O deputado federal Zacharias Calil (MDB) vê dificuldade na construção de uma estratégia única da base governista para o segundo voto ao Senado em 2026, mesmo após o recuo de Alexandre Baldy (PP). Em entrevista à Tribuna do Planalto, concedida nesta quinta-feira (2), o parlamentar afirmou que não consegue identificar como o governo poderia organizar esse movimento diante da quantidade de nomes aliados colocados na disputa.
O debate ganhou novo capítulo depois que Baldy declarou, no último sábado (27), que vai apoiar a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (UB) na disputa ao Senado, como primeiro suplente. Desde então, integrantes da base ligados ao próprio Alexandre, como Joel Sant’Anna Braga, começaram a estimular novos recuos para o afunilamento na disputa.
Além de Gracinha, nomes como Zacharias Calil, Vanderlan Cardoso e Gustavo Mendanha seguem no tabuleiro. A preocupação é evitar que a base repita o erro de 2022, quando Delegado Waldir, Alexandre Baldy e Vilmar Rocha disputaram a única vaga ao Senado dentro do campo caiadista, enquanto Wilder Morais (PL) cresceu e venceu a eleição.
Para Zacharias, o segundo voto será decisivo, mas não necessariamente controlável por uma estratégia centralizada. “Eu trabalho também com o segundo voto. Acho que o segundo voto é muito importante, porque é um voto mais de opinião. O primeiro voto, às vezes, é mais lógico, está com comprometimento. O segundo voto é o voto da pessoa ver o trabalho que vem ao longo dos anos”, afirmou.
Segundo ele, o segundo voto pode até mudar a ordem natural da disputa. “O segundo pode fazer o primeiro”, disse.
Questionado sobre a possibilidade de o governo construir uma estratégia para orientar esse segundo voto, Zacharias foi direto. Para ele, a operação esbarra na quantidade de pré-candidatos da própria base.
“Eu acho difícil, porque não consigo entender qual a estratégia do governo para entrar junto da população em relação ao segundo voto. A não ser que ele saia pedindo segundo voto para alguém da base aliada, mas isso é inviável, porque são vários pré-candidatos”, afirmou.
O deputado também citou a relação partidária com Daniel Vilela. Zacharias lembrou que é o único nome do MDB colocado para o Senado e disse que, sob a ótica partidária, o governador teria motivo para pedir voto a ele. Ainda assim, reconheceu que a composição ampla da base dificulta uma escolha explícita.
“O meu partido é o MDB. Daniel Vilela teria que pedir voto para mim, tanto o primeiro quanto o segundo voto. Como é a base aliada, ele provavelmente não vai fazer isso”, disse.
A fala mostra que o recuo de Baldy não resolveu toda a equação. Ao aceitar ser primeiro suplente de Gracinha, o ex-ministro diminuiu uma candidatura competitiva na linha de frente, mas a base ainda terá de administrar outros projetos em curso.
Zacharias afirma que seguirá trabalhando independentemente de uma definição da cúpula governista. Segundo ele, sua pré-campanha ao Senado está em andamento há mais de um ano, com visitas a municípios, conversas com prefeitos, vereadores e lideranças locais. “Já visitei dezenas de municípios e continuo trabalhando no meu escritório em Goiânia e em Brasília também”, afirmou.
O deputado diz ter destinado emendas parlamentares para praticamente todos os municípios goianos. Segundo ele, dos 246 municípios de Goiás, apenas seis não receberam recursos por falta de documentação. “É obrigação nossa ajudar todos os municípios, independentemente da votação que eu tenho”, afirmou.
Zacharias também explicou que pretende trabalhar com prefeitos, mas não descarta buscar apoio na oposição municipal quando o gestor local estiver comprometido com outro projeto.
“O prefeito não quer me apoiar? Então, quem é a oposição dele? Também tem os vereadores. Vamos trabalhar com o vereador, que é muito importante nos municípios. Ele conhece a realidade, as demandas, as dificuldades e as pessoas pelo nome”, disse.













