A participação na eleição majoritária em Senador Canedo faz parte do projeto do Republicanos de fortalecimento da legenda em Goiás, que está aberto a pré-candidatos com viabilidade eleitoral e que comunguem das mesmas ideias conservadoras da sigla. Na presidência da Emater, Gouveia vem trabalhando na reestruturação da autarquia, inclusive anunciou que há estudos em andamento para a realização de um novo concurso público para recompor o quadro técnico. Segundo ele, se hoje o estado de Goiás é referência no agronegócio, grande parte disso deve-se à atuação dos servidores da Emater.
TRIBUNA DO PLANALTO – A estrutura de apoio à produção rural em Goiás é composta por vários órgãos, como a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a Agrodefesa, a Emater, além das instituições federais. Como esses órgãos se integram e qual a função da Emater nessa estrutura?
RAFAEL GOUVEIA – A Secretaria de Estado de Agricultura coordena as ações e ela tem a Emater , a Agrodefesa e a Ceasa como jurisdicionadas, tendo em vista que somos autarquias e a Ceasa é uma empresa pública. A agrodefesa é responsável pela defesa sanitária da agropecuária no estado, através de seus fiscais e legislações, e a nossa instituição, a Agência Goiana de Assistência Técnica e Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária, tem a responsabilidade de levar a assistência técnica aos produtores rurais, capacitação, inovação e também dar todo auxílio através da extensão rural, que é identificar as famílias, as dificuldades que têm enfrentado no campo. Os nossos extensionistas são esse elo, levando não só as atividades da Emater, mas também outras atividades que o estado oferece para auxiliar essas famílias. Temos também a parte de pesquisa agropecuária e nossos pesquisadores têm feito pesquisas e, através das extensão rural, levamos essas inovações e novas tecnologias ao produtor rural.
Por que a Emater em Goiás foi desativada e por que esse governo decidiu reativá-la?
No ano que vem ela completará 64 anos e, durante sua existência, passou por altos e baixos, já foi uma empresa pública, depois passou a ser apenas uma parte dentro da Secretaria da Agricultura, posteriormente virou uma uma autarquia e, por um tempo, foi praticamente desativada. Pegaram toda a estrutura do Emater e ela se tornou apenas uma superintendência dentro da secretaria. Posteriormente, voltou a ser uma instituição estadual, com autonomia administrativa e financeira. Nesse governo, Ronaldo Caiado tem investido muito na Emater e estamos passando por um momento de reestruturação para cada vez mais atender os produtores rurais. Se hoje o estado de Goiás é referência no agronegócio, grande parte disso devemos à atuação dos servidores da Emater.
O que foi feito nesse processo de reativação?
Hoje temos uma sede própria, que acredito ser a melhor estrutura de Emater do Brasil inteiro e de secretaria do estado do governo. A nossa estrutura fica aqui no Campus da UFG, no Samambaia, e é realmente magnífica. Nosso desafio agora é avançar com o nosso corpo técnico, e, para resolver isso de forma mais imediata, o governador liberou a contratação de 120 técnicos no formato de contrato temporário. No ano passado foram convocados 57 e agora vamos convocar 63. O processo seletivo já está em andamento, as inscrições já foram encerradas e agora vamos passar para a etapa de seleção para que esses técnicos comecem suas atividades a partir de janeiro. Estamos já com projeto também bem avançado e acredito que no ano que vem começaremos também a reestruturar nossos escritórios nos municípios, tendo em vista que hoje temos escritórios em 203 municípios e queremos fazer esse trabalho de reestruturação desses escritórios e também a modernização da frota de veículos. Nosso objetivo maior é realizar um novo concurso público para fortalecer ainda mais o nosso quadro técnico de servidores e termos condições cada vez maiores de atender o produtor.
Sobre o concurso público, já foi solicitado e se encontra em alguma fase de realização?
