi isso: primeiro semestre de pandemia e, no segundo semestre, o início da execução de obras, principalmente troca de telhado. Em 2021, ainda na pandemia, começamos a lidar com a necessidade de aquisição de tecnologia, internet para o professor, internet na escola, equipamentos tecnológicos. Vieram as aquisições de tecnologia e a continuidade da reforma das escolas. Toda a estrutura legal que precisávamos para essas atividades foi muito amparada pelo Conselho Estadual de Educação. Nosso Conselho foi inovador, saiu na frente no Brasil inteiro criando resoluções para validar as aulas on-line. Em 2022, nos preparamos para a retomada. O início de 2022 foi muito difícil. Muita gente não queria voltar: uns por medo, outros porque queriam deixar do jeito que estava por mais um ano. Mas nós voltamos. Fomos inclusive matéria nacional no dia do retorno, porque eles chegaram na escola e entenderam que ela estava muito diferente. Tínhamos reformado, mexido, e as escolas tinham água para lavar as mãos, álcool em gel. Estávamos amparados tecnologicamente para essa retomada. Em meados de 2022, começamos a perceber não só em Goiás, mas no Brasil, uma onda de violência fora do normal dentro das escolas em Santa Catarina, em São Paulo, e aqui em Goiás não foi diferente. Em 2022 e 2023 tivemos, em média, uns oito atentados, 100 vítimas, não fatais, graças a Deus. Atentados de perfuração, brigas, socos, coisas que não são normais. Simplesmente porque eles estavam retornando de casa, ficaram muito tempo enclausurados, muitos perderam familiares. A revolta tomou conta deles ao voltarem. Passamos 2022 e 2023 assim e durou até o dia que o governador deu uma entrevista e disse: “A partir de hoje, quem estiver levando arma para a escola, quem for pego – e já tínhamos colocado detector de metais – quem estiver armado dentro da escola quem vai responder são os pais”. Daquele momento em diante, percebemos que começou a cair a violência. Hoje, graças a Deus, a situação não está controlada, mas está contornada. Controlada não, porque é muito difícil prever a mente humana, mas está contornada. Os pais entenderam que era uma responsabilidade deles. Se o filho está com a mochila cheia de armas brancas ou de fogo, eles são chamados. Eles acordaram para essa operação: “É meu também? Eu tenho que cuidar dele, porque eu o entreguei para a escola”. 

Quando conseguiram resolver o problema da defasagem no aprendizado que ocorreu na pandemia?

A partir de 2023, conseguimos focar um pouco mais na recomposição da aprendizagem que eles tinham perdido na pandemia. Começamos a fazer recomposição. Criamos um material estruturado na Seduc chamado “Revisa Goiás”. Esse material é voltado para todos os professores e dá as diretrizes de como temos que trabalhar, como conduzir o processo para que as crianças não fiquem prejudicadas. Em 2024, a rede já estava voando, fazendo recomposição, se destacando no Brasil novamente como a melhor rede de educação. E aí surgiu a necessidade de um trabalho socioemocional para os estudantes. Entramos com psicólogos e assistentes sociais, atuando com atendimento e prevenção a partir de 2024.

E em 2025, esse atendimento socioemocional chegou aos professores e servidores. Primeiro trouxemos para os nossos alunos, e agora, em 2025, já temos o atendimento psicoterapêutico e social para professores e servidores. 

 

Como é esse atendimento? 

 É on-line. A pessoa se cadastra, escolhe o dia e horário, e tem direito a dez consultas por ano. 

 

Já é possível mensurar os resultados? Porque imagino que seja uma intervenção muito necessária, tanto para crianças e adolescentes, que são muito vulneráveis, quanto para os professores.  

Eu falo sem medo de errar: as pessoas já esqueceram da pandemia. Quem não esquece somos nós, sabe por quê? Sabe qual é a última turma que vamos atender e que passou por isso? Até 2030 estaremos atendendo alunos da pandemia. Quando chegar em 2030, vamos poder olhar para trás e falar: agora acabou. Daqui para frente são alunos que não estiveram na pandemia. 

Mas já é possível mensurar o resultado desse atendimento? 

