A articulação política para 2026 já entrou no centro da agenda da base governista na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Em entrevista à Tribuna do Planalto, o deputado Talles Barreto (União), líder do governo Ronaldo Caiado (União), detalha as conversas sobre filiações partidárias, montagem das chapas proporcionais, os efeitos da transição de governo em abril e os principais projetos que ainda devem tramitar neste ano eleitoral.
Esse movimento ganhou força na terça-feira (20), quando o presidente da Casa, Bruno Peixoto (União), reuniu-se com o vice-governador Daniel Vilela (MDB) e um grupo de deputados da base, entre eles o líder do governo Talles Barreto. Segundo o deputado, a reunião teve dois focos centrais: a reorganização partidária da base e o pagamento antecipado de parte das emendas parlamentares.
Em relação à composição das chapas para a disputa do próximo pleito, Talles Barreto avalia que a definição passa, necessariamente, por uma leitura estratégica do tamanho das campanhas e da projeção de votos. “Tudo influencia: o quantitativo de votos, a estrutura, o tamanho da campanha. É preciso estar sintonizado com o partido em que se vai disputar a eleição”, disse.
“Temos cerca de sete ou oito parlamentares já definidos em seus partidos. Outros três devem disputar vaga de deputado federal. Sobra um grupo de aproximadamente 20 ou 21 deputados que devem se distribuir entre União Brasil, MDB e a federação Solidariedade-PRB”, afirmou.
A reunião também foi vista como mais um gesto de fortalecimento da articulação entre o Executivo e o Legislativo. Já que esse é um momento de transição que projeta o papel de Daniel Vilela na condução do governo a partir de abril, após a saída do atual governador Ronaldo Caiado para a disputa presidencial.
Disputa pelo Senado
Para ele, a entrada do PL no campo majoritário tende a fortalecer a base. “Pelas últimas falas do governador, acreditamos que o Partido Liberal (PL) vai compor, de fato, a chapa, com Gustavo Gayer para o Senado, junto com dona Gracinha, que é a nossa senadora e faz um ótimo trabalho à frente do Goiás Social”, afirmou.
Questionado sobre sua proximidade com o atual senador e candidato à reeleição Vanderlan Cardoso (PSD), o parlamentar confirma que seu primeiro voto para o Senado já está definido. “Tenho convicção de que dona Gracinha fará um trabalho excepcional e histórico no Senado Federal. Esse é o meu primeiro voto”, declarou. Sobre o segundo, evitou antecipar posição. “Tenho amizade e respeito pelo Vanderlan, mas sempre segui minhas linhas partidárias. Vou seguir a orientação do governador.”
Sobre a necessidade da imposição de apoiar o candidato do PL, Talles rejeita qualquer hipótese de imposição na composição da base. “Imposição eu não acredito. O que acredito é em diálogo, avaliação conjunta, no que é melhor para o Estado e para a atuação em Brasília”, afirmou, ao comentar uma eventual aliança com Gustavo Gayer.
Sucessão
Sobre a sucessão de Ronaldo Caiado por Daniel Vilela, prevista para abril, o líder do governo vê um cenário de absoluta tranquilidade institucional. “A relação que temos com Daniel é tão boa quanto com o governador. Vai ser uma transição muito tranquila. Daniel vai pegar um Estado muito melhor do que aquele que Caiado recebeu”, avaliou.
Ao fazer um balanço dos quase oito anos de gestão, o deputado atribui o êxito ao conjunto de políticas públicas executadas. “Um governo que chegou com salários atrasados, sem dinheiro, e hoje tem o primeiro lugar no Ideb, escolas reformadas e climatizadas, a melhor segurança pública do Brasil, grandes obras de infraestrutura e um social que virou referência nacional com o trabalho de dona Gracinha”, enumerou.
Em meio à montagem das chapas, à transição no Executivo e a um calendário mais restritivo no Legislativo, Talles Barreto aposta na força da continuidade. “Vamos trabalhar muito para ajudar Daniel e dar sequência a um governo que tem a melhor aprovação do Brasil”, concluiu.
Liderança
O deputado lembra ainda que está no terceiro ano como líder do governo e considera a base “muito consolidada”. “Conseguimos aprovar projetos com rapidez, mas sempre com debate e esclarecimento. Hoje, a Assembleia vê o resultado do trabalho na sociedade, e isso fortalece a relação com o Executivo”, afirmou.
Sobre 2026, a expectativa é que seja uma pauta mais enxuta na aprovação de projetos. “Devemos ter o piso dos professores e a revisão geral anual. Mas, pelo fato de ser ano eleitoral, os trabalhos serão menores até julho.”
O pagamento de emendas impositivas antes do período mais crítico da campanha também entrou na negociação com o vice-governador. “Pedimos que pelo menos uma parte das emendas seja paga até julho. Estamos no mundo eleitoral, mostrando serviço, mostrando onde o recurso chegou. Isso faz parte da dinâmica política”, disse.
Questionado sobre o veto ao projeto que denomina um trecho rodoviário em Padre Bernardo, de sua autoria, Barreto adotou tom direto. “Os vetos são legítimos do governo. Eu brigo para não derrubar veto e, quando é veto meu, faço questão de não mexer. Se for o caso, vamos homenagear essa pessoa em outra obra.” disse.
No plano pessoal, o líder confirma que disputará a reeleição com serenidade. “Estou em um dos melhores momentos da minha vida pública. No quarto mandato, tenho a convicção de que posso contribuir muito ainda para Goiás”, disse. Sobre o interesse em assumir a presidência da Casa em 2027, Talles respondeu que o primeiro passo é ganhar a eleição e depois é outra discussão. “Todo político sonha em um dia presidir a Assembleia, então não está fora dos meus planos de algum dia assumir a Presidência.” concluiu.
- Arthur Oliveira é estagiário sob supervisão de Andréia Bahia.















