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Especialista alerta sobre os riscos do excesso da ingestão de proteína; saiba o que pode acontecer

Nutrólogo explica por que o "quanto mais, melhor" é uma armadilha perigosa e como o excedente proteico sobrecarrega o organismo


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 06/09/2025 - 08:28

riscos de excesso de proteína
Os riscos vão além da falta de eficácia; entenda. (Foto: Reprodução)

Na busca incessante pela otimização da saúde, da estética corporal e sem ateção aos riscos, a proteína foi elevada ao status de nutriente milagroso, tornando-se o pilar central das dietas contemporâneas. Esse fenômeno é particularmente evidente nos Estados Unidos, onde a cultura do fitness e do bem-estar impulsionou o consumo desse macronutriente a patamares sem precedentes. Conforme dados do International Food Information Council, em 2024, impressionantes 71% dos norte-americanos expressaram o desejo de aumentar sua ingestão proteica, um aumento significativo em relação aos 52% registrados apenas dois anos antes, em 2022.

Esta tendência, amplificada por influenciadores digitais e por uma indústria de suplementos multibilionária, fez com que produtos como barras hiperproteicas, pós concentrados e alimentos “premium” se tornassem sinônimos de um estilo de vida saudável e de longevidade. Contudo, por trás desse cenário aparentemente positivo, especialistas em nutrição começam a soar o alarme sobre os perigos ocultos de se consumir proteína em quantidades muito superiores às necessidades reais do organismo. O discurso predominante, que sugere que “quanto mais, melhor”, está sendo seriamente questionado pela ciência.

Neste contexto, o médico nutrólogo e intensivista Dr. José Israel Sanchez Robles oferece uma perspectiva crucial baseada em evidências: “Embora a ingestão proteica esteja diretamente relacionada à síntese proteica muscular e ao ganho de massa magra, isso não implica que quantidades excessivas resultam em maiores benefícios. O organismo possui limites fisiológicos bem definidos para a utilização eficiente das proteínas”.

A disparidade entre a recomendação oficial e o que é popularmente propagado é enorme. Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece uma ingestão diária de 0,8 gramas por quilo de peso corporal, e estudos apontam benefícios para atletas de força de até 1,6 g/kg/dia, vozes influentes chegam a sugerir consumos de 2,2 g/kg/dia ou mais. No entanto, o Dr. José Israel adverte que não há suporte científico para tais alegações. “Evidências provenientes de ensaios clínicos controlados indicam que a ingestão proteica acima de 1,6 g/kg/dia não promove ganhos adicionais significativos em termos de hipertrofia ou força muscular. Além disso, a ingestão proteica excessiva pode estar associada a efeitos adversos, como aumento de marcadores inflamatórios e maior risco cardiovascular, especialmente em indivíduos predispostos”, reforça o especialista.

Os riscos vão além da falta de eficácia. Pesquisas recentes têm identificado mecanismos específicos pelos quais o excedente proteico, particularmente de fontes animais ricas em aminoácidos como a leucina, pode desencadear processos inflamatórios associados ao desenvolvimento de aterosclerose. Além disso, estudos populacionais de longo prazo consistentemente correlacionam dietas com alta proporção de proteína animal com um aumento na mortalidade por doenças crônicas. Um dos maiores equívocos, segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), é a percepção de deficiência: aproximadamente 85% da população já consome mais proteína do que necessita.

O Dr. José Israel critica essa narrativa de “deficiência proteica”, amplificada pelo marketing: “O conceito amplamente difundido de uma suposta ‘deficiência proteica’ na população geral tem sido reforçado por estratégias de marketing da indústria e por desinformações propagadas nas redes sociais. No entanto, na prática clínica e segundo dados epidemiológicos, observa-se que a maioria das pessoas consome proteína em quantidades superiores às suas necessidades fisiológicas, sem que isso resulte em benefícios adicionais à saúde ou à composição corporal”.

Ele finaliza explicando o destino metabólico do excedente e sua consequência: “Em outras palavras, além de não promover benefícios adicionais, a ingestão excessiva de proteínas pode impor uma sobrecarga funcional a órgãos como os rins, favorecendo alterações no metabolismo nitrogenado e elevando o risco de doenças metabólicas, especialmente em indivíduos com predisposição”. A conclusão do consenso científico é clara: a chave não está na suplementação excessiva, mas em um estilo de vida equilibrado. “A principal lição que emerge dessa discussão é que a proteína, isoladamente, não deve ser encarada como sinônimo de saúde. Fatores como a prática regular de treinamento resistido, a qualidade e duração do sono, e uma alimentação predominantemente baseada em vegetais demonstram ter impacto significativamente superior sobre a longevidade e a saúde global do que o consumo excessivo de suplementos proteicos, como barras e shakes”, conclui José Israel.

Redação Tribuna do Planalto

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