Na sessão desta quarta-feira (13), a vereadora Kátia Maria (PT) usou a tribuna da Câmara Municipal de Goiânia para elogiar o anúncio do presidente Lula (PT) de um pacote de R$ 30 bilhões para empresas brasileiras afetadas pela taxação imposta pelo governo Donald Trump a produtos nacionais. O recurso, segundo o presidente, será destinado prioritariamente a pequenas companhias e alimentos perecíveis, com o objetivo de preservar empregos e buscar novos mercados para os setores atingidos.
Kátia afirmou que a medida “mostra a firmeza e a assertividade” do governo federal na defesa da soberania econômica, criticando o que chamou de “falsos patriotas” que, segundo ela, comemorariam uma eventual crise causada pelo tarifaço. A parlamentar também acusou o governador Ronaldo Caiado (UB) de “produzir desinformação” sobre as negociações e investimentos federais.
“Enquanto Caiado anuncia um fundo de R$ 600 milhões para o setor produtivo, o presidente Lula investiu apenas no agronegócio de Rio Verde R$ 744 milhões no primeiro semestre. E mais: só no BPC, o governo federal já repassou R$ 1,96 bilhão este ano, sem contar o Bolsa Família”, disse Kátia, acusando o governador de “sabotagem política” ao faltar a reunião de governadores convocada pelo Planalto para discutir o pacote econômico.
O governador, que é pré-candidato ao Planalto em 2026, anunciou a criação da linha de crédito durante evento no Japão e, na ocasião, evitou fazer comentário político e baixou o tom em relação ao governo federal.
Inabilidade de negociação
A fala da petista gerou reação de vereadores da oposição ao PT. O sargento Novandir (MDB) ironizou o discurso, dizendo ser “impossível” que não partisse de um parlamentar do PT e acusou Lula de ter “capacidade para negociar com facções criminosas, mas não com um líder do porte de Donald Trump”.
O coronel Urzeda (PL) também criticou, repetindo menção corriqueira ao PT como “partido das trevas” e questionando a efetividade dos recursos anunciados. “O plano safra tem mais que isso e o produtor não vê o dinheiro. Quero ver essa grana chegar no bolso dos pequenos e microempresários. Por enquanto, é falácia”, disse.
Já o vereador William Veloso (PL) afirmou que “não há recursos suficientes” para cumprir o prometido, classificando Lula como “um dos maiores bravateiros da história do país”.
O pacote, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, será financiado por crédito extraordinário, mecanismo fora do teto de gastos usado em situações emergenciais, e pode ser ampliado conforme a necessidade. Além das linhas de crédito, o governo federal pretende apoiar judicialmente empresários que queiram contestar a medida de Trump na Justiça dos EUA.
“A gente está pensando em ajudar as pequenas empresas, que exportam espinafre, frutas, mel e outras coisas. Empresas de máquinas. As grandes empresas têm mais poder de resistência. Nós vamos aprovar [a medida provisória] amanhã, e acho que vai ser importante para a gente mostrar que ninguém ficará desamparado pela taxação do presidente Trump”, prosseguiu o presidente em entrevista nesta terça-feira.
Aprovação
As tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil, alteraram o quadro político e impulsionaram a aprovação do presidente Lula, posicionando favoravelmente o governo para a eleição do próximo ano, segundo o cientista político Antonio Lavareda, presidente do conselho científico do Ipespe.
Em entrevista à CNN nesta semana, Lavareda afirmou que a “desaprovação dos brasileiros ao tarifaço de Trump é notavelmente alta, superando os 60%”. Segundo ele, essa rejeição popular tem sido um trunfo para o posicionamento do presidente.
A tendência de crescimento da aprovação de Lula já havia sido notada em pesquisa Genial Quaest de julho. Na época da divulgação, o diretor do instituto, Felipe Nunes, avalia que a medida afetou negativamente o desempenho de Bolsonaro e de aliados, como Tarcísio.
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