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Cientistas brasileiros usam proteína da placenta para reverver lesão medular

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aguarda o envio de dados complementares para autorizar a continuidade do processo


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 10/09/2025 - 11:38

lesão
O estudo representa um marco promissor para o tratamento de casos que, até hoje, têm opções limitadas de recuperação. (Imagem: Reprodução)

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveram uma terapia experimental que utiliza uma proteína derivada da placenta humana para devolver parte dos movimentos a pessoas e animais que sofreram lesões na medula espinhal. O estudo representa um marco promissor para o tratamento de casos que, até hoje, têm opções limitadas de recuperação.

A substância em questão é a polilaminina, produzida em laboratório a partir da laminina, proteína natural presente no corpo humano e essencial na comunicação entre os neurônios durante o desenvolvimento embrionário. Ao ser aplicada no local da lesão, ela cria uma espécie de “ponte biológica”, favorecendo a regeneração das conexões nervosas interrompidas.

Resultados em cães e humanos

Os testes pré-clínicos foram realizados inicialmente em cães com lesões antigas. Quatro dos seis animais tratados apresentaram recuperação parcial da capacidade motora após receberem a proteína. Em seguida, a pesquisa avançou para humanos. Pacientes tetraplégicos, com lesões tanto recentes quanto crônicas, também mostraram evolução após a aplicação, recuperando alguns movimentos.

A coordenadora do estudo, Tatiana Sampaio, destacou que a terapia atua como uma espécie de engenharia neural, reorganizando os caminhos elétricos que haviam sido bloqueados pela lesão. “Estamos conseguindo estimular o crescimento de novas conexões e, com isso, devolver parte da funcionalidade perdida”, explicou.

Próximos passos

Apesar dos avanços, a terapia ainda está em fase experimental. Para que o tratamento possa ser disponibilizado à população, será necessário passar pelas etapas formais de ensaios clínicos. O próximo passo é a fase 1, que testa a segurança do produto em um grupo reduzido de voluntários. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aguarda o envio de dados complementares para autorizar a continuidade do processo.

Especialistas consideram o resultado animador, já que não existe hoje um medicamento capaz de promover regeneração significativa da medula em pacientes com lesão. Caso os estudos confirmem a eficácia e a segurança da polilaminina, o Brasil poderá estar na dianteira de uma descoberta que pode transformar a vida de milhares de pessoas no mundo todo.

Redação Tribuna do Planalto

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