Estamos em fase de estruturação do novo plano de carreiras e cargos para poder ter um concurso público. Já tivemos várias discussões com a Secretaria de Administração, passamos para eles o que seria a nossa demanda, tanto na atividade-fim nossa, os extensionistas, como da área de pesquisa e estamos nessa fase de estruturação para depois irmos para a fase final, que é discutir a viabilidade orçamentária e financeira do estado para ver a quantidade de servidores que no primeiro momento vamos conseguir convocar via concurso público.
Na área de pesquisa, quais foram os últimos avanços da Emater?
Nós sempre trabalhamos em parceria muito forte com a Embrapa aqui do estado e temos alguns cultivares de milho e de feijão que já foram lançados e a pesquisa mais recente foi a do pequi sem espinho, que tem sido um sucesso no Brasil inteiro, vários estados têm nos procurado para conhecer. Temos o maior banco de germoplasma de pequi do mundo, são aproximadamente mil pés de pequi em produtividade com quase 500 espécies diferentes. De fato, uma pesquisa que avançou muito e estamos disponibilizando esses cultivares, essas novas tecnologias de replicação de mudas para os produtores rurais para que eles tenham todo esse material a disposição deles.
Qual a participação da Emater no PAA?
O Programa de Aquisição de Alimentos é todo executado pela Emater. São os nossos técnicos que cadastram as propostas dos produtores rurais, que mobilizam os produtores rurais dos municípios e nas regiões para que, posteriormente, o estado faça a aquisição desses produtos, que são destinados a entidades filantrópicas e aos Cras (Centro de Referência de Assistência Social) dos municípios. Fizemos recentemente o lançamento do PAA estadual, que é 100% executado com recursos do estado oriundos do Protege (Fundo de Proteção Social do Estado de Goiás), que é coordenado pela primeira-dama, Gracinha Caiado. Nesta edição do PAA, mais de 800 produtores rurais foram atendidos e milhares de famílias receberão esses alimentos direto do campo, trazendo cada vez mais segurança alimentar e também matando a fome de muita gente.
A Emater realizou agora seu segundo mutirão, em Leopoldo Bulhões. Por que decidiram adotar o modelo de mutirão na extensão rural?
Temos ainda um déficit grande de servidores e técnicos nos municípios, onde na maioria temos um ou dois técnicos e não conseguimos atender toda a demanda do município. Esse é um projeto da nossa gestão, a partir do qual uma vez por mês escolhemos uma região do estado onde fazemos esse trabalho em formato de mutirão. Para o mutirão, deslocamos técnicos de outras cidades e de outras regionais e, durante uma semana, realizamos várias atividades naquele município e naquela região para atender o máximo possível de produtores. Um dos focos maiores nesses mutirões têm sido os cursos de capacitação ministrados durante toda a semana em diversas regiões da cidade e das cidades circunvizinhas e, no sábado, encerramos com a entrega de certificados e levamos também outros serviços, como a emissão de CAF (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar), projetos de crédito rural, que são executados pelos nossos técnicos, doação de mudas, atendimentos de outras secretarias, e as prefeituras também disponibilizam seus serviços. Finaliza sempre em um sábado com uma grande festa e atendimentos à população. Tem sido realmente uma ação importante e agora mesmo, em Leopoldo de Bulhões, durante a semana, conseguimos capacitar aproximadamente 120 pessoas, que saíram de lá capacitados em diversos cursos.
Em Goiás há uma grande desigualdade regional em relação à produção rural. A Emater considera essa desigualdade em seus projetos?
O trabalho da Emater é levar assistência aos produtores oriundos da agricultura familiar, que são os pequenos produtores, e sabemos da dificuldade deles em ter acesso à inovação e tecnologia. Um exemplo da doação da Emater para avançarmos na questão da desigualdade regional é o grande projeto – que a Emater tem uma participação significativa – do polo de fruticultura do Vão do Paranã. O governador Ronaldo Caiado quer que façamos do Nordeste goiano o maior polo de fruticultura do Brasil. Já estamos com ações avançadas e acredito que ainda neste ano vamos fazer um lançamento oficial, porque já temos dez propriedades-piloto que já estão com quase tudo pronto, com as mudas já plantadas e, daqui a um tempo, já terão as primeiras produções. Nosso objetivo é lançar mais um chamamento público para mais 140 propriedades aproximadamente e, posteriormente, avançar no máximo que conseguirmos de produtores rurais para fazermos daquela região o maior polo de fruticultura do Brasil.
