Ancelotti fecha o ano na Seleção Brasileira com um empate por 1 a 1 diante da Tunísia, em amistoso disputado na França e encerra 2025 com mais perguntas do que respostas. Embora o trabalho apresente evolução em vários aspectos, o desempenho irregular contra adversários de médio porte reforça que o técnico ainda terá muito a ajustar na preparação rumo ao próximo ciclo competitivo.
O torcedor brasileiro que esperava uma grande partida, se frustrou com um jogo em grande parte moroso, com exceção de momentos de maior pressão tunisiana e a resposta brasileira. A expectativa foi criada após o bom jogo contra Senegal no último sábado, 15.
Como foi o amistoso
O amistoso começou em ritmo intenso. A Tunísia entrou em campo como se estivesse disputando uma fase decisiva de Copa do Mundo. Enquanto isso, o Brasil tentou controlar o jogo com transições longas. Os tunisianos, porém, responderam com marcação firme e contra-ataques velozes, em especial pelo lado esquerdo com Abdi.
Aos 22 minutos, o lateral tunisiano aproveitou erro de Wesley, arrancou em velocidade e encontrou Mistouri na área. O atacante dominou com tranquilidade e finalizou na saída de Bento para abrir o placar.
A seleção brasileira empatou aos 42 minutos. Após revisão no VAR, o árbitro marcou pênalti por toque de mão de Bronn. Estêvão cobrou com categoria e deixou tudo igual.
No segundo tempo, o Brasil teve a chance de virar a partida quando Vitor Roque (Palmeiras) sofreu pênalti. Do banco veio a indicação de que o batedor fosse Lucas Paquetá e não Estevão, como era esperado. O jogador do West Ham isolou a bola na batida, desperdiçando a chance de passar a frente no placar.
Com o tempo que restou, o Brasil teve uma grande chance apenas nos minutos finais quando Estevão cortou a área e acertou a trave da Tunísia, selando o final da partida.
Decisão equivocada
Posteriormente, ao final da partida, Estevão foi questionado sobre o por quê de não ter batido o segundo penal. Segundo o jogador, a decisão veio do banco e ele tinha que transmitir confiança ao companheiro (Lucas Paquetá, West Ham). Após a fala do ex-palmeirense, Marquinhos (PSG, França) confirmou que a decisão veio do banco, a pedido do próprio Ancelotti.
O pedido foi determinante para o empate, o que frustrou os torcedores.
Retrospecto positivo, mas com alertas
Ao longo de 2025, Ancelotti comandou o Brasil em oito partidas, somando quatro vitórias, dois empates e duas derrotas. O time marcou 15 gols e sofreu 5. No entanto, como um dos amistosos concentrou boa parte desses gols, o número total pode gerar uma percepção exagerada da produção ofensiva.
Nas competições oficiais, o ataque tem rendimento mais modesto, especialmente fora de casa. Apesar disso, o treinador conseguiu reorganizar o time, resgatar identidade competitiva e abrir espaço para novos protagonistas, como Estêvão. Além disso, optou por não depender de Neymar, o que marca uma virada importante na construção do elenco.
Análise e opinião: O que fica para 2026
Entretanto, mesmo com o empate, Ancelotti fecha o ano na seleção brasileira com saldo construtivo: promoveu mudanças estruturais, revelou novas peças e devolveu competitividade ao elenco. É notável que precisa melhorar a consistência ofensiva da equipe, a resposta em jogos fora do país e o equilíbrio defensivo diante de equipes que apostam em transições rápidas.
A temporada termina com sinais de progresso, com lições claras sobre onde o time precisa evoluir para chegar forte nos próximos compromissos.
Mas ainda assim, a principal missão não foi cumprida: A Seleção Brasileira não conseguiu se desvencilhar da desconfiança que rodeia o grupo desde o começo deste novo ciclo. O quarteto de ataque, composto por estrelas, não convence. O meio de campo também trás muitas dúvidas. Tudo isso tem multiplos fatores de culpa – seja a bagunça estrutural e de planejamento da CBF, seja a safra de jogadores, seja a dificuldade notável criar uma linguagem de jogo de uma seleção sem assinatura. O que fica é que Ancelloti é um bom maestro, mas hoje rege uma orquestra desafinada.














