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“Um nome do segmento evangélico soma mais à chapa do que um do agronegócio”


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 21/03/2026 - 18:31

A definição do candidato a vice na chapa encabeçada por Daniel Vilela (MDB) segue como uma das principais incógnitas da corrida pelo governo de Goiás em 2026. Um dos nomes mais ativos nessa disputa é o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (PSD), que tem intensificado a defesa pública de sua indicação. Nesta entrevista, Mendanha argumenta que reúne atributos capazes de ampliar a competitividade da chapa, destacando o desempenho eleitoral de 2022, a forte presença na região metropolitana, que concentra mais da metade do eleitorado goiano, e a identificação com o segmento evangélico. Ele também compara seu nome ao de outros cotados, como o ex-senador Luiz do Carmo e o líder do agro José Mário Schreiner, e sustenta que seu perfil agrega mais ao projeto governista. O ex-prefeito ainda analisa o cenário eleitoral, admite a possibilidade de segundo turno diante da fragmentação da direita e reforça o discurso de continuidade da gestão de Ronaldo Caiado (União Brasil), apontando Daniel Vilela como o candidato mais preparado para dar sequência ao atual governo.

TRIBUNA DO PLANALTO – No evento do último sábado em Jaraguá, o pré-candidato ao governo Daniel Vilela (MDB) disse que o vice deve agregar política e eleitoralmente à chapa. De que maneira seu nome torna a chapa mais competitiva, considerando que vem do mesmo grupo do Daniel, o MDB, e tem o mesmo perfil político?

GUSTAVO MENDANHA – Primeiro porque eu fui candidato na eleição passada, em um momento diferente, contra o grupo do Daniel e do governador (Ronaldo Caiado), e tive 25% dos votos válidos. Isso já mostra um pouco do meu potencial e do meu trabalho. Eu e Daniel somos amigos, aliás esse foi um dos grandes motivos de eu voltar a caminhar novamente com o governador Ronaldo, que eu já tinha apoiado em 2014 para o Senado Federal. Eu acredito que eu agrego muito na região metropolitana, sou representante de um segmento, Daniel é católico, eu sou evangélico, e acredito que eu carrego essa bandeira que é muito importante. Até porque em uma eleição que vai ser polarizada entre dois candidatos a presidente, aqui embaixo tem que ter alguém com um pouco desse viés de direita: eu represento o segmento evangélico, sou defensor do Estado de Israel, sou alguém que carrega a família, aliás, eu até brinco; se eu for escolhido como vice, vão ganhar um pacote, que sou eu e minha esposa (Mayara Mendanha), que também é alguém que, embora nunca tenha disputado eleição,  trabalha e ajuda. Eu nasci no MDB, fiz política quase sempre dentro do MDB, mas me arrisquei, fui candidato, tinha 25% dos votos válidos. Eu acredito que tenho uma envergadura que soma muito nesse momento difícil que estamos vivendo. Eu defendi a união com o PL, até me colocando à disposição para não ser candidato para que pudéssemos ter a união. Isso não aconteceu, e acho que esse momento é importante para pessoas que tenham condições de voto participarem da chapa e meu nome está à disposição, embora tenhamos bons quadros, bons nomes também que estão disputando.

O ex-senador Luíz do Carmo também é um forte representante do segmento evangélico e também pleiteia a vaga de vice.

Um grande quadro, meu amigo, eu vou até dizer que, depois do meu nome, talvez seja um dos melhores nomes que nós temos, representando o mesmo segmento. Mas além do segmento evangélico, eu tenho a questão da região metropolitana, eu tenho um recall das últimas eleições, tenho experiência como prefeito de Aparecida de Goiânia, sendo reeleito com mais de 90% dos votos válidos. Eu acredito que possa agregar um pouco mais do que o Luiz. Embora o Luiz seja um nome que eu apoiaria, já votei em outras eleições, é um grande quadro. Só acho que, para este momento, o meu nome pode agregar mais.

