A CBF recebeu, nesta terça-feira, o 2º Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol, reunindo nomes consagrados do esporte nacional. A cerimônia tinha como objetivo homenagear profissionais brasileiros e celebrar a presença de Carlo Ancelotti, atual técnico da Seleção. Porém, o clima amistoso ganhou contornos de debate quando Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira pediram mais espaço para treinadores do país.
Leão, campeão mundial em 1970, foi quem puxou o assunto. Ao subir ao palco para receber sua homenagem, ele afirmou que mudou de opinião sobre a presença de estrangeiros no comando da Seleção. Mesmo assim, não deixou de criticar o cenário atual. Segundo ele, a chegada de técnicos de fora reflete uma queda de qualidade do próprio mercado brasileiro, e os treinadores nacionais também precisam assumir responsabilidade por essa realidade.
Logo depois, Oswaldo de Oliveira reforçou a fala do ex-goleiro. O treinador, que está sem clube desde 2019, afirmou que também prefere profissionais brasileiros à frente de clubes e da Seleção. Porém, já que a escolha atual é estrangeira, declarou torcida para o sucesso de Ancelotti e desejou bons resultados na Copa do Mundo.
No auditório, também estava Vagner Mancini, ex-técnico do Goiás, atual técnico do Bragantino e presidente da Federação Brasileira de Treinadores. Ainda durante o evento, os treinadores se dirigiram para Ancelotti e desejou sorte ao italiano, apesar das críticas ao cenário que chamou de “invasão” de profissionais de fora.

Invasão estrangeira no Brasil
Nos últimos anos, a invasão de técnicos estrangeiros ganhou força no futebol brasileiro. A mudança começou a chamar atenção com Jorge Jesus, que conquistou títulos importantes com o Flamengo em 2019. Depois dele, Abel Ferreira se consolidou no Palmeiras, comandou campanhas históricas e abriu caminho para que outros clubes buscassem nomes de fora. Como resultado, muitos dirigentes passaram a tratar o mercado internacional, com foco maior no mercado português, como solução mais rápida para montar equipes competitivas.
Além das grandes capitais, o movimento também chegou ao Nordeste. O trabalho longevo de Juan Pablo Vojvoda, agora no Santos, também virou símbolo dessa fase enquanto o treinador argentino comandava o Fortaleza. Com regularidade e identidade de jogo, ele levou o clube a resultados inéditos e mostrou que a presença estrangeira não se limitou a equipes de maior investimento.
Hoje, a Série A do Brasileirão conta com sete técnicos estrangeiros, entre eles o próprio Abel Ferreira com o trabalho mais longevo da elite brasileira, Vojvoda no Santos, Hernan Crespo no São Paulo, Zubeldia no Fluminense, entre outros, nomes que dão sinal de que esta fase ainda tem muita história pela frente.