O trabalho preventivo, as campanhas, a atuação que eles fazem hoje nas escolas, é possível ver isso depois de dois anos através dos gráficos da contenção da violência. É possível ver na questão do suicídio infantojuvenil, também tivemos uma queda. A própria escola passou a não ter tantos registros no sistema de casos de violência. A gente atribui também a esse trabalho. Para os professores começou este ano. Temos 86 atendimentos até semana passada, segundo a coordenadora. O que vamos entender se está valendo a pena é quando virmos diminuir o número de laudos de CID F, porque o CID F é o campeão, que é o psicoemocional. Quando  começar a cair, vamos entender que tem a ver com o programa. 

 A evasão escolar após a pandemia evidenciou muitas lacunas na educação, principalmente de famílias vulneráveis que não tinham acesso à educação por meio de tecnologias, pessoas que tiveram que largar a escola para trabalhar. Como a secretaria tem trabalhado para resgatar esses alunos?

Acho que Goiás foi muito feliz quando o governador, em 2022, me chamou e disse: “Como vamos conter a evasão depois da pandemia?” A gente ainda precisava trabalhar a recomposição, o acolhimento, muitas pessoas perderam familiares. Aí ele pensou no Bolsa Estudante, que é um recurso financeiro que o aluno recebe vinculado à frequência e à nota, mas muito mais à frequência. A medida praticamente zerou a evasão. Uma política muito eficiente, mesmo. Tanto é que hoje o Brasil tem o Pé-de-Meia. Quando foi implantado o Pé-de-Meia no Brasil, a equipe ficou aqui 15 dias. É política? É. Mas é muito eficiente como política pública. O pagamento está ensinando nossos meninos a mexer com dinheiro. O brasileiro não sabe mexer com dinheiro, mas o aluno do Ensino Médio e do nono ano estão aprendendo. Temos, por exemplo, alunos que no dia do aniversário de casamento dos pais vão à padaria com seu cartãozinho e compram um bolinho para fazer os parabéns, e mandam foto para nós. Temos um menino em Águas Lindas que juntou dinheiro por dois anos e comprou um cavalo. Mandou uma foto de chapéu no cavalo para nós, mandou para o “tio Caiado”. Outra coisa que parece que não, mas combateu muita evasão escolar, foi a alimentação escolar. A merenda escolar, que hoje conta muito com o fundo Protege, administrado pela Gracinha Caiado, destina verbas para a merenda escolar. E essa merenda escolar foi praticamente reajustada em cinco vezes seu valor inicial de 2018/2019 para o tempo integral, e na escola regular, três vezes. O Governo Federal repassa R$0,50 por merenda. Como dar arroz, feijão, carne, macarrão, um suco, uma fruta com R$0,50 ? E tem estados que ficam só com a parte do Governo Federal. Então, eles servem biscoito, chá, suco. Em Goiás não são só os R$0,50 centavos do Governo Federal. O governo estadual dá uma contrapartida: no tempo regular, na faixa de R$ 4,00, e no tempo integral, quase R$ 8,00. Essa alimentação escolar também segurou muito menino na escola.

Se vocês visitarem uma escola hoje no horário do intervalo, vão ficar impressionados com a quantidade e a qualidade da comida que é servida. 

Quais foram as principais mudanças implementadas na gestão pedagógica e na administração da rede estadual? 

Pedagogicamente, sem dúvida nenhuma, foi a volta da formação. Goiás não tinha mais formação de professores, de gestores, de tutores. Não trabalhava mais com formação. O Centro de Educação de Professores e Servidores foi reativado em 2020, mesmo na pandemia. O número de formações que temos hoje durante o ano é tremendo. Temos formação, por exemplo, de Português e Matemática lá na base, no final da linha. Não precisa um professor de Português e Matemática vir para Goiânia para ter formação. Quem dá formação em Quirinópolis ou em Posse é o professor de Português e Matemática que está lá.  Em segundo lugar, a produção de um material estruturado, produzido pelos próprios professores. Eu não compro o livro para mandar para o professor. O livro é feito aqui. E em terceiro, mas também um dos mais importantes, foi a criação do Alfa Mais, um regime de colaboração entre estado e município, no qual juntos firmamos um pacto de que nenhuma criança deixe de ser alfabetizada na idade certa. Ele deu muito certo. Hoje já somos o segundo lugar no Brasil em alfabetização de crianças, e éramos o 15º. A implantação da Educação Profissional: são quase 30 mil estudantes matriculados na Educação Profissional e Tecnológica. O aluno sai com dois diplomas: o do ensino médio e o profissionalizante. Ele sai do ensino médio com condição para o mercado de trabalho. E não estou falando de curso teórico, falo de cursos de tecnologia de última geração. Pedagogicamente, nós avançamos. O investimento do governador na educação é de mais de R$10 bilhões, mas se olhar também para o dia a dia, passar um dia com a nossa equipe, vai ver que existe um empenho, um envolvimento, uma dedicação exclusiva. Eu atendo aos sábados. Se eu não bater essa agenda de segunda a sexta, eu abro no sábado e atendo.

