Skip to content

América Latina é excluída de acordos para genéricos do HIV pela terceira vez; SUS segura avanços no Brasil

Presidente da IAS alerta para exclusão da América Latina de acordos de genéricos e cortes no PEPFAR; SUS protege Brasil, mas meta de eliminar aids até 2030 se distancia


Fábio Prado Por Fábio Prado em 28/07/2026 - 17:48

América Latina é excluída de acordos para genéricos do HIV pela terceira vez; SUS segura avanços no Brasil
América Latina é excluída de acordos para genéricos do HIV pela terceira vez; SUS segura avanços no Brasil - Foto: Internet

A resposta global ao HIV enfrenta um forte impasse: enquanto a ciência avança com tecnologias de prevenção de ação prolongada, preços abusivos e cortes de verbas internacionais limitam o acesso a esses tratamentos.

A médica Beatriz Grinsztejn, presidente da International Aids Society (IAS), alerta que a América Latina vive essa contradição de perto ao ser excluída, pela terceira vez consecutiva, de um acordo internacional para a produção de genéricos, mesmo tendo participado ativamente dos ensaios clínicos dessas novas drogas .

A exclusão da região de licenças para medicamentos como o Alimatravir, o cabotegravir e o lenacapavir reflete entraves econômicos estruturais. Embora os voluntários dos testes tenham acesso assegurado às medicações, a indústria farmacêutica mantém preços inviáveis para incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS) . A Anvisa aprovou o uso do lenacapavir como PrEP semestral em janeiro de 2026, mas a disponibilização no SUS depende da avaliação da Conitec e da fixação de preço pela Cmed .

Além das barreiras comerciais, a resposta mundial à doença sofre com cortes de financiamento impostos por grandes programas internacionais. Dados divulgados durante a AIDS 2026 mostram que o PEPFAR perdeu ao menos uma subvenção em mais da metade das 166 organizações financiadas em 46 países, resultando no fechamento de 1.714 centros e serviços . Aproximadamente 77 mil crianças deixaram de receber tratamento em 2025 , e os programas de testagem para HIV caíram 22% entre 2024 e 2025 .

A Unaids alerta que os cortes de financiamento, combinados com a redução do espaço cívico e a criminalização de populações marginalizadas, criam a maior tempestade que a resposta ao HIV já enfrentou . A ajuda global ao desenvolvimento caiu 23% em 2025, e a adesão à PrEP caiu 38% em 62 países .

A meta de erradicar a Aids até 2030 torna-se cada vez mais distante. Apesar do cenário adverso, a presidente da IAS destaca a importância do SUS, apontando que o sistema público protege a população brasileira dos impactos mais severos do desfinanciamento internacional. O Brasil já é o primeiro país continental certificado pela OPAS pela eliminação da transmissão vertical do HIV . A Fiocruz avalia transferência de tecnologia para produzir lenacapavir no país .

O SUS oferece gratuitamente tratamento antirretroviral, PrEP oral e PEP para HIV em todos os estados. Pessoas com HIV devem manter acompanhamento regular em serviços de saúde especializados. Caso haja dificuldade de acesso a medicamentos ou tratamento, a Defensoria Pública e o Ministério Público podem ser acionados para garantir o direito à saúde.

LEIA MAIS: 

Flávio admite encontro com Vorcaro após prisão e diz que foi encerrar aporte a filme de Bolsonaro

Israel é eleito o país mais impopular do mundo; imagem é manchada por guerra e mortes de civis e jornalistas

Pesquisa