O senhor vai disputar a eleição para prefeito de Senador Canedo?
O partido (Republicanos) me fez esse convite, para eu colocar meu nome à disposição na cidade de Senador Canedo, tendo em vista que, enquanto deputado estadual, fui o parlamentar que mais destinou recursos para cidade e a base eleitoral forte que temos no município e eu aceitei o desafio. É claro que a eleição majoritária não é uma eleição proporcional. Uma eleição majoritária depende de toda uma circunstância, da aglutinação de apoios, de lideranças e é o que tenho feito agora, conversado com diversas lideranças do município para entender o cenário e, no momento certo, tomar a decisão em favor da cidade de Senador Canedo, que sabemos o grande potencial que tem para avançar.
O senhor tem domicílio eleitoral em Senador Canedo?
Não, eu não tenho domicílio em Senador Canedo ainda, mas já estamos nos preparando para isso.
Qual é o projeto do Republicanos para as eleições de 2024 em Goiás?
O projeto do Republicanos é lançar candidatura majoritária no máximo de municípios possíveis e já temos feito esse trabalho, conversado com os principais pré-candidatos dos municípios, colocando o partido à disposição. Naturalmente, quando se lança um grande número de candidatos majoritários às prefeituras dos municípios, vamos trabalhar de todas as formas para eleger o máximo possível. Esse é o projeto do Republicanos, de fortalecimento em todo o estado de Goiás. O nosso presidente, prefeito Roberto Naves, tem se dedicado a isso e acreditamos que o Republicano sairá das eleições de 2024 ainda mais fortalecido.
Há alguma região de Goiás que seja prioridade? A Região Metropolitana de Goiânia é uma delas?
É claro que se encontrarmos nomes com viabilidade política nas principais cidades da região metropolitana, como no Entorno de Brasília e no Sudoeste goiano, vamos priorizar esses municípios. Mas é lógico que em qualquer município que identificarmos candidatos com viabilidade política e que tenham interesse em vir para o partido, vamos trabalhar e atuar nesse sentido. Posso citar o exemplo de Jataí, onde temos a pré-candidata prefeita Flaviane (Scopel), que já disputou eleição lá; em Rio Verde, temos o dr. Osvaldo, que também disputou a última eleição e é pré-candidato pelo partido; no Entorno de Brasília, o nosso ex-presidente Hildo do Candango tem feito esse trabalho, coordenando para termos nomes com viabilidade política nas principais cidades. Esse é o trabalho que temos feito, buscar lideranças com viabilidade política dos municípios que queiram vir para o partido para podermos auxiliá-los nessas eleições.
O Republicanos é um partido de direita ou centro-direita. Há alguma restrição ou alguma preferência em relação às alianças?
Naturalmente, por ser um partido conservador de centro-direita, é lógico que, em praticamente todos os municípios, tendemos a compor com partidos com a mesma linha ideológica que a nossa. Até mesmo porque os pré-candidatos que procuram o Republicanos para se filiarem também têm esse perfil. Não posso dizer que 100%, mas com certeza a maioria das nossas alianças será com os partidos e candidatos que comungam das mesmas ideologias nossas como pessoas e também na questão partidária.
Mas há restrição a algum partido?
Não, porque deixamos muito aberto para os pré-candidatos conduzirem as composições dos municípios, mas, como eu disse, é quase que uma unanimidade: os pré-candidatos que nos procuram também têm uma linha conservadora e defendem uma ideologia mais à direita. Naturalmente, esses pré-candidatos também buscarão os partidos que tenham essa mesma ideologia. Mas é claro que deixamos isso aberto para os pré-candidatos fazerem essas definições nos seus respectivos municípios.