O que eu não posso é deixar uma pessoa tentando falar comigo por seis meses. Ela tem que falar comigo, porque a única forma de entender essa rede é escutar meus professores, meus gestores. 

 

Em 2023, Goiás foi destaque nacional com o IDEB. Qual a expectativa para o próximo? 

Temos trabalhado muito. Trabalhamos com cursinhos preparatórios, trabalhamos com o BI (Business Intelligence), com o Ser Goiás, que é uma plataforma que faz recuperação de aprendizagem. Eu te digo a verdade: estamos muito envolvidos no pedagógico. Hoje, o estado de Goiás praticamente é convidado para tudo que tem no país como referência. O legal de tudo isso é que, em 2018, quando fui convidada, e em 2019, quando assumi, éramos primeiro lugar no ensino médio. Pior do que ter que crescer é ter que manter quando se está em primeiro. Se você for o último estado do Brasil e fizer um movimento e vir para o décimo, tá tudo certo. Eu quero ver você estar em primeiro e ainda jogar essa bola para ser campeão no ano que vem. E o que Goiás está fazendo? Ano após ano, o estado vem se garantindo como o primeiro e crescendo. De 3.9, hoje somos 4.8. E em 2026, quando sair o   IDEB de 2024, Goiás tem todas as possibilidades de passar de 5. Nós vamos ser 5 ou 5.1, mas vamos passar essa barreira dos 50% da aprendizagem. E não se diz que isso é fruto de nada. É investimento do governador na educação. Ele priorizou a educação verdadeiramente. E, em segundo lugar, a autonomia que ele deu para  trabalharmos aqui. Ele despartidarizou a Secretaria de Educação do ponto de vista da política de indicação. Em terceiro lugar, foi um trabalho hercúleo, mesmo, de todos. Você não encontra hoje um servidor da Secretaria de Educação que não esteja envolvido dentro do processo educacional. Agora, tem lá 10%, 5% que acham que não tá bom. Está tudo certo. Vai sempre existir. Nem Jesus agradou todo mundo, nós também não vamos. Agora, a grande maioria reconhece os avanços. 

Quais metas a senhora vai estabelecer para o próximo ano? 

Sinceramente, vamos continuar focando na proficiência, o quanto o aluno aprendeu. Mas temos uma meta que tenho trabalhado há dois anos na rede. Espero de verdade que o próximo secretário dê sequência a isso, mas se a equipe for mantida, terá, que é a equidade. Essa rede precisa de equidade: racial e de gênero. Saber, equidade, respeito. Quando eu olhei o Censo de 2019, praticamente não tinha alunos pretos e pardos. A rede era branca, se autodeclarava branca. Eu olhei aquilo: Goiás não é branco. Minas é branco? Não, não é. Se você olhar para o meu estado, Rondônia, é branco? Não é. Mas você olha no Censo, é branco. O que faz uma pessoa se autodeclarar branca? Não sente confiança, tem medo do preconceito, ainda não está preparada internamente para ter orgulho da sua raça, da sua cor. Nós nos debruçamos sobre isso. Acho que falei tanto sobre equidade, chamei os diretores, coordenadores pedagógicos para a importância de que todos dentro da escola precisam ser ensinados, independente da sua cor, classe social, gênero. Todos precisam ser ensinados e todos têm o direito de aprender. Mas eu falei tanto sobre isso, que eu tenho uma neta de 8 anos –  a gente só percebe quando está fazendo uma coisa assim quando em casa tem um reflexo – no banco traseiro, disse assim para mim voltando da escola: “Vovó, hoje lá na escola eles perguntaram a minha cor”. Ela é parda e indígena. Ela não é branca, é morena. A mãe dela é preta. Eu perguntei com um pouco de medo, mas perguntei assim: “E o que você respondeu, Laurinha?” Ela falou assim: “Respondi: eu sou parda indígena”.  A cena me emociona. Porque é muito bom, é muito gratificante. Eu quero que ela tenha orgulho disso. Eu preciso que ela seja forte para enfrentar tudo que tem que enfrentar sendo parda e indígena. E ela já aprendeu a falar que a avó dela é índia. Meu Deus, que coisa importante é isso! Se você perguntasse para mim qual é o maior projeto, eu poderia falar continuar construindo escola, reformando escola, investindo em tecnologia, continuar crescendo na proficiência, mas eu espero de verdade que o foco da equidade, para que os nossos alunos adolescentes que têm uma orientação sexual que não é a convencional, nem vou dizer que é da maioria, convencional que é homem/mulher. Até quando esses meninos vão cometer suicídio com medo da rejeição da família, da mãe?

