O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), intimou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para se manifestar sobre um pedido de investigação contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A PGR terá cinco dias para responder se abre uma apuração sobre o recebimento de recursos do banqueiro Daniel Vorcaro para custear a atuação do ex-parlamentar nos Estados Unidos.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou o pedido. Ele apresentou a solicitação em uma ação na qual Eduardo já responde como réu. A acusação original contra o ex-deputado é de suposta coação no julgamento da trama golpista, que culminou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Lindbergh defende a ampliação do escopo da ação. Ele argumenta que existe uma possível conexão entre o financiamento do filme Dark Horse, que narra a trajetória de Jair Bolsonaro, e a atuação política de Eduardo nos Estados Unidos.
PF já investiga desvio de recursos para fundo no Texas
O site The Intercept Brasil revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu R$ 134 milhões a Vorcaro para bancar a produção do filme. Desse montante, cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos.
O jornal O Estado de S. Paulo mostrou que a Polícia Federal (PF) já investiga se parte desses recursos foi desviada para um fundo localizado no Texas. Esse fundo estaria diretamente ligado a Eduardo Bolsonaro e serviria para custear sua permanência nos Estados Unidos. A medida teria se tornado necessária porque o STF bloqueou as contas do ex-deputado e dificultou seu acesso a recursos financeiros no país.
O fundo tem como agente legal o escritório Law Offices of Paulo Calixto PLLC, do advogado Paulo Calixto. Ele é uma pessoa próxima a Eduardo Bolsonaro.
Moraes também busca apurar um pedido de cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos. O objetivo central é obter registros financeiros, contratuais, societários e fiscais relacionados ao filme Dark Horse. A apuração também investiga eventuais pagamentos a consultores e intermediários que atuaram no exterior.
Investigação pode avançar para crimes contra a soberania nacional
Na avaliação do ministro, é necessário verificar a hipótese de que valores originalmente destinados ao filme tenham sido desviados para financiar uma campanha internacional contra o Brasil. Essa campanha supostamente incluiria a articulação de sanções econômicas, restrições de vistos e a coação contra autoridades brasileiras.
A decisão de Moraes, portanto, busca apurar possíveis crimes como lavagem de dinheiro, financiamento eleitoral irregular, organização criminosa e atentado à soberania nacional.
Lindbergh Farias também pede o compartilhamento formal das provas coletadas na investigação sobre o Banco Master com o processo que já tramita contra Eduardo Bolsonaro. Ele solicita ainda a análise detalhada dos fluxos financeiros entre Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro e as empresas diretamente ligadas à produção do filme. A expectativa de aliados do governo é que, se o pedido for aceito pela PGR, tanto Flávio quanto o ex-presidente Jair Bolsonaro passem a integrar formalmente a investigação.














