O Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) recomendou a suspensão parcial do concurso público da Câmara Municipal de Goiânia, especificamente para o cargo de administrador, após a identificação de possíveis irregularidades envolvendo o candidato aprovado em primeiro lugar.
Relatório da Secretaria de Controle Externo aponta indícios de conflito de interesses, uma vez que o candidato, Luã Lírio de Souza Cruz, manteria vínculo profissional com o Instituto Verbena, da Universidade Federal de Goiás (UFG), responsável pela organização do certame. De acordo com o documento, ele teria inclusive recebido valores durante o período de realização do concurso.
A apuração também indica que, embora oficialmente afastado do instituto desde janeiro de 2025, o candidato continuou participando de atividades ligadas à banca organizadora. Registros mostram presença em reuniões e eventos representando o Instituto Verbena até dias próximos à aplicação das provas.
Para o TCM, ainda que não haja comprovação de acesso prévio ao conteúdo das avaliações, a possível quebra de isonomia entre os candidatos já é suficiente para comprometer a lisura do processo seletivo.
“A mera quebra de isonomia entre candidatos já é suficiente para comprometer a validade do concurso público, sendo desnecessária a comprovação de fraude efetiva”, aponta o relatório.
Além da suspeita de favorecimento, o órgão também identificou falhas na aplicação das provas, como a ausência de coleta biométrica dos candidatos — mecanismo considerado padrão para garantir a correta identificação dos participantes e prevenir fraudes.
O documento estabelece prazo de cinco dias para que a Câmara de Goiânia e o Instituto Verbena prestem esclarecimentos sobre o vínculo do candidato e sua eventual atuação durante o período do concurso. Caso as respostas não sejam consideradas satisfatórias, a recomendação é pela suspensão imediata do certame para o cargo investigado.
A decisão final caberá ao conselheiro relator do processo, que poderá manter o concurso, suspender parcialmente ou adotar medidas mais amplas, conforme o avanço das investigações.
Paralelamente, o Ministério Público de Goiás (MPGO) também apura o caso e não descarta a possibilidade de anulação do concurso, caso sejam confirmadas irregularidades. O TCM ainda investiga a contratação do Instituto Verbena pela Câmara Municipal, feita sem licitação, ao custo de mais de R$ 2,6 milhões.
Em nota, o Instituto Verbena afirmou que adotou protocolos de segurança para garantir a lisura do processo e que afastou colaboradores para evitar conflitos de interesse. Já a Câmara informou que irá prestar os esclarecimentos solicitados e que foi a primeira a levar as suspeitas ao conhecimento do Ministério Público. Até o momento, o candidato citado não se manifestou.
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