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Em Goiânia, Lula eleva tom político contra Trump e promete taxar big techs

Presidente defendeu a soberania nacional e prometeu reagir contra empresas digitais e interesses estrangeiros que, segundo ele, ameaçam a democracia brasileira.


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 17/07/2025 - 14:33

Lula eleva tom político contra Trump e promete taxar big techs - Foto Ricardo Stuckert
Lula elevou tom contra Trump e Bolsonaro e prometeu taxar big techs que espalham desinformação (Foto: Ricardo Stuckert)

Em agenda com estudantes brasileiros nesta quinta-feira (17), o presidente Lula (PT) adotou tom abertamente político ao atacar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu entorno e o governo Trump dos Estados Unidos. Em meio à crise comercial gerada pelo aumento de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros, Lula defendeu a soberania nacional e prometeu reagir contra empresas digitais e interesses estrangeiros que, segundo ele, ameaçam a democracia brasileira.

“Ele (Trump) disse ‘não quero que as empresas americanas, as empresas de plataforma, sejam cobradas no Brasil’. O mundo tem que saber que esse país só é soberano porque o povo é soberano tem orgulho desse país. Eu queria dizer pra vocês que a gente vai julgar e cobrar imposto das empresas americanas digitais.”, ameaçou.

Comparando a situação com Donald Trump a uma partida de truco, afirmou que não aceitará blefes e reiterou que é ao povo brasileiro, e não a governos estrangeiros, que deve satisfação. “Não é um gringo que vai dar ordem a este presidente da República”, declarou, exaltando sua origem humilde e dizendo que respeita apenas quem “tem quatro letras: povo”.

“O Brasil tem 201 anos de relações diplomáticas com os EUA e um déficit comercial de US$ 410 bilhões em 15 anos. Não aceitamos a ideia de o presidente mandar um e-mail dizendo que, se não liberarmos o Bolsonaro, vai aplicar uma tarifa de 50%. Vamos responder como democratas: não aceitamos que ninguém se meta nos nossos assuntos internos”, disse Lula.

No discurso, disse que o Brasil tem condenado quem ataca contra a democracia e também ironizou o ex-mandatário brasileiro, que está inelegível. “Quem abraça a bandeira americana, que transfira seu título pra lá. Porque aqui, quem manda somos nós, brasileiros”, afirmou Lula, em referência a Jair Bolsonaro.

Ele ainda fez alusão ao deputado federal Eduardo Bolsonaro, que atualmente está licenciado do cargo e vivendo nos Estados Unidos. De forma debochada, Lula imitou um clamor por liberdade: “Liberta meu pai, liberta meu pai, liberta meu pai”, disse, ao insinuar que o parlamentar atua como articulador internacional da extrema-direita brasileira.

Pesquisa

As falas de Lula ocorrem no mesmo dia em que a nova pesquisa Quaest apontou que Lula tem se saído melhor do que Bolsonaro na percepção popular em relação ao tarifaço promovido por Trump. O petista aproveitou o embalo para prometer taxar as big techs que, segundo ele, lucram com a desinformação e o discurso de ódio no Brasil.

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