Exposição inédita reúne mais de 40 peças de 16 comunidades religiosas; mostra tem fotos históricas da ditadura militar e celebra resistência cultural e combate à intolerância.
O Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás (UFG) abre na quinta-feira (6) a exposição Assentamentos – Arte Sacra em Terreiros de Goiânia e Entorno, primeira mostra pública dedicada a uma coleção de arte sacra afro-brasileira formada por peças de terreiros da capital e da região metropolitana. A abertura ocorre às 19h, e a visitação segue até 9 de outubro, de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, com entrada gratuita .
A exposição tem caráter histórico-cultural e reúne mais de 40 objetos sagrados e culturais de 16 terreiros de religiões de matriz africana e indígena, como ifá, candomblé, umbanda, omolocô, terecô e jurema . O projeto, realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc e operacionalizado pelo Governo de Goiás por meio da Secretaria de Estado da Cultura, propõe uma reflexão sobre as contribuições africanas e indígenas na formação estética, simbólica e espiritual da cultura goiana .
O acervo é resultado de um levantamento de dois anos nos municípios de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Trindade e Abadia de Goiás . As peças expostas foram produzidas a partir da década de 1950 e incluem trabalhos de santeiros anônimos, além de objetos que atravessaram o Atlântico trazidos por povos africanos escravizados. O público encontrará obras em ferro, bronze, madeira, argila, cerâmica, ossos, chifres e cocares de pena.
Além dos objetos sagrados, a mostra apresenta duas coleções fotográficas históricas do Museu Antropológico. A Procissão dos Pretos-Velhos de Goiânia, registrada entre 1972 e 1977, retrata a resistência cultural durante a ditadura militar, quando o cortejo saía do Bairro Vila Nova e ocupava vias centrais como a Avenida Goiás. A segunda coleção documenta o Terreiro de Candomblé Rei Congo, em Inhumas, em 1972, revelando a organização ritualística, as vestimentas e a participação comunitária.
Segundo o curador Ricardo Braudes, Goiânia possui um campo religioso afro e indígena diversificado, com cerca de 18 mil espaços em todo o estado e 4 mil na capital, segundo a Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de Goiás. A exposição busca valorizar os cultos afro-brasileiros, combater a intolerância religiosa e cumprir a Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas.
A exposição Assentamentos – Arte Sacra em Terreiros de Goiânia e Entorno acontece no Museu Antropológico da UFG (Avenida Universitária, 1166, Setor Leste Universitário, Praça Universitária), de 11 de agosto a 9 de outubro, com visitação de terça a sexta, das 9h às 17h, e entrada gratuita. A mostra inclui visitas guiadas com mediadores dos próprios terreiros. O projeto também oferece atividades de educação patrimonial e palestras públicas. Para escolas e grupos, é possível agendar visitas pelo museu. Além disso, o Ministério Público e a Defensoria Pública recebem denúncias de intolerância religiosa, que podem ser feitas pelo Disque 100.
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