O PL, do pré-candidato Wilder Morais, tem uma grande inserção no agronegócio, e José Mário Schreiner, outro nome que aparece para preencher a vaga de vice, é o maior representante desse segmento em Goiás. Não seria importante ter algum do agro na chapa para dividir os votos do setor?

Eu respeito, aliás, tive muitos apoiadores no agronegócio na eleição em que o Major Vitor Hugo foi apoiado pelo Jair Bolsonaro, tive quase o dobro de votos do Major Vitor Hugo. Eu tenho dentro do meu escopo de base eleitoral a direita. Acredito que o segmento evangélico representa mais percentualmente do que o agronegócio. Todo o respeito ao agronegócio, a figura do Zé Mário, mas acho que dentro do eleitorado bolsonarista, vamos ter que fazer esse recorte, provavelmente 90%, 95% dos eleitores são evangélicos e não do agronegócio. Eu acho que um nome do segmento evangélico, e por isso que eu falei do Luiz, representa mais e somaria mais na chapa do que um nome representando apenas o agronegócio.

O senhor representa a região metropolitana. Qual é o peso político-eleitoral da região metropolitana em contraponto ao Entorno do Distrito Federal, ao Sudoeste, e às outras regiões goianas?

A metade da eleição é decidida na região metropolitana. Mais de 50% do eleitorado está na região metropolitana, Goiânia, Aparecida, Senador Canedo, Trindade e mais outros municípios que compõem a região metropolitana. Do ponto de vista eleitoral e percentual, o maior quantitativo de votantes está aqui. Aliás, eu vou até confessar algo, acho que um dos grandes erros estratégicos da minha campanha passada foi não ter ficado aqui na região metropolitana, onde eu era conhecido, era mais fácil conquistar o voto. E eu acredito que a região metropolitana vai ser fundamental, principalmente porque hoje temos uma vice que é da região metropolitana e acho que um nome da região metropolitana soma muito nesse processo.

Em maio de 2025, quando o senhor deixou o MDB para se filiar ao PSD, a ideia era disputar o Senado ou ser candidato a vice. E o senhor me disse que, naquele momento, houve um compromisso de que o senhor comporia a chapa majoritária. Quem fez esse compromisso?

Nós estamos em outro momento. Lá atrás, quando me chamaram, disseram que eu ia participar da chapa majoritária, mas eu mesmo me coloquei à disposição para que pudéssemos construir junto com o PL e vencer a eleição no primeiro turno. Mas neste momento, o foco é realmente mostrar que o meu nome, junto com tudo aquilo que tenho, de time, enfim, aquilo que eu já disse com relação um pouco dos meus predicados, meu nome soma mais para que nós possamos vencer as eleições.

Como que o senhor viu a decisão de candidaturas múltiplas ao Senado? Isso ainda pode mudar?

Eu acho que não muda. Eu confesso que fui uma voz vencida. Eu acreditava que apenas dois nomes ou três nomes seria mais fácil para que pudéssemos fazer senadores. Mas a gente tem que pensar no macro, tem que pensar na eleição do Daniel, e nesse sentido múltiplas candidaturas passa a ser muito importante para que possamos agregar mais peso e mais votos para a eleição do Daniel.

Se a aliança com o PL tivesse avançado, a chapa teria apenas dois senadores. Qual o cálculo que foi feito para ampliar as candidaturas para senador?

Se não tivéssemos uma outra candidatura, seria mais viável finalizar a eleição no primeiro turno. Isso estava muito claro para todos nós. E por isso também que eu abri mão de uma candidatura ao Senado naquele momento. Cheguei a conversar com o Gustavo Gayer (deputado federal do PL) para que ele pudesse estar junto conosco, mostrava que era importante, que eu estava abrindo mão para que ele pudesse chegar. Enfim, não foi possível, e, neste momento, temos que realmente pensar e focar naquilo que nós temos, de trabalho, de continuidade, das ações que foram feitas nos últimos anos, principalmente na segurança, no social, na infraestrutura, na educação e mostrar que nós temos o Daniel, o único candidato que vai dar continuidade às ações do governo Ronaldo Caiado.

