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Limpa Gyn pede prazo extra para entrega de documentos e menção à confidencialidade repercute mal na CEI

Empresa pede mais 15 dias para responder à CEI e gera desconfiança de parlamentares


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 18/09/2025 - 10:50

Em abril de 2024, Cruz lançou o contrato, no Paço Municipal, rodeado de vereadores Divulgação
Consórcio Limpa Gyn atua na coleta e destinação de resíduos sólidos da capital (Foto: Divulgação)

Membros da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Limpa Gyn reagiu à exigência feita pelo consórcio responsável pela limpeza urbana de Goiânia, que teria condicionado a entrega de documentos a um contrato de confidencialidade e pediu 15 dias a mais de prazo para atender aos requerimentos aprovados pelo colegiado. A resposta do Consórcio foi criticada durante a sessão plenária desta terça-feira (9).

A vereadora Aava Santiago (PSDB), integrante da Mesa Diretora, disse ter recebido a manifestação com “perplexidade” e classificou a postura da empresa como um “escárnio”.

“Estão pedindo sigilo em documentos que tratam da prestação de um serviço público, pago com dinheiro público. É um escárnio uma empresa privada com um contrato de quase um bilhão de reais impor sigilo a uma comissão de investigação. Essa resposta tem que ser da Câmara e não só da CEI”, declarou.

Inicialmente, o vice-presidente da Câmara, Anselmo Pereira (MDB), havia afirmado que “nenhum documento que trata da coisa pública pode ter confidencialidade” e que, em caso de negativa, caberia inclusive recurso a habeas data. Mais tarde, no entanto, o parlamentar reformulou sua manifestação em novo discurso no plenário.

“Muitos documentos sérios e comprometidos vão para CEI. Eu, quando presidi as minhas, tinha uma sala trancada. É obrigado a ter documentos sob a tutela do presidente. Quem recebe documentos de uma CEI deve mantê-los sob cautela. Tenho certeza de que a empresa não pediu para não vazar, mas para que sejam examinados e tutelados dentro do contexto da comissão. Guardar documentos é apenas cautela para que amanhã não se adultere este ou aquele contrato”, explicou.

O vereador Pedro Azulão Júnior (MDB), que também integra a CEI, engrossou o coro e prometeu dar transparência aos documentos assim que chegarem às mãos do colegiado.

“A hora que eu pegar esses documentos, vou dar publicidade. Agora, querem que eu assine um termo para não falar com ninguém? Então já estão assinando a própria condenação. Não vou admitir direcionamento dentro da CEI”, avisou.

Contexto da investigação

O episódio ocorre em meio a um clima de tensão entre a Câmara e a Limpa Gyn. Na reunião anterior, o colegiado havia dado prazo de cinco dias úteis para a entrega de informações que incluem contratos, aditivos, relatórios de fiscalização e dados sobre o aterro sanitário.

A medida veio após declarações do diretor executivo do consórcio, Renan Andrade, que classificou a investigação como “desnecessária”.

As falas de Andrade foram interpretadas como afronta pelos vereadores, que já sinalizaram a possibilidade de convocá-lo para depor formalmente. O presidente da CEI, Welton Lemos (SD), alertou que a comissão “tem poder de convocar e exigir os dados” caso haja resistência.

Na ocasião, o relator William Veloso (PL) explicou que a análise documental é o primeiro passo antes das oitivas e visitas técnicas. “Queremos construir um diagnóstico detalhado da gestão do contrato, com base técnica e transparência”, disse.

Na última terça-feira (16), não houve sessão devido à falta de entrega de documentação.

A Tribuna do Planalto solicitou posicionamento à Limpa Gyn e aguarda retorno.

Leia mais:
https://tribunadoplanalto.com.br/responsaveis-pelo-contrato-da-limpa-gyn-vao-usar-decisoes-judiciais-na-defesa-da-cei/

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