A escola não tem que incentivar nada, mas a escola precisa acolher. Eu penso que vai dar certo.

E nós temos um parceiro nesse debate, que é o Instituto Unibanco, ele está aqui dentro com todas as forças, nos ajudando no debate e na discussão sobre equidade, e principalmente equidade racial. Sou capaz de dizer que o nosso Censo já está 70% certo. As crianças começaram a se autodeclarar na cor, no gênero que elas querem. A questão, por exemplo, da certidão de nascimento, quando o gênero vem com essa força. Você é Maria Alice, mas você se sente Pedro, e faz essa alteração. Mas a escola se recusava a chamar essa pessoa pelo nome social dela. Aqui, fizemos esse trabalho e isso foi resolvido. Acho que a escola é isso mesmo. Escola é escola. 

Com relação aos investimentos na educação em tempo integral em 2026, existe já um planejamento? 

Sim. Goiás tem bastante resistência à educação integral. As famílias de Goiás têm muita resistência. Existe um pensamento de que, quando ele chega no ensino médio, já tem que trabalhar para ajudar em casa. O Bolsa Estudante foi para R$ 150,00 na educação integral. Isso é uma forma de estimular essa matrícula no tempo integral. Mas são os próprios pais que ligam pedindo para tirar o filho do integral para colocar para trabalhar. Quando eles tiram o filho de uma boa escola, como é a escola de tempo integral – e não estou dizendo que a regular não é, mas a integral tem pesquisa científica que comprova que lá dentro você tem mais tempo, você trabalha um projeto de vida, você tem mais dedicação aos estudos – só porque quer que ela trabalhe, ela vai trabalhar 4 horas por dia, vai ganhar R$ 400,00. Quando terminar o ensino médio, vai continuar no subemprego. Vai ser sempre alguém com muita dificuldade de ter uma valorização salarial.  Tem estados que já conseguiram universalizar, mas aqui temos muita dificuldade, mas estamos investindo na educação de tempo integral, estamos investindo na iniciação científica dentro do tempo integral, estamos pagando uma bolsa melhor para ele permanecer no tempo integral. Estamos criando turmas de educação integral dentro da escola. A escola é regular, mas lá dentro tenho uma turma A de primeiro ano do ensino médio que é regular, fica 6 horas na escola, e a turma B é integral. Não estou conseguindo transformar escolas em tempo integral, mas estou transformando turmas. Porque o pai que quer integral põe na turma B, e o pai que quer regular põe na turma A. É uma saída. Sem falar da alimentação: quando ele vai para a escola integral, ele tem três alimentações por dia: café, almoço e depois um lanche antes de ir para casa. Para eles é muito melhor ter o filho na escola de tempo integral. Mas às vezes, o próprio jovem pede para sair também, porque dentro da escola não tem mais uso de celular. Tem um ou dois alunos entre 100 que consegue burlar e passar com o celular, mas no geral, na escola, é uma tranquilidade, é brincadeira, é conversa, rodas de conversa. Ele quer ir para casa porque quer ficar no celular, jogando. E os jogos chegaram na educação, os jogos e o malefício dos jogos. Nós passamos pelas dívidas, pela pandemia, pela violência. Depois, passamos pela fumaça e todo mundo pedia para não ir, passamos por enchentes. Esses dias, em Rio Verde, 14 escolas foram destruídas e estamos reerguendo agora nas férias. E agora estamos vivendo com os jogos. Os jogos, as bets. Os alunos jogando nas bets e, infelizmente, meus professores também, uma parte dos meus professores está muito endividada nesses jogos. Nós somos 42 mil funcionários e meio milhão de alunos.