Como avalia o cenário eleitoral a partir da definição da candidatura de Wilder Morais? Antes previam vencer no primeiro turno. Agora, com esse cenário com no mínimo quatro candidaturas, qual a previsão?

Com quatro candidaturas, é óbvio que a possibilidade do segundo turno passa a ser real, embora eu pessoalmente acredite que alguns dos nomes que estão colocados ainda possam desistir. Já está polarizado entre Daniel e Wilder, está muito claro. Pode ser que a esquerda não tenha um nome e o ex-governador (Marconi Perillo) também, na minha visão, pode nos últimos segundos do segundo tempo desistir. Então pode ser que a eleição ainda possa finalizar no primeiro turno, o Daniel sendo vencedor.

Até que ponto a divisão da direita beneficia a oposição?

Óbvio que o PL representa a direita, mas é impossível não olhar para o governador Ronaldo Caiado, que há 40 anos, talvez tenha sido uma das primeiras figuras públicas do país a se colocar como (representante da) direita, é impossível dizer que nós não representamos a direita. Em um estado conservador como o nosso, vai ter essa briga de quem representa, mas acho que é uma das vozes mais fortes, não só do estado de Goiás, mas do Brasil, do governador Ronaldo Caiado. Ele tem legitimidade, tem envergadura moral para se colocar, se posicionar como direita, e eu acredito que, no decorrer das eleições, vamos mostrar que nós temos um candidato que defende o princípio, defende o ideal, defende a família, defende aquilo exatamente que a direita defende e que a direita representa.

Qual é a diferença entre o eleitor do Wilder e o eleitor do Daniel?

O eleitor do Wilder hoje é bem inferior. Claro que a gente acredita na força do ex-presidente (Jair Bolsonaro), sabe que o goiano tem essa paixão por ele, mas Ronaldo Caiado é o governador mais bem avaliado do país; é um governador de resultado, de entrega; é o governador que reduziu a criminalidade; que melhorou a vida do cidadão, melhorando os programas sociais; é o governador da educação já por alguns anos, do primeiro lugar no IDEB. Eu não tenho dúvida em afirmar com convicção que nas na campanha eleitoral nós vamos conseguir mostrar que Daniel é aquele que representa a continuidade, e tendo em vista isso, acredito que ele tem todas as ações de ganhar, quem sabe, ainda no primeiro turno.

O pré-candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro (PL) terá um peso semelhante ao de Jair Bolsonaro na campanha do Wilder?

Eu acho que tem peso, aquilo que nós estamos colocando; tem peso, mas também tem rejeição. O governador Ronaldo, ao contrário, tem peso e não tem rejeição. O Flávio é um bom cabo eleitoral, é alguém que eu respeito, já tive a oportunidade de, em alguns momentos, estar junto. Mas eu acredito que o governador Ronaldo Caiado, assim como foi nas eleições municipais, vai ser o grande diferencial nessas eleições.

Caso não consiga a vice, o senhor vai disputar a eleição?

Não, eu só disputaria, eu já disse isso em vários momentos, eu sou alguém de palavra, só disputaria a majoritária. E tendo em vista tudo aquilo que está sendo colocado, como condição de escolha, estou muito confiante de que o meu nome vai ser escolhido e que junto com o Daniel nós vamos vencer as eleições e poder trabalhar muito pelo estado de Goiás.

O senhor defende muito a continuidade da gestão Caiado e foi também o que ocorreu na prefeitura de Aparecida de Goiânia quando o senhor foi prefeito. Era a continuidade da gestão de Maguito Vilela. Isso não fez sombra à sua gestão e não faria à de Daniel, sendo que não seria uma gestão nova?

