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Médicos do Detran-GO anunciam nova paralisação após impasse com Governo de Goiás

Paralisação pode afetar quase 6 mil atendimentos em três dias, com 1.958 exames médicos realizados por dia no estado


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 30/07/2025 - 09:04

Detran anunciou medidas para mitigar efeitos da paralisação e evitar acúmulo de processos (Foto: Divulgação)

O Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) anunciou a segunda paralisação dos médicos credenciados ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran-GO). A nova interrupção nos atendimentos está programada para ocorrer entre os dias 30 de julho (quarta-feira) e 1º de agosto (sexta-feira), totalizando 72 horas. Segundo o Simego, a deliberação foi tomada em Assembleia Geral Extraordinária Permanente, realizada no dia 21 de julho, diante da ausência de resposta do Governo de Goiás a pedidos de reunião e às reivindicações apresentadas.

A categoria pede a recomposição inflacionária dos honorários pagos pelos exames de aptidão realizados no processo de habilitação, que estão congelados há mais de oito anos. O sindicato afirma que, mesmo com diversas tentativas de negociação desde 2023, não houve avanço ou posicionamento do Governo e da direção do Detran-GO.

Os profissionais também cobram a nomeação de um responsável técnico médico, conforme exigência do Conselho Federal de Medicina, abertura de canal de diálogo com a gestão do órgão, fim de interferências administrativas por parte de gestores não médicos, e reorganização das agendas nas unidades do Vapt Vupt.

Durante a paralisação, serão mantidos apenas os atendimentos classificados como inadiáveis, conforme previsto em lei.

Em nota divulgada à imprensa, o Detran-GO informou que irá adotar medidas para mitigar os efeitos da paralisação. Entre elas, estão a suspensão da distribuição automática de exames, a liberação para que os candidatos escolham livremente as clínicas credenciadas e a manutenção de atendimento na unidade padrão do Vapt Vupt, instalada na sede da autarquia, em Goiânia.

A autarquia se posiciona contrária ao reajuste solicitado pelos médicos e psicólogos credenciados, sob o argumento de que o aumento impactaria o custo da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), estimado em média em R$ 3 mil. O Detran-GO afirma que o valor dos exames é pago diretamente pelos candidatos e que profissionais credenciados chegam a faturar até R$ 38 mil por mês. A média diária de exames médicos no estado é de 1.958, sendo 485 apenas em Goiânia.

A autarquia também declarou que já acionou o Ministério dos Transportes e a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) para discutir alternativas que reduzam o custo do processo de habilitação.

Segunda paralisação

Durante a primeira paralisação, entre os dias 15 e 176 de julho, o Simego contestou declarações feitas pelo presidente do Detran-GO, delegado Waldir Soares, que classificou o movimento como pressão política e sugeriu punições aos médicos que aderiram à primeira paralisação, realizada nos dias 15 e 16 de julho.

Em resposta, o sindicato afirmou que a mobilização é resultado da ausência de diálogo e destacou que os profissionais são credenciados, sem vínculo empregatício direto, e que o direito de paralisação é legítimo e amparado por lei.

O sindicato ainda declarou que as tentativas de negociação ocorreram antes do indicativo de greve e que a mobilização da categoria só foi atendida com abertura de diálogo após a primeira paralisação. O Simego também argumenta que a comparação dos valores recebidos pelos médicos com atendimentos de clínicas populares ou convênios é tecnicamente inadequada, devido à natureza pericial dos exames exigidos pelo processo de habilitação.

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