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J&F e JBS repassaram R$ 11,5 milhões a escritório de Goiânia com baixo faturamento

Relatório indica movimentações consideradas atípicas e levanta suspeita de risco para lavagem de dinheiro; empresas afirmam que serviços foram prestados


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 27/04/2026 - 10:02

Escritório de advocacia em Goiânia recebeu valores milionários apesar de histórico de faturamento mensal reduzido (Foto: Divulgação)

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras aponta que as empresas J&F e JBS transferiram R$ 11,5 milhões, em dezembro de 2023, a um escritório de advocacia sediado em Goiânia, apesar de o local registrar faturamento mensal de cerca de R$ 9 mil.

O documento, obtido pelo Estadão, indica que os valores foram destinados à advogada Maísa Marciano, cujo escritório funciona em sala compartilhada no Setor Sul. O alerta foi feito por uma agência do Sicoob, que apontou ausência de comprovação para as transações e classificou o caso como de “alto risco para lavagem de dinheiro”.

Os repasses ocorreram em datas próximas: R$ 8 milhões foram transferidos pela JBS em 15 de dezembro de 2023 e R$ 3,5 milhões pela J&F no dia 18. No mesmo dia, a advogada transferiu R$ 3,5 milhões ao advogado e empresário Paulo Humberto Barbosa, que posteriormente adquiriu participação do ministro Dias Toffoli em um resort no Paraná.

Também no dia 15, o escritório transferiu R$ 6,9 milhões para uma conta vinculada ao BK Bank. A empresa afirmou que atua apenas como processadora de transações e que não movimenta recursos em nome próprio.

O BK Bank já foi alvo de investigação da Polícia Federal por movimentações financeiras suspeitas em larga escala.

O que dizem as empresas

Em nota, a JBS afirmou: “Os pagamentos ao escritório citado se referem a serviços jurídicos prestados e comprovados. A empresa não dispõe de informações sobre movimentações financeiras desse fornecedor para terceiros.”

Já a J&F declarou que mantém auditorias independentes e que “todo pagamento realizado se refere a produtos ou serviços comprovadamente prestados, mediante emissão de nota fiscal e recolhimento de tributos”.

As empresas não detalharam quais serviços foram contratados nem explicaram os repasses feitos posteriormente pela advogada.

A advogada não comentou o caso. Já o empresário citado contestou a reportagem do Estadão e disse que pretende acionar judicialmente os responsáveis.

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