Eu não tenho dificuldade em reconhecer a grandeza do Maguito. É o maior líder de toda a história. Mesmo eu tendo tido uma votação superior à que ele teve, eu reconheço como o grande ponto de virada da cidade de Aparecida a gestão de Maguito Vilela. Eu acho que Daniel vai saber reconhecer. Embora jovens, eu acho que a gente tem experiência e maturidade para entender aquele que abriu vala. Talvez Daniel vá ter uma votação até superior à que o Caiado teve, mas é impossível Daniel não olhar para trás, não reconhecer que o governador Ronaldo Caiado tirou Goiás do atraso, de uma situação onde o cidadão tinha vergonha. Nós tínhamos a questão da violência, mesmo com um bom trabalho da polícia militar, mas era uma realidade que nós enfrentávamos. O estado de Goiás, o povo goiano hoje reconhece o governador como um grande líder, como grande governante e a gente fica na torcida pra que o Daniel possa talvez quem sabe superar o governador Ronaldo Caiado, mas nunca se esquecendo que foi o governador que deu essa virada de página no estado de Goiás.

A marca da gestão de Caiado, o senhor citou a educação, a saúde, mas a grande marca é a segurança. Essa deve continuar sendo a prioridade de Daniel, se eleito?

Eu acredito que o Daniel tem que ter várias prioridades. Eu posso, se for falando de passado, em 2016, quando fui candidato, o nosso mote era esse, o Maguito fez, o Gustavo vai continuar. E nesse continuar, é inovar, é pensar novas práticas, enfim, novos programas, nunca se esquecendo, reconhecendo não só o governador Ronaldo Caiado, mas d. Gracinha Caiado, que faz um trabalho extraordinário, e dando essa sequência. A continuidade, eu tenho certeza, que o governador espera, é esse legado de trabalho, de honestidade, seriedade, de responsabilidade com o trato público.

Leandro Vilela, prefeito de Aparecida de Goiânia, tem sido um dos principais defensores de seu nome para vice. Acha que ele pode influenciar o primo?

O Leandro é um amigo e claro que nós respeitamos a decisão que será tomada. Talvez seja um torcedor, mas não é um advogado. Eu diria que, por me conhecer, por saber do trabalho sério, responsável que eu fiz na cidade, junto com a minha esposa Mayara Mendanha, ele talvez tenha esse carinho e de alguma forma esse reconhecimento. Mas, a decisão caberá ao governador Ronaldo Caiado e ao Daniel e nós vamos, junto com eles, eu tenho certeza, trabalharmos para que isso possa ocorrer.

Caiado disse que a escolha do vice será de Daniel. Afinal, a decisão vai ser de quem?

De ambos. Acho que o governador tem o peso dele, e um peso considerado, mas o Daniel sendo candidato também, eu tenho certeza que os dois vão sentar e vão buscar, a partir das pesquisas, o melhor quadro, o melhor nome, para que possamos vencer as eleições e principalmente para que haja a continuidade daquilo que temos visto hoje no estado de Goiás.

Um dos critérios é pesquisa?

É, foi passado para mim exatamente isso. Pesquisas quantitativas e qualitativas.

Por que a demora em decidir o vice?

Eu acredito que o governador vai buscar o perfil qualitativo, vai conversar com os líderes que ele sempre dialoga, o governador, sempre nas suas decisões, foi muito democrático, e claro aquele que possa representar as melhores condições será escolhido, e eu vou trabalhar e torcer para que seja eu.

Esse trabalho passa por uma defesa pública do seu nome? Tenho visto vídeos com políticos defendendo a indicação de seu nome para vice.

Eu acho que as pessoas estão se manifestando exatamente pela preocupação que muitos têm de a gente não vencer as eleições. Embora eu acho que o Daniel é favorito,  a figura do vice vai pesar muito, mas o governador e Daniel vão ser sábios para fazer a escolha que melhor representa aquilo que nós queremos para o estado de Goiás.

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