O ex-prefeito de Aparecida de Goiânia e pré-candidato ao Senado Gustavo Mendanha (PSD) disse, em entrevista ao Tribunal do Planalto, que, conforme combinado com a direção nacional do partido, seu único interesse — e uma das três exigências feitas à época — é se candidatar a senador, junto com a primeira-dama Gracinha Caiado (UB), na chapa do vice-governador Daniel Vilela (MDB) nas eleições de 2026.
Após rumores de que sua permanência no partido estaria incerta depois de o senador Vanderlan Cardoso, que preside a legenda em Goiás, citar a possibilidade de seu nome para a vice na chapa de Daniel, ele esclarece que dispõe ainda de tempo dentro da legenda para avaliar a situação, e que só a deixará caso ela não apoie o agora vice-governador. Recentemente, alguns membros cogitaram possibilidade de caminhar com o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), também pré-candidato ao governo estadual.
Segundo Mendanha, ele aguarda conversa com o presidente nacional, Gilberto Kassab, quem lhe “deu a palavra” quando ele se filiou, para “verificar se algo mudou. Confira os principais trechos:
Como está, hoje, a relação do senhor com a direção do PSD, sua permanência e as perspectivas de uma candidatura?
Continuo filiado ao partido e estou tranquilo. Algumas pessoas próximas a mim demonstram certa apreensão quanto à maneira como o senador [Vanderlan Cardoso, presidente regional do PSD]. Contudo, entendo que a política é dinâmica, e cada momento tem sua particularidade. Portanto, acredito que haverá o momento oportuno para tratarmos de todos os assuntos, e ainda disponho de tempo dentro do partido para avaliar a situação. A única condição que me levaria a deixar o partido seria a impossibilidade de apoiar a candidatura de Daniel [Vilela, vice-governador]. Houve especulações sobre o partido apoiar outro candidato, o ex-governador, Marconi Perillo [PSDB], por exemplo, o que eu não admitiria em nenhuma hipótese. Quando ingressei no partido, estabeleci três condições, das quais, até o momento, não houve decisão. A intenção era ser candidato ao Senado, apoiar Ronaldo Caiado para presidente e apoiar Daniel para governador.
Sua candidatura é, então, uma exigência?
Sempre foi a vaga para me candidatar ao Senado. Ao ingressar no partido, buscava a possibilidade de disputar essa vaga.
Caso não haja acordo no PSD, qual sua perspectiva?
Estou tranquilo. Acredito que haverá um momento oportuno para discutir essas questões. O momento atual é de formação de chapas. A única condição que me faria deixar o partido é se ele trilhar um caminho diferente do que conversamos.
Há dois nomes competitivos, o do senhor e o Vanderlan, para uma única vaga. Existe a estratégia de candidatura avulsa?
Essa possibilidade existe, mas confesso que, nesse momento, não estou focado nessa questão. Creio que muita coisa pode acontecer. É evidente que, repetindo o que Vanderlan disse, há certa insegurança no meu grupo em relação à minha permanência no partido, pois deixei claro que meu objetivo era ser candidato ao Senado. Passado algum tempo, o Vanderlan disse que o combinado era para eu ser vice, que foi isso que conversamos. Uma semana depois, ele disse que eu poderia ser candidato ao que quisesse, e que essa havia sido a combinação. A conversa foi exatamente essa: “Você pode ser candidato ao que quiser.” Eu disse: quero ser candidato ao Senado, tenho a vaga? — Tem. Então, tudo bem. Hoje, aguardo uma conversa com o presidente Kassab para tratar disso, a fim de verificar se algo mudou, até porque Vanderlan é o presidente do partido no estado, embora minha confiança de me filiar ao partido foi na palavra do Kassab.
O senhor é favorável a candidaturas avulsas? Qual sua opinião sobre isso, do ponto de vista estratégico?
Acredito que, para a chapa do Daniel, o ideal seria ter apenas dois candidatos, e a luta real é para que eu seja um deles. Sou o único pré-candidato que defende o nome da Gracinha [Caiado, primeira-dama do estado e pré-candidata ao Senado] o tempo todo, e acredito que seria ideal apresentar apenas duas opções, embora candidaturas avulsas possam surgir. Contudo, essa questão seria mais apropriada para outro momento. Meu foco atual é auxiliar na formação das chapas de deputados federal e estadual do partido.
E quanto à possibilidade de alianças com o PL?
Já declarei que, caso necessário, se uma coligação for exigida, o PL poderá se juntar a nós, e teríamos as candidaturas avulsas. Contudo, considero que o projeto principal é o do Daniel, não o meu ou de outras figuras. Acredito que devemos trabalhar para a reeleição de Daniel e a continuidade do excelente trabalho do governador Ronaldo Caiado em benefício do estado.
Em relação a Aparecida, que tem grande importância econômica e política, como o senhor vê a participação de um nome do município na chapa?
Penso que a cidade agrega muito valor. É evidente o interesse de Aparecida em ter um representante. Embora meus votos atuais não se concentrem apenas em Aparecida, conforme pesquisas eleitorais, tenho boa aceitação em Goiânia e, principalmente, na Região Metropolitana, acredito que a chapa se beneficiaria com a representação da cidade.
Como está participação de Aparecida na formação da chapa do grupo do Daniel?
Contamos com diversos quadros disponíveis para disputar as eleições, tanto para deputado federal quanto estadual, incluindo alguns que já foram candidatos, como secretários municipais e apoiadores. Acredito que temos bons nomes para disputar e vencer as eleições. Temos dialogado, e todos os quadros que pretendem concorrer estarão, certamente, apoiando a candidatura do Daniel.
A força do Entorno do DF também é relevante, tanto para a vice quanto para o Senado. Como são seus apoios lá? O que o senhor construiu desde a última eleição?
Tenho boas relações, mas minha força política na Região Metropolitana é que possui maior número de votos no estado. Tenho bom relacionamento com diversos quadros importantes, como a deputada Leda Borges; o Pábio Mossoró, que foi prefeito [de Valparaíso] e é secretário de estado; o prefeito de Águas Lindas, Dr. Lucas. Creio que esse apoio no Entorno será fundamental, tanto para Daniel quanto para qualquer candidato ao Senado.
Como tem sido seu trabalho de acompanhar o Daniel e a articulação em todo o estado?
Acompanhei Daniel em viagens a Bom Jesus e Águas Lindas, na última sexta-feira. Acredito que com o trabalho Daniel tem crescido, não apenas nas intenções de voto, mas também na compreensão da população de que ele dará continuidade a um governo muito bem avaliado, o mais bem avaliado do Brasil. Conhecendo Daniel, tanto como amigo quanto por suas qualidades e capacidade, acredito que ele está no caminho certo.














