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Quem é Taha Ali? De ex-vigilante à atacante da Suécia na Copa do Mundo

Filho de refugiados somalis, atacante superou dificuldades, brilhou no Malmö e alcançou o sonho de disputar um Mundial pela seleção sueca.


Danilo Santana Por Danilo Santana em 15/06/2026 - 10:03

Filho de refugiados somalis, atacante (Foto: Pontus Orre), brilhou no Malmö e alcançou o sonho de disputar um Mundial pela seleção sueca.

Fechando a primeira rodada de seu grupo, a Suécia superou a Tunísia na noite de ontem por 5 a 1 sem grandes dificuldades. Mas apesar do bom desempenho, a história que se destaca na Seleção Sueca é de Taha Ali. Enquanto muitos jogadores da Copa do Mundo de 2026 foram preparados desde a adolescência para atuar na elite, poucos possuem uma trajetória tão incomum quanto a de Taha. Antes de vestir a camisa da seleção nacional, o atacante precisou superar dificuldades sociais, trabalhar como vigilante e construir a carreira longe dos caminhos tradicionais do futebol europeu.

Nomes como Alexander Isak, Viktor Gyökeres e Anthony Elanga chegaram ao Mundial cercados por expectativas e reconhecimento internacional, mas Taha percorreu uma rota completamente diferente. Sua convocação acabou se transformando em um dos exemplos mais marcantes de perseverança no futebol sueco recente.

Taha Ali: ”Självklart är jag motiverad att spela i superettan” – HD

Filho de refugiados encontrou no esporte uma oportunidade

Nascido em Estocolmo, em 1998, Taha Ali é filho de refugiados somalis e cresceu em Tensta, bairro multicultural localizado na periferia da capital sueca. A região reúne comunidades de diversas nacionalidades, mas também enfrenta desafios relacionados à desigualdade social e às oportunidades limitadas para muitos jovens.

Diferentemente de vários atletas que ingressam cedo nas academias dos grandes clubes europeus, Taha passou boa parte da juventude distante dos principais centros de formação. Sem o rótulo de promessa, precisou buscar alternativas para continuar perseguindo o sonho de viver do futebol.

Taha Ali Sweden Futsal
Taha Ali, que aparece com a camisa 19 no canto inferior direito da imagem, chegou a defender a Seleção Sueca de futsal.

Futsal ajudou a moldar seu estilo de jogo

O primeiro passo importante na carreira aconteceu longe dos gramados convencionais. Durante a adolescência, Taha encontrou no futsal o ambiente ideal para desenvolver suas principais características técnicas. As quadras menores exigiam rapidez de raciocínio, domínio refinado da bola e capacidade de improvisação em espaços reduzidos. Como resultado, ele aperfeiçoou habilidades que mais tarde se tornariam sua principal marca registrada no futebol de campo.

O desempenho foi tão positivo que o atacante chegou a defender a seleção sueca de futsal. Além disso, a experiência contribuiu diretamente para o estilo de jogo que hoje chama atenção dos torcedores. Seus dribles curtos, mudanças rápidas de direção e facilidade para superar marcadores em situações individuais carregam forte influência da modalidade.

Trabalho como vigilante

A caminhada rumo ao profissionalismo esteve longe de ser simples. Enquanto muitos jogadores da mesma geração assinavam contratos importantes ainda na adolescência, Taha precisou conciliar o esporte com outras atividades para garantir renda.

Entre os empregos exercidos nesse período, o mais conhecido foi o de vigilante. A rotina incluía jornadas de trabalho e treinamentos, exigindo dedicação constante para manter vivo o objetivo de se tornar atleta profissional. Em diversos momentos, a distância entre a realidade e o sonho parecia enorme. Ainda assim, o atacante seguiu apostando no futebol e recusou abandonar a carreira esportiva.

Evolução aconteceu longe dos holofotes

A ascensão no futebol de campo ocorreu de forma gradual. Já na faixa dos 20 anos, Taha começou a ganhar espaço em clubes menores da Suécia, construindo sua trajetória temporada após temporada.

Passagens por equipes como Sollentuna FK, Örebro SK, Västerås SK e Helsingborgs IF ajudaram no amadurecimento técnico e tático do jogador. Sem grande exposição midiática, ele acumulou experiência, ganhou confiança e começou a chamar atenção dentro do cenário nacional. Aos poucos, ficou evidente que poderia competir em um nível mais elevado.

A grande virada da carreira aconteceu em 2023. Naquele ano, o atacante recebeu uma oportunidade no Malmö FF, maior campeão do futebol sueco e presença frequente em torneios continentais. O salto foi imediato. Atuando em um ambiente mais competitivo, Taha conseguiu transformar o potencial demonstrado nas divisões inferiores em desempenho de alto nível.

Com velocidade, criatividade e habilidade nos confrontos individuais, conquistou espaço no elenco e rapidamente caiu nas graças da torcida. O jogador que anteriormente dividia o tempo entre o trabalho e o futebol passou a atuar diante de estádios cheios e em disputas por títulos nacionais.

(Foto: Pontus Orre)

Convocação para a Copa emocionou a Suécia

O reconhecimento máximo chegou em 2026. Ao anunciar a lista para a Copa do Mundo, a comissão técnica sueca incluiu o nome de Taha Ali entre os convocados para representar o país.

A escolha repercutiu fortemente na Suécia justamente porque sua trajetória foge dos padrões mais comuns do futebol moderno. Afinal, poucos atletas conseguem alcançar o principal torneio do planeta depois de passarem pelo futsal, trabalharem fora do esporte e chegarem à elite apenas na fase adulta.

Taha é a prova de que o talento pode surgir longe dos centros tradicionais e que alguns sonhos apenas exigem mais tempo para se tornarem realidade, mesmo no meio do futebol.

Danilo Santana

Jornalista e produtor audiovisual baseado em São Paulo. Escreve sobre cultura e esporte.

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