Presidente visitou navio-sonda na Foz do Amazonas após descoberta de hidrocarbonetos. Ele comparou o achado ao pré-sal e defendeu a exploração da nova fronteira petrolífera brasileira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (17) que o Brasil pode ampliar sua relevância no mercado global de energia. A declaração ocorreu após uma visita ao navio-sonda NS-42 da Petrobras, que perfura o poço Morpho, a 175 quilômetros da costa do Amapá, na Margem Equatorial.
A descoberta de hidrocarbonetos no bloco FZA-M-59 foi anunciada pela Petrobras na sexta-feira (14). Ainda não há estimativa do volume de petróleo nem da capacidade de extração da reserva. A perfuração continua, e a estatal precisa confirmar se o volume encontrado permite exploração comercial . Lula classificou o achado como um “passaporte para garantir o futuro” do país e comparou a emoção do momento à descoberta do pré-sal, em 2007.
Durante a fala, o presidente associou diretamente a tensão internacional à nova fronteira petrolífera brasileira. Ele se referiu ao conflito entre Estados Unidos e Irã, que bloqueou o Estreito de Ormuz em fevereiro. O estreito é a principal rota de circulação de petróleo do planeta, por onde passam cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
“Se o presidente Trump quiser ficar fazendo guerra com o Irã e fechar o Estreito de Ormuz, nós vamos abrir para o mundo inteiro a Margem Equatorial a 175 km da terra”, afirmou Lula . “Estamos aqui no meio do mar, descobrindo petróleo maravilhosamente puro, que talvez já dá até para encher o tanque do carro”, completou.
Ainda não há estimativa oficial do potencial da descoberta, e o poço continua em perfuração.
A Margem Equatorial é tratada pelo governo como uma área estratégica para o futuro da produção brasileira de petróleo. A região é vista pela Petrobras como a nova fronteira exploratória para repor as reservas do pré-sal, cuja produção deve começar a declinar a partir de 2035 . O governo estima que a Margem Equatorial possa permitir a exploração de 1,1 milhão de barris de petróleo por dia, volume superior ao dos principais campos da Bacia de Santos.
Lula também defendeu a soberania energética brasileira e criticou as privatizações no setor de combustíveis. “País que tem petróleo desta qualidade não vai permitir que ninguém meta o dedo”, disse . O presidente afirmou que “ninguém tem mais responsabilidade com a Amazônia” do que o Brasil e que os recursos da eventual produção seriam revertidos para o país . A região da Foz do Amazonas, no entanto, é de grande sensibilidade ambiental, com manguezais e recifes de corais . O Ibama já autorizou a perfuração exploratória, mas a produção comercial depende de novas licenças.
A descoberta de hidrocarbonetos na Margem Equatorial ainda está em fase exploratória, e não há previsão de impacto imediato nos preços dos combustíveis ou na oferta de petróleo no mercado.
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