A Justiça italiana autorizou a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil, onde ela deverá cumprir pena por duas condenações. A decisão foi tomada pela Corte de Apelação de Roma e ainda pode ser contestada pela defesa na Corte de Cassação, última instância do Judiciário italiano.
Enquanto o processo segue, Zambelli permanece presa no complexo penitenciário de Rebibbia, em Roma. Após a análise de eventual recurso, caberá ao Ministério da Justiça da Itália dar a palavra final sobre a extradição, com prazo de até 45 dias. Caso seja confirmada, a transferência ao Brasil poderá ocorrer em cerca de 20 dias.
Na decisão, os juízes italianos rejeitaram os argumentos da defesa e afirmaram que o pedido brasileiro atende aos requisitos previstos no tratado entre os dois países. Também descartaram alegações de ausência de garantias de julgamento justo e de problemas estruturais no sistema prisional brasileiro, apontando que as informações fornecidas pelo Brasil são “específicas, atualizadas e institucionalmente qualificadas”.
Zambelli foi condenada a dez anos de prisão por invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e emitir um mandado falso contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ela também recebeu outra condenação, de cinco anos, por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, em episódio ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022, em São Paulo.
A ex-deputada deixou o Brasil em maio de 2025, dias após a condenação pelo STF, passando por Argentina e Estados Unidos até chegar à Itália, onde possui cidadania. Após cerca de dois meses foragida, foi presa na periferia de Roma no fim de julho.
Documentos enviados pelo STF às autoridades italianas indicam que, caso extraditada, Zambelli deverá cumprir pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. As informações incluem detalhes sobre a estrutura do presídio, condições das detentas e capacidade do sistema prisional de manter a ordem, pontos que foram analisados pela Justiça italiana durante o processo.
Segundo a Vara de Execuções Penais do DF, a unidade possui alas separadas, acompanhamento por órgãos de controle e não registra histórico de rebeliões. Também foi informado que policiais penais são concursados e treinados para garantir a segurança e a integridade das internas.
Apesar da autorização judicial, ainda não há prazo definitivo para a extradição. A defesa tenta reverter a decisão e também pleiteia que, caso transferida, Zambelli cumpra pena em São Paulo, próxima à família.















