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Brics avança com plano para reduzir dependência do dólar e criar sistema próprio de pagamentos

Brics avança com plano para criar sistema próprio de pagamentos e reduzir dependência do dólar; proposta será debatida na cúpula de setembro na Índia


Fábio Prado Por Fábio Prado em 28/08/2026 - 16:00

Brics avança com plano para reduzir dependência do dólar e criar sistema próprio de pagamentos
Brics avança com plano para reduzir dependência do dólar e criar sistema próprio de pagamentos - Foto: AFP/ ALET PRETORIUS

Bloco discute integração de Pix, UPI e moedas digitais em cúpula na Índia em setembro. Proposta desafia hegemonia do dólar e busca blindar economias de sanções.

A disputa pela redução da dependência do dólar ganhou um novo capítulo dentro do Brics. Segundo reportagem de André Lucena para a Brasil de Fato, o bloco avança nas discussões para integrar os sistemas de pagamentos de seus países e permitir transações em moedas nacionais. A proposta deve voltar ao centro das discussões na próxima cúpula do grupo, marcada para 12 e 13 de setembro, em Nova Déli, na Índia.

Entre as possibilidades estão a integração de sistemas de pagamentos instantâneos, o uso de moedas digitais de bancos centrais e o Brics Pay, iniciativa que pode funcionar como uma ponte digital para pagamentos entre os países. O presidente do Banco Central da Índia, Sanjay Malhotra, confirmou que o tema está em debate e deve ser incluído na agenda da cúpula.

A discussão está diretamente ligada à disputa pela soberania econômica. Brasil, China, Índia e outros integrantes do bloco já possuem sistemas próprios de pagamentos e vêm ampliando o uso de suas moedas nas relações comerciais. A China utiliza o yuan digital e expande a internacionalização de sua moeda, enquanto o Brasil possui o Pix e a Índia utiliza o UPI. O Brics Pay, inspirado no sucesso do Pix brasileiro, funcionaria como um ecossistema digital descentralizado que permite transações diretas entre moedas locais, eliminando intermediários ocidentais.

A integração dessas estruturas poderia reduzir custos e o tempo das transações, além de diminuir a exposição dos países às sanções e aos mecanismos financeiros controlados pelos Estados Unidos. A experiência da Rússia, que teve centenas de bilhões de dólares de suas reservas bloqueados após as sanções impostas pelo Ocidente em 2022, tornou ainda mais evidente o poder político exercido por uma arquitetura financeira internacional centrada no dólar.

O avanço da proposta, porém, representa uma ameaça à posição privilegiada de Washington no sistema financeiro mundial. O dólar continua sendo a principal moeda de reserva global, mas sua participação vem caindo gradualmente — de 57,79% no final do primeiro trimestre de 2025 para 56,32% no segundo trimestre. Bancos centrais ampliam suas reservas em outras moedas e em ouro.

Para os países do Brics, construir mecanismos próprios significa ampliar a margem de manobra diante de sanções, tarifas e pressões econômicas dos Estados Unidos. Não se trata, portanto, apenas de criar uma nova ferramenta para pagar contas entre países. Está em disputa quem terá poder para controlar os fluxos financeiros internacionais nas próximas décadas.

O Brics Pay já passou por testes bem-sucedidos em outubro de 2024, durante o Fórum Empresarial em Moscou, e está em fase de lançamento e expansão. A meta do grupo é que o sistema movimente o equivalente a centenas de bilhões de dólares por ano até 2030, sem envolver a moeda americana.

É importante lembrar que a integração dos sistemas de pagamentos do Brics ainda está em fase de discussão e depende de acordos entre os países-membros. Para quem realiza transações internacionais, a recomendação é acompanhar os desdobramentos das negociações pelos canais oficiais do Banco Central do Brasil e do Ministério das Relações Exteriores. Empresas e indivíduos que operam com países do bloco podem consultar as regras vigentes para uso de moedas locais em operações de comércio exterior.

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