Skip to content

Depois de repercussão, bombeiro que matou cão comunitário Brutus a tiros é afastado das funções

Além do afastamento, a corporação informou que também determinou a suspensão do porte de arma do militar, enquanto o Inquérito Policial Militar é feito


Carla Borges Por Carla Borges em 11/04/2026 - 10:37

cão Brutus
Cão comunitário Brutus foi morto a tiros por um bombeiro, agora afastado (Redes sociais)

O Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás anunciou o afastamento das funções operacionais do militar responsável por atirar e matar o cão comunitário Brutus, caso que ganhou ampla repercussão nos últimos dias em Goiânia. A decisão foi divulgada por meio de nota oficial após a crescente pressão popular e a mobilização de protetores de animais. Na nota, a corporação fala em “novos fatos relacionados ao caso”, mas não esclarece que fatos são esses. Um protesto no Parque Flamboyant, na região onde o cão vivia, está marcado para este domingo.

Além do afastamento, a corporação informou que também determinou a suspensão do porte de arma do militar, enquanto o Inquérito Policial Militar instaurado para apurar a conduta segue em andamento. Segundo o comunicado, caso seja comprovada irregularidade, o agente poderá ser responsabilizado tanto na esfera criminal quanto administrativa.

A medida ocorre dias após o episódio que resultou na morte de Brutus, no estacionamento do Estádio Serra Dourada, e em meio a uma onda de indignação nas redes sociais. Moradores da região e frequentadores do Parque Flamboyant, onde o animal vivia, contestaram a versão inicial apresentada pelo bombeiro.

Nas plataformas digitais, diversas pessoas relataram que o cão era conhecido na região por seu comportamento dócil e sociável. Vídeos e depoimentos passaram a circular, reforçando a imagem de Brutus como um animal tranquilo, acostumado à convivência com moradores, crianças e outros animais.

A versão do militar, inclusive, passou a apresentar inconsistências ao longo dos dias. Em depoimento inicial, ele afirmou ter sido mordido pelo cachorro e alegou ter agido em legítima defesa. Posteriormente, no entanto, declarou não se lembrar com clareza se de fato foi atacado pelo animal — o que intensificou as críticas à conduta adotada.

O caso também provocou reação imediata de entidades de proteção animal. A Instituição Focinho Caridoso organizou uma manifestação marcada para este domingo no Parque Flamboyant, convocando a população a exigir justiça pela morte de Brutus e de outros animais vítimas de violência.

Ativistas vinham cobrando o afastamento do militar, diante da gravidade do caso. Eles cobram transparência nas investigações e a responsabilização efetiva do agente, além de medidas mais amplas de proteção aos chamados animais comunitários.

A repercussão expõe, mais uma vez, a fragilidade na aplicação de leis que garantem a proteção desses animais, reconhecidos como parte das comunidades onde vivem. Apesar de amparados por legislação, casos de violência seguem ocorrendo, frequentemente sem desfechos considerados satisfatórios por defensores da causa.

Enquanto o inquérito avança, a expectativa agora recai sobre a condução das investigações pelo próprio Corpo de Bombeiros. Para críticos, o desafio será demonstrar imparcialidade em um processo interno que julga a conduta de um de seus integrantes, especialmente em um caso que já mobilizou a opinião pública e levantou questionamentos sobre uso desproporcional da força.

O afastamento do militar, embora relevante, chega sob pressão e após forte reação social.

Leia a nota oficial do Corpo de Bombeiros:

NOTA À IMPRENSA

O CBMGO informa que, diante de novos fatos relacionados ao caso que culminou na morte de um cachorro comunitário no estacionamento do Estádio Serra Dourada, a Corporação afastou das funções operacionais o militar responsável pelo disparo que provocou a morte do animal, bem como adotou as providências para a suspensão do porte de arma do militar.
O Inquérito Policial Militar instaurado pela Corporação para apurar a conduta do militar segue em curso e, caso seja comprovada a existência de conduta ilícita, o militar poderá ser punido criminal e administrativamente.

Assessoria de Comunicação Social/BM-5

Pesquisa