A deputada federal Silvye Alves confirmou que vai deixar o União Brasil após a votação da chamada PEC da Blindagem, aprovada nesta semana na Câmara dos Deputados. A parlamentar, que inicialmente havia se posicionado contra a proposta, admitiu em vídeo publicado nas redes sociais que mudou o voto após sofrer pressão de lideranças políticas.
Segundo Silvye, após registrar voto contrário, recebeu ligações de integrantes do alto escalão orientando a alteração de posição. “Eu me senti pressionada e acabei mudando meu voto. Fui covarde. Errei com meus eleitores e comigo mesma”, declarou. A parlamentar pediu desculpas publicamente e disse que não queria “deixar esse registro” em sua trajetória política.
A assessoria da deputada confirmou que a decisão de deixar o partido foi tomada e que a formalização deve ocorrer apenas na janela partidária de 2026. Até lá, ela segue na legenda, mas já não se considera alinhada ao União Brasil.
PEC da Blindagem e reação dos goianos
A PEC da Blindagem estabelece que deputados e senadores só poderão ser processados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) mediante autorização da Câmara ou do Senado. A medida foi aprovada em dois turnos, ambos realizados na terça-feira (16).
No primeiro, a proposta recebeu 353 votos favoráveis e 134 contrários. No segundo, foram 344 votos a favor e 133 contra. Toda a bancada goiana — composta por 17 deputados — manteve o mesmo posicionamento nas duas etapas.
Do estado, 14 parlamentares votaram “sim”, incluindo Silvye Alves. Apenas três deputados federais goianos foram contrários: Adriana Accorsi (PT), Flávia Morais (PDT) e Rubens Otoni (PT).
Pressão e repercussão política
O voto da deputada gerou forte reação nas redes sociais. Diante da repercussão negativa, Silvye gravou vídeo pedindo desculpas. “Eu cometi um erro gravíssimo. Fui contra tudo aquilo que defendo e acredito. Sei que decepcionei muita gente”, afirmou.
O episódio amplia as tensões internas no União Brasil, que nas últimas semanas tem enfrentado divergências sobre sua posição em relação ao governo federal. A saída de Silvye deve alimentar a disputa por espaço político em Goiás, especialmente na construção das chapas para as eleições municipais de 2026.













