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Deputado do Chapéu critica exposição sobre religiões de matriz africana na Assembleia

Amauri Ribeiro (União Brasil) subiu à tribuna para afirmar que as obras eram ‘adoração ao demônio'


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 09/11/2025 - 15:21

Amauri Ribeiro
Deputado Amauri Ribeiro durante pronunciamento sobre religiões de matriz africana instalada no hall da Casa (Foto: Sérgio Rocha/Alego)

Por Arthur Oliveira*

A exposição “O olho de vidro sobre o sagrado vivo”, em cartaz no hall de entrada do Palácio Maguito Vilela, sede da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), gerou polêmica após declarações do deputado Amauri Ribeiro (União Brasil), conhecido como Deputado do Chapéu. Durante sessão ordinária e também em publicações nas redes sociais, o parlamentar criticou a mostra que reúne obras inspiradas nas religiões de matriz africana, associando os elementos expostos à “adoração ao demônio”.

A exposição, aberta na quarta-feira (5), conta com curadoria de Laís Rocha e apresenta trabalhos de dez artistas do Coletivo Onã, grupo formado por jovens do Terreiro Morada do Cruzeiro. A mostra exibe utensílios religiosos, vestimentas, fotografias, telas e esculturas que retratam símbolos e entidades das tradições afro-brasileiras, como o candomblé e a umbanda.

Em discurso na tribuna, Amauri Ribeiro relatou seu desconforto ao visitar o espaço. “Eu me deparei no saguão da Assembleia com a exposição de tranca rua, com pomba gira, com exu, com cabeça de vaca, com vela, com oferenda. Me desculpe, eu respeito todas as religiões, mas religião, para mim, é aquela que tem ligação com o único Deus”, declarou o parlamentar, reforçando sua visão sobre o tema.

No mesmo dia, Amauri postou em suas redes sociais se defendendo que a fala não tem nada haver com intolerância religiosa, e sim, com o local e tipo de objetos expostos. 

Já na quinta-feira (06/11), durante a apreciação da Ordem do Dia, Amauri voltou a se pronunciar, dizendo compreender a importância da liberdade religiosa e da pluralidade cultural, mas sustentando que algumas imagens expostas “poderiam ser interpretadas como desrespeitosas” por parte da população cristã. O deputado afirmou não ter a intenção de ofender outras crenças, mas destacou seu direito à opinião.

“Eu não ofendi nenhuma religião, não pratiquei nenhum desrespeito. Mas tenho o direito de dar a minha opinião”, disse. Ele acrescentou que algumas representações destoavam dos valores aprendidos em sua formação religiosa: “Cresci aprendendo que determinadas figuras simbolizam o mal, e essa é a minha compreensão pessoal.”

Amauri também afirmou que havia um acordo prévio para reorganizar ou retirar parte das peças da exposição após conversa com a Presidência da Casa, o que, segundo ele, “não teria sido cumprido integralmente”. O parlamentar defendeu que manifestações culturais devem respeitar igualmente todos os segmentos religiosos. “Houve um compromisso de que algumas imagens seriam retiradas, e isso não ocorreu até o momento”, pontuou.

A exposição tem o apoio do presidente da Comissão de Cultura, Esporte e Lazer da Alego,  deputado Mauro Rubem (PT), que reagiu às falas de Amauri Ribeiro durante a mesma sessão. Em defesa da mostra, Rubem destacou que o Estado é laico e que a intolerância religiosa é crime, conforme a Lei nº 7.716/1989, que prevê punição para discriminação por motivos religiosos.

“A Constituição é muito clara: o Brasil é um Estado laico. É garantido o direito de todas as formas religiosas. Intolerância religiosa é crime tipificado claramente nas regras que o país já tem”, afirmou Rubem, ao reforçar que a exposição é uma celebração da diversidade e da ancestralidade afro-brasileira.

Exposição

Aberta ao público até o dia 18 de novembro, a mostra segue com entrada gratuita no hall da Alego. O evento integra uma série de atividades culturais que buscam promover o reconhecimento das expressões religiosas de matriz africana e o combate ao preconceito.

A polêmica, no entanto, expõe mais uma vez o choque entre fé e política dentro da Assembleia Legislativa, levantando discussões sobre os limites da liberdade de expressão dentro da casa de leis. “Portanto, se tem aqui a possibilidade de fazer uma missa da igreja católica ou um culto da igreja evangélica, é o mesmo direito que as religiões de matriz africana tem para fazer seus rituais e apresentar essa exposição”, finalizou o deputado petista.

*Estagiário sob a supervisão de Andréia Bahia

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