A entrada do presidente Lula (PT) nas articulações para a formação de um palanque eleitoral em Goiás foi recebida positivamente por partidos que deverão apoiar sua candidatura à reeleição. No PDT, que se prepara para formalizar o apoio ao petista, a sinalização em favor da participação da deputada federal Adriana Accorsi (PT) e da vereadora Aava Santiago (PSB) na chapa majoritária aumentou a expectativa por uma definição sobre os nomes que representarão o campo governista no Estado.
O encontro realizado nesta quarta-feira (8), no Palácio do Planalto, marcou uma participação mais direta de Lula nas discussões sobre a composição eleitoral em Goiás. A reunião contou com Adriana, Aava, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e se estendeu por cerca de duas horas.
Entre os cenários discutidos nos bastidores estão as possibilidades de Adriana e Aava ocuparem candidaturas ao governo estadual e ao Senado. A definição deverá considerar pesquisas eleitorais e a capacidade de construção de uma aliança que reúna os partidos dispostos a sustentar a candidatura presidencial de Lula no Estado.
Nas redes sociais, Aava classificou a reunião como um momento de “muito papo, análise, construção e aprendizado” e destacou o papel das mulheres nas próximas decisões políticas do grupo. “Duas horas depois de muito papo, análise, construção e aprendizado, saio desse encontro convicta de que somos nós, as mulheres, que mais uma vez conduziremos este país no caminho do acerto”, escreveu.
Mesmo diante das articulações conduzidas por Brasília, Adriana Accorsi dá sinais de manter a pré-candidatura à reeleição para a Câmara dos Deputados. A parlamentar prepara encontro com mulheres da militância petista, marcado para a manhã de sábado (11), e também avalia buscar apoio da primeira-dama Janja.
Apoio de aliados
Presidente estadual do PDT, Kowalsky Ribeiro afirmou à Tribuna do Planalto que a entrada de Lula nas articulações dá maior densidade às possibilidades representadas por Adriana e Aava.
“A partir do momento que o Lula sinaliza que a solução é Adriana ou é a Aava, ou são as duas, nós entendemos que, pelas pesquisas apresentadas, realmente existe uma lógica, existe uma densidade”, disse.
O dirigente afirmou que o partido vê com “muito bons olhos” as possíveis candidaturas e considera que os dois nomes possuem capacidade de diálogo com o eleitorado.
“Daí, a construção de um palanque que tenha lógica, que dê sustentação para o PDT e seus federais. Nós vamos aguardar essa indicação, mas vemos com muito bons olhos tanto a candidatura da Adriana quanto a candidatura da Aava. Acredito que conversa muito com o eleitor”, afirmou.
Apesar da avaliação positiva, Kowalsky disse que o PDT ficou incomodado por não ter participado da reunião. Segundo ele, se o partido integra a aliança nacional que apoiará Lula, também deveria participar das conversas sobre a organização do palanque presidencial em Goiás.
“Ficamos incomodados porque na reunião existia uma composição da Frente da Esperança e o PSB. E, se eles entendem que o PDT faz parte dessa aliança, dessa construção, deveria ser chamado para essa conversa”, afirmou.
Como fica Luis Cesar?
A movimentação de Lula em torno de Adriana e Aava interfere no cenário construído até agora em torno da pré-candidatura do ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT) ao governo de Goiás, que já tem ameaçado nos bastidores deixar a disputa.
Kowalsky afirmou que Luis Cesar mantém o respeito do PDT e destacou a proximidade programática entre o petista e a legenda. Segundo ele, porém, a sinalização do presidente demonstra que a discussão sobre o nome que representará o campo governista foi reaberta pelo próprio PT.
“O Luis Cesar Bueno tem todo o nosso carinho, toda a nossa atenção, é um exímio defensor das causas que o PDT também defende, mas infelizmente não foi a escolha do partido. Isso fica bem claro com essa posição do Lula. Não foi o PDT, não foi o PSB, não foi o pessoal da Rede, foi o próprio PT, foi o próprio líder maior deles”, declarou.
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