Pelo segundo dia consecutivo, a Câmara Municipal teve sessão, nesta quarta-feira (3), marcada por manifestações contra decisões da gestão do prefeito Sandro Mabel (UB), desta vez contra o fechamento de até 15 unidades de educação. Segundo a vereadora Katia Maria (PT), seu mandato está ingressando com ação judicial para barrar o fechamento de ao menos seis CMEIS.
“Como pode fazer a discussão do fechamento do Santos Dumont como estão fazendo? Do Água Branca, do Wemerson, na Vila Rica, que não tem para onde as pessoas irem. Elas vão atravessar para chegar aqui em Goiânia ou vão para Nerópolis?”, questionou a parlamentar. “Não tem para onde ir e estão fechando a unidade”.
Segundo a vereadora, para a educação infantil na rede municipal, “hoje a gente está judicializando os seis, mas a lista já está chegando a 15”. Ela ressalta que há notícia do fechamento de unidades da primeira fase escolar até unidades para Educação de Jovens e Adultos (EJA). “Eles estão pegando de mamando à caducando”.
Terceirização de vagas
Após o discurso de Katia, o presidente da Mesa, Anselmo Pereira (MDB), disse que na última gestão foram abertas seis unidades escolares a partir de seu mandato. Ele cumprimentou o vereador e ex-secretário Welligton Bessa (DC) ao relembrar as entregas. “Só eu abri seis escolas graças à vossa excelência. Essa Casa zela sempre em criar, motivar salas de aula”, destacou.
“Agora, nessa gestão, foi criada seis salas de aula numa entidade católica no Jardim Itaipu. Então, não precisamos equilibrar essas forças”, opinou Anselmo.
Welligton Bessa, por sua vez, acusou discurso político sobre reforço da compra de vagas com entidades religiosas. “Nós temos 380 unidades na rede municipal, eu desafio vossa excelência ou outros vereadores dessa casa apresentar uma unidade educacional que foi repassada o OS”, afirmou.
“Isso fica o tempo inteiro sendo falado, mentira, que não é verdade, o tempo inteiro e até parece que é verdade. Então eu desafio apresentar a mim uma unidade de educação do município de Goiânia que foi tirada dos alunos e aquela unidade foi repassada e ali criada o OS. Isso não é verdade”, defendeu.
A vereadora Aava Santiago (PSDB) respondeu ao desafio feito pelo líder do prefeito e disse que não é “boato”. “Todos os alunos do CMEI Orlando Alves Carneiro (fechado pela atual gestão) foram transferidos para o CEI Terra Fértil. É ou não é uma organização social? Estamos tirando estudantes de uma unidade sob gestão 100% municipal e entregando ao terceiro setor. Isso não é boato, é fato”, rebateu Aava.
Aava disse ainda que a fala da secretária de Educação Gisele Alves, “que disse em rede aberta que não existe fechamento de CMEIs, que é apenas uma reorganização da redede” destooa da realidade vivida por professores e pais.
“Eu já tinha presenciado situações aqui dentro em que ela disse uma coisa e fez outra lá fora. Mas, dessa vez, foi uma desfaçatez televisionada, porque o que ela afirmou não condiz com o que está acontecendo na prática”, criticou a parlamentar.
Discurso eleitoral
O ex-líder do prefeito, vereador Igor Franco (MDB), elevou o tom ao afirmar que a condução da educação infantil pela atual gestão tem provocado desgaste político para o Governo de Goiás.
Ele disse concordar que o prefeito Sandro Mabel “vai derreter a eleição de Daniel Vilela”, e que, se fosse o vice-governador, “não se vincularia” ao atual chefe do Executivo municipal.
“Hoje, como MDB, se eu fosse o Daniel Vilela, aconselharia meu candidato a governador a não se vincular com esse prefeito, que é inimigo da cidade, que colocou esse filho aqui em Goiânia e está arrebentando com a nossa capital”, declarou.
Igor pediu que os vereadores se unam contra o fechamento de unidades e reforçou que a prioridade deveria ser a ampliação da rede, não o seu enxugamento.
O vereador também fez apelo ao governador Ronaldo Caiado (UB), afirmando que a situação exige intervenção. “Esse prefeito que está em Goiânia é filho do governador. Ele precisa intervir, precisa corrigir imediatamente os rumos da nossa cidade, que está indo para o buraco”, disse.
A Tribuna do Planalto procurou a Secretaria Municipal de Educação para esclarecer as denúncias. A reportagem questionou a SME sobre quantas unidades pretende fechar até o fim do ano e, para 2026, em quais instituições essas crianças serão realocadas, mas ainda não obteve resposta.














