Entre os 20 entes que receberam verbas de emendas Pix em 2024 auditadas por amostragem, Davinópolis e Ceres aparecem no relatório da CGU. Davinópolis recebeu R$ 4,62 milhões e Ceres, R$ 1,1 milhão, ambos com planos de trabalho não cadastrados até fevereiro de 2025, o que acendeu o alerta dos auditores.
Segundo a CGU, as duas prefeituras apresentaram falhas em etapas essenciais da execução das emendas, como transparência ativa, registro de informações no Transferegov.br e rastreabilidade dos gastos, além de deficiências no acompanhamento das obras financiadas.
“Tais auditorias por amostragem parecem indicar a permanência de um quadro generalizado de ilegalidades, com grave afronta às decisões do STF em tema tão relevante quanto o uso de dezenas de bilhões de reais do Orçamento da União”, escreveu o ministro Flávio Dino, relator da ADPF 854.
Além das cidades goianas, outros 18 municípios compõem a amostra de entes que receberam transferências especiais. Tucano, na Bahia, é a localidade que recebeu maior valor, de R$ 19 milhões. Ao todo, os 20 entes auditados receberam mais de R$ 72 milhões.
Determinação
Flávio Dino determinou o envio do relatório à Polícia Federal, que deverá investigar indícios de crimes e anexar as informações a procedimentos em curso ou abrir novas apurações.
Ele também ordenou que a CGU apresente, para 2026, um plano nacional de auditorias voltado especialmente a áreas críticas como saúde e pavimentação.
Por fim, Dino cobrou da Advocacia-Geral da União a entrega, em 60 dias, de um relatório com as medidas adotadas para responsabilização e recuperação de valores eventualmente desviados.