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Dois anos de um estatuto que não deu certo


Herivelto Nunes Por Herivelto Nunes em 06/12/2025 - 22:33

Serrinha inacabada. Sinal de que nada avançou no Goiás

Essas mudanças representam um passo importante na modernização da gestão do Goiás Esporte Clube, nos levando para um caminho de melhores práticas de administração desportiva e promovendo uma governança mais transparente e eficaz. A inclusão de aspectos ligados à transformação em SAF também foi um grande avanço”. Essas foram as palavras de Edminho Pinheiro, então presidente do Conselho Deliberativo do Goiás, um dos principais responsáveis pela implantação do novo Estatuto. Mas na prática, a história não era bem essa.

Com a alteração no Estatuto, o cargo de Presidente Executivo foi suprimido. O Goiás passou a ser comandado por um Conselho de Administração, seguindo modelo empresarial. O Conselho de Administração passou a ser formado por cinco membros, sendo três conselheiros não remunerados, eleitos via votação, e dois profissionais remunerados, contratados por uma empresa especializada em headhunter. Dentro dessa estrutura, o Presidente do Conselho de Administração seria o diretor estatutário, representando o Goiás em suas relações institucionais.

De acordo com o novo Estatuto, a gestão cotidiana da agremiação ficaria a cargo da Diretoria Executiva, composta por até cinco membros, sendo um diretor de futebol, um diretor administrativo, financeiro e de operações, um diretor de patrimônio, marketing e novos negócios e um diretor de esporte olímpicos, paralímpicos, iniciação esportiva e social. Todos respondendo diretamente ao diretor Executivo (CEO). Tudo muito bonito, mas não funcionou. 

Fim da oposição

Nos bastidores, o que se sabe é que Edminho Pinheiro pretendia na verdade dificultar ou impedir que alguns dirigentes do passado voltassem a comandar o Goiás. Especialmente Raimundo Queiroz, seu desafeto maior, mas também o Dr. Sergio Rassi, o Dr. Syd de Oliveira e todos que se declararam oposição à continuidade da família Pinheiro à frente do Goiás Esporte Clube. Sobre Raimundo Queiroz, foram imputadas inúmeras e graves acusações que se transformaram em processos policiais. Raimundo Queiroz se defendeu de todas as acusações e provou sua inocência em todos eles. 

A verdade é que a modernização, a transparência e a SAF não aconteceram. Em campo, o time esmeraldino ganhou apenas a desacreditada Copa Verde, mas não ganhou o campeonato goiano e muito menos conquistou o acesso à Série A, sonho maior do torcedor esmeraldino. Edminho Pinheiro se desentendeu com o primo Paulo Rogério Pinheiro, então Presidente Executivo do Clube, e pediu demissão do cargo de Presidente do Conselho de Administração.

Paulo Rogério saiu desgastado da Presidência e se afastou por um tempo, voltando depois como Presidente eleito do Conselho Deliberativo, onde desempenha um papel apagadíssimo, frequenta muito pouco o Clube e não aparece para dar satisfação ao torcedor sobre os momentos ruins da equipe nas competições e as perspectivas para o futuro.

Hoje o Goiás praticamente não tem oposição. Existem ex-dirigentes que aparecem nas vésperas das eleições, mas sequer conseguem registrar uma chapa oposicionista para disputar o pleito. Desde os tempos de Hailé Pinheiro, foram implantadas regras eleitorais que não permitem o registro de duas chapas, com isto, ao registrar a chapa situacionista, não sobram associados com direito a voto em número suficiente para registrar uma segunda chapa. A chapa situacionista ganha sempre.

2025 foi mais um ano de fracasso, o segundo com o novo Estatuto em vigor. A torcida não admite mais um ano sem ganhar o campeonato estadual e muito menos outra participação na série B, além desta que se aproxima em 2026. E os atuais gestores (ninguém sabe quem manda), estão com uma “batata quente” nas mãos. Precisam montar um elenco competitivo para conquistar os objetivos para o próximo ano, mas não terão dinheiro suficiente para tal. No final deste ano, buscaram no mercado financeiro um empréstimo de R$ 25 milhões para fechar as contas do ano e iniciar as competições de 2026. E depois, como será?

O atual Estatuto precisa ser revogado, o Goiás tem que voltar a ter um presidente Executivo. Alguém que responda pelo Clube, que atenda à imprensa no cotidiano, que represente a agremiação nas entidades do futebol local, nacional e até internacional. Que faça o Goiás ser respeitado novamente, como já o fora em outras épocas. O Goiás é do Serra Dourada, não dessa Serrinha inacabada. O torcedor não suporta mais tanta humilhação.

CURTAS

>>> Entre os goianos que disputam a série B, o Vila é o que mais contratou até o momento. As seis primeiras contratações indicam que o Tigrão pretende melhorar o desempenho do time nos setores de meio campo e ataque.

>>> o Vila confirmou a contratação do centroavante Dellatorre, que estava no Coritiba, do volante Willian Maranhão, que já defendeu o Atlético Goianiense. O Clube contratou também o meia Marquinhos Gabriel, de 35 anos, que esse ano defendeu o Avaí.

Willian Maranhão vai defender o Vila em 2026

 >>> Lucas Gazal pode deixar o Atlético. O zagueiro de 26 anos desperta o interesse do Remo e do Coritiba, clubes que vão disputar a primeira divisão do campeonato brasileiro.

Lucas Gazal não fica no Atlético

>>> O Atlético espera negociar também em definitivo o goleiro Ronaldo, que é titular do Bahia e o volante Gabriel Baralhas, que está emprestado ao Vitória. Os dois jogadores interessam aos clubes que atuam.

>>> Adson Batista não pensa em ter esses jogadores de volta ao Atlético. Precisa fazer caixa para superar as dificuldades do ano que se aproxima.

>>> Todos os zagueiros do Goiás que terminaram a série B tem contrato para a próxima temporada. Até o momento o Clube não negociou nenhum deles, mas nem todos devem continuar.

>>> Se depender do torcedor esmeraldino, os zagueiros Messias e Titi, além do volante Marcão, não permanecerão no alviverde. Ficam Lucas Ribeiro, Luiz Felipe e Anthony.
Herivelto Nunes

Herivelto Nunes é Jornalista, com Pós Graduação em Gestão de Pessoas, Liderança e Coaching

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