Como que o reflexo social do que está acontecendo lá fora não estoura aqui dentro? A coisa que mais dói no meu coração é quando alguém chega para mim e diz: “Acabamos de descobrir que o dinheiro todo da escola ‘A’ foi desviado para jogar.”

O financeiro da escola que estava totalmente viciado, quando acabou o dinheiro dele, ele usou o dinheiro da secretaria da escola. Os jogos entraram, sim, na educação. E a gente precisa ter uma resposta para isso agora, em 2026. Uma resposta muito séria, principalmente em relação à cobrança de impostos: ou vai taxar esses jogos com impostos e reverter isso para a saúde, segurança e educação, ou então eu não sei o que vai acontecer. 

A senhora tem intenção de disputar um mandato? 

 

Eu me afasto em abril para ficar em condição de disputar um mandato e ajudar o governador nessa batalha dele de candidatura à Presidência. A partir de abril, vem um sucessor e eu vejo que o Daniel Vilela, vice-governador, tem muita vontade de acertar. Tenho pouca preocupação com o futuro da educação, porque Daniel é muito apaixonado, muito alinhado com a educação. Acho que ele vai escolher com todo cuidado essa pessoa que vai conduzir a secretaria. Eu recebi um convite do Daniel e do governador para sair candidata a deputada federal. E confesso que não sou muito de ter medo de desafios. Eu preencho vários requisitos para não vencer uma eleição. Não sou uma pessoa que nasceu em Goiás, não pertenço a famílias ricas, não tenho um sobrenome famoso, não tenho um esposo famoso, não tenho uma ligação forte com determinado campo dentro do estado goiano. Eu tenho a educação. Aí você vai dizer: Mas a educação não é unida, secretária? A educação não é. Na hora do voto, eles votam em pessoas das mais distintas representatividades. Mas eu não posso me pautar nisso. Eu preciso imaginar que existe um amadurecimento da população, eles percebem que, cada vez mais, o Congresso precisa ter pessoas imbuídas de coragem, boa vontade, decência, respeito, principalmente ética e responsabilidade com o seu povo. Se eu chegar a ter esse mandato, se isso se concretizar, tenho certeza que daqui a algum tempo vocês vão estar me entrevistando e eu tenho chance de ser uma pessoa que vai fazer um grande trabalho no estado de Goiás. Agora, para chegar lá, depende de voto. E para você ter voto, tem que pôr a cara na chuva. Talvez eu realmente vá fazer isso. Não tenho essa certeza ainda, porque no fundo quem vai resolver isso é o governador e o vice-governador. Mas hoje, essa possibilidade está muito forte já dentro do meu coração. 

 Quais credenciais que a senhora vai apresentar numa eventual campanha?

Penso que o político tem que ter presença. E o que é essa presença? É estar perto. Eu falei que a chance de acertar aqui é grande porque estou muito perto da rede. Escuto muito a rede. Essa escuta faz muita falta no mundo político, estar presente, ir na associação, ir na escola, falar com os professores. Como deputado, ouvir a indústria, ouvir o agro. Essa presença, quem me conhece, quem me acompanhou esses sete anos, sabe que vai acontecer. O segundo passo é conhecimento e honestidade. Você precisa ter conhecimento do que está pleiteando e honestidade para conduzir isso. Isso tudo somado à vontade de trabalhar. Me considero uma mulher muito trabalhadora, sou muito dedicada; essa dedicação ao mandato me daria grandes possibilidades no estado de Goiás de crescimento. O eleitor hoje vota, passa um ano, esquece até em quem votou. A pessoa some, às vezes ele vê nas redes sociais, e às vezes ele vê de novo na campanha de reeleição ou de eleição, se a pessoa perdeu. Não consigo imaginar uma coisa dessas. Eu seria uma deputada muito presente na vida do povo goiano. 

A senhora já definiu o partido ao qual vai se filiar? 

 Não. Isso é com o governador. Ele é que tem que ver onde essa candidatura melhor atende às composições que eles irão fazer para o ano que vem.  (Colaborou Carla Borges)

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Dhayane Marques

Dhayane Marques é jornalista formada pela PUC-GO. Atualmente é Diretora de Programas da TV Pai Eterno e repórter no jornal Tribuna do Planalto e Tribuna de Anápolis, nas editorias de cidades, educação, economia, agro, diversão e arte.

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