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Autor da CEI da Limpa Gyn é rifado da composição e base de Mabel deve garantir maioria

Base garante maioria e busca controlar presidência e relatoria da CEI da Limpa Gyn


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 02/09/2025 - 11:37

Cabo Senna, presidente da Comissão Mista, fala à TV Câmara antes da prestação de contas de Sandro Mabel: “Não há calamidade”.
Cabo Senna, que era tido como candidato à presidência da comissão, ficará como suplente após articulação da base do prefeito Sandro Mabel (Foto: Divulgação)

O vereador Cabo Senna (PRD), autor do requerimento que propôs a criação da Comissão Especial de Investigação (CEI) para apurar os contratos da Limpa Gyn, ficou de fora da composição principal e será apenas suplente. Nos bastidores da Câmara Municipal, o movimento é atribuído a uma articulação direta do Paço Municipal para reduzir a influência do parlamentar, que vinha subindo o tom contra o prefeito Sandro Mabel (UB).

“Mabel querendo ou não, a CEI vai acontecer”, disse Senna em entrevista à Tribuna do Planalto no fim de julho, quando a comissão foi aprovada.

Houve ampla ofensiva do Paço para inviabilizar a CEI, com articulação firme do prefeito que mudou de estratégia muitas vezes. Mais recentemente, tentou garantir a maioria das cadeiras, movimento que formou três blocos governistas.

Agora, a ideia é fomentar rachas entre os membros de blocos divergentes com o objetivo de garantir a presidência e relatoria da CEI.

Até o momento, os nomes de titulares apontados nas composições são de Aava Santiago (PSDB) – Bloco Brilha Goiânia; Juarez Lopes (PDT) – Bloco Goiânia; Pedro Azulão Jr (MDB) – Bloco Vanguarda; Ronilson Reis (PMB) – Bloco Governança; Welton Lemos (Solidariedade) – Bloco Goiânia Limpa, Willian Veloso, indicado pelo PL e Thialu Guiotti (Avante) pelo Bloco Parlamento Forte.

Do protagonismo à suplência

Até a semana passada, Cabo Senna era apontado como o nome natural para presidir a CEI. Porém, com a formação de blocos parlamentares e uma ofensiva da base governista, perdeu espaço na articulação.

O bloco Vanguarda, liderado pelo ex-líder de Mabel, vereador Igor Franco (MDB), deverá indicar Pedro Azulão Jr. (MDB) para a comissão, reduzindo o peso político dos grupos independentes e garantindo ao Paço ao menos quatro das sete cadeiras.

Nos bastidores, a avaliação é que a gestão municipal não aceitava ver na presidência da CEI um parlamentar que vinha questionando o contrato da Limpa Gyn, especialmente após o aditivo de R$ 9 milhões assinado por Mabel, um dos principais alvos da investigação.

Discursos de defesa

Pedro Azulão Jr., que antes falava em independência e cobrava respostas da Prefeitura com ataques a secretários em assuntos relacionados à comissão que preside, de Habitação e Urbanismo, mudou o tom na sessão desta terça-feira (2), quando ele defendeu a gestão municipal e disse que seu mandato “não está à venda” e que continuará ajudando a administração.

“Vou continuar dentro de um grupo que tem compromisso e ajudar a Goiânia”, afirmou Azulão, em contraste com as críticas recentes ao Executivo.

Juarez Lopes (PDT) indicado por outro bloco governista, atacou a CEI e disse que o objetivo é político. Enquanto discursava, ele reagiu a críticas de plenário. “Eu tô vendo ali o Cabo Senna gritando…” Chamado à reflexão pelo presidente Anselmo Pereira (MDB), que afirmou que o respeito deveria prevalecer, Juarez recuou.

Paralelamente, há uma tentativa de barrar a CEI judicial. O vereador Sargento Novandir (MDB), aliado de Mabel, tem assinado representações no Judiciário para inviabilizar o início da comissão.

A expectativa é que o nome dos membros seja confirmado após reunião do grupo nesta semana, mas a composição exata e a escolha da presidência devem seguir como pontos de atrito.

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