A Prefeitura de Goiânia decretou como de utilidade pública, para fins de desapropriação o imóvel onde funciona o antigo Jóquei Clube de Goiás, localizado na Avenida Anhanguera, no Setor Central. Com mais de 21 mil metros quadrados, a área é considerada estratégica para os planos de requalificação da região central e será incorporada ao patrimônio público do Município. A medida foi formalizada pelo prefeito Sandro Mabel (União Brasil) por meio do Decreto nº 2.807/2025.
O Jóquei está abandonado há anos e possui uma dívida de R$ 168 milhões em impostos municipais. A ideia de revitalizar o espaço como forma de retomar o convívio social no centro da capital é antiga.
Projetado por Paulo Mendes da Rocha, um dos maiores nomes da arquitetura moderna brasileira, o prédio é apontado por especialistas como de grande valor histórico e artístico. A justificativa técnica para a desapropriação também menciona o bom potencial estrutural do imóvel e sua localização privilegiada, que favorece a instalação de novos equipamentos públicos com múltiplas finalidades.
A proposta integra os esforços da gestão municipal para reativar o Centro de Goiânia, seguindo diretrizes do Plano Diretor e programas específicos como o Centraliza, política lançada na gestão do ex-prefeito Rogério Cruz (Republicanos).
Um dos principais projetos de Cruz para o Jóquei Clube era transformá-lo em um polo gastronômico, reunindo bares, restaurantes e espaços culturais em um ambiente integrado ao cotidiano da cidade.
Sandro Mabel é simpático à proposta e tem reforçado que o espaço permite uma ocupação plural. Em entrevistas recentes, mencionou a possibilidade de criar o Palácio da Cultura no local, reservar parte do prédio para o universo gamer, com ambientes voltados a jogos eletrônicos e cultura digital.
Além disso, nos bastidores se discute a cessão de áreas ao Governo de Goiás para a construção de dois prédios administrativos. O Estado, inclusive, negocia a compra do edifício da Caixa Econômica Federal, vizinho ao Jóquei Clube.
Além de seu valor simbólico, o imóvel tem área construída de aproximadamente 4.500 m² e estrutura que, segundo parecer técnico preliminar, comporta readequações funcionais. A prefeitura aposta que a requalificação do edifício representará uma economia aos cofres públicos em comparação à construção de um novo, e ainda permitirá a preservação de um marco da paisagem urbana de Goiânia.
Patrimônio histórico
A desapropriação será custeada com recursos do orçamento municipal, por meio do Programa de Requalificação de Áreas Urbanas. Embora o edifício não tenha sido tombado como patrimônio histórico, a prefeitura garante que as intervenções previstas respeitarão suas características originais mais marcantes.
A destinação final do imóvel ainda está em definição, mas é uma das principais apostas da atual gestão para recuperar o Centro de Goiânia e ampliar a oferta de serviços, cultura e lazer para a população.












