O Partido Liberal em Goiás abriu formalmente um processo ético-disciplinar contra o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, após manifestações públicas de apoio ao governador Daniel Vilela (MDB), candidato à reeleição. A Executiva Estadual do PL decidiu por unanimidade, nesta quinta-feira (27), admitir a representação apresentada contra o prefeito e encaminhar o caso ao Conselho de Ética da legenda.
A decisão, segundo o próprio partido, não representa julgamento nem aplicação de penalidade. O advogado do PL-GO, Leonardo Batista, afirmou que a deliberação foi apenas sobre a admissibilidade da denúncia.
“A Executiva não julgou a conduta nem aplicou penalidade. A instrução do processo cabe agora ao Conselho de Ética, com contraditório e ampla defesa assegurados ao prefeito de Anápolis”, disse.
A representação foi protocolada em 22 de agosto por um filiado do PL e aponta que Márcio manifestou apoio público a uma candidatura ao Governo de Goiás diferente daquela sustentada oficialmente pela sigla. Embora a nota não cite Daniel Vilela nominalmente, o prefeito declarou apoio ao governador durante a campanha.
O PL sustenta que a conduta pode contrariar o Estatuto do partido, o Código de Ética e a Resolução Administrativa nº 004/2026 da Executiva Nacional. A norma proíbe detentores de mandato pela legenda de manifestarem apoio público a candidatos de outros partidos ou que não integrem as coligações formalizadas pelo PL.
O senador Wilder Morais, presidente do PL em Goiás, lamentou a abertura do processo e afirmou que a legenda deveria estar concentrada nas disputas estadual e nacional.
“Ter um processo político sendo instaurado nesse momento, trazendo a política municipal para a estadual, é uma infelicidade. O foco deve ser a melhoria de vida dos goianos e questões político-partidárias internas não deveriam ocupar esse espaço”, declarou.
O advogado de Márcio Corrêa acompanhou a reunião da Executiva, teve acesso aos autos e recebeu cópia integral do processo. A partir de agora, caberá ao Conselho de Ética analisar o mérito da representação e decidir sobre eventual punição ao